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Sobre o playback e outras artimanhas
por Marcelo Mendes

Resolvi defender o playback como forma legtima de arte. Assunto polŠmico e jß explorado por vßrios meios de comunica‡ƒo, o playback nƒo tem sido tratado com o devido respeito.

Historicamente relevante, nƒo s foi usado por diversos travestis, que obviamente nunca soariam como a Madonna, como tamb‰m pelos heris do rock brasileiro dos 80, principalmente. Explico: para atender a uma agenda apertada, as vezes com at‰ trŠs shows por noite, isso por causa da explora‡ƒo imposta por gravadoras, produtores e, pasmem, at‰ pelo Chacrinha (heri tropical, pra alguns), os artistas, mesmo que a contragosto, mandavam uma dublagem qualquer nota, levando o povƒo ao delrio. O playback entƒo, meus amigos, ‰ um dos responsßveis pelo sucesso do rock brasileiro.










Com o avan‡o da tecnologia, esse recurso simplrio, que consiste em, basicamente, colocar o disco para tocar e ficar mexendo a boca, foi substitudo por um muito mais complexo e din‚mico, chamado sampler. Os modernides de plantƒo jß sabem do que estou falando: trata-se da possibilidade de pegar pequenos trechos de m”sica e separß-las do resto, recriando-as a sua maneira - uma esp‰cie de colagem, fßcil de entender se considerarmos os ambientes virtuais: uma vez digitalizado, os trechos de m”sica podem ser milimetricamente trabalhados, convertidos, inclusive, em grßficos. Os processos sƒo bem parecidos com esses que vocŠ faz a no seu texto, como cortar e colar.

Entƒo, o que a Sandy faz ‰ justamente usar pequenos trechos, de forma a poupar a voz e nƒo arranhar a plasticidade de seu pop perfeito (no mau sentido). Esse recurso ‰ utilizado por grandes estrelas, como Madonna e at‰ por alguns de nossos heris do rock - porque ‰ muito mais barato, por exemplo, samplear uma orquestra do que contratar uma para seguir em turnŠ. Isso prova que esse recurso pode ser usado para o benefcio da humanidade.

No entanto, se uma banda de rock daquelas que vocŠ gosta lan‡ar mƒo desse recurso para poupar a voz do vocalista, desconfie. O Dave Grohl desafina que ‰ uma grandeza e, nem por isso, deixa de ser bom - afinal, se vocŠ quisesse ouvir coisas como no disco, vocŠ evitaria toda aquela confusƒo, tpica de qualquer show, ficando em casa.

Pra finalizar, bem que a Sandy podia dar uma desafinadinha de vez em quando, quem sabe assim, de pouco em pouco, ela nƒo viraria punk?


"A se‡ƒo Do It Yourself ‰ um espa‡o reservado para os leitores. Os textos publicados passam por nossa aprova‡ƒo mas nƒo refletem, necessariamente, a opiniƒo do 02 NeurŸnio."


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