Neste texto, analisaremos todas essas fases e outros detalhes
que nos surpreendem do desenrolar desta atividade feminina
1 - NEUROSE
Tudo come‡a com um calendßrio e uma listinha. Eu fico calculando
o meu tempo de viagem, quantos dias, como se eu fosse a governanta
de uma colŸnia de f‰rias. E resolvo fazer uma lista incrvel das
coisas que vou levar. O primeiro item, claro, sƒo as calcinhas
e soutiens, jß que é um cßlculo simples e independe do
lugar que vocŠ vai (quer dizer, se ‰ uma lua-de-
mel,
vocŠ vai demorar um pouco mais nesta atividade). O objetivo da
lista ‰ que vocŠ, neuroticamente, tenha um papel com todas as
pe‡as de roupa que vocŠ vai levar. Poder conferir o seu rol para
ver se nƒo estß deixando nada em Nova Iorque (ou Saquarema) tamb‰m
‰ uma desculpa. Acontece que, na prßtica, a listinha nƒo corresponde
€ realidade. Por exemplo: vocŠ escreve na listinha que vai levar
dez camisetas e, na prßtica, coloca 12. Ou entƒo, oito (duas estƒo
no varal). VocŠ fica nessa neurose por uma boa meia hora at‰ que
vŠ que essa coisa de listinha ‰ ridcula û neste momento sua mala
estß aberta com algumas coisas jß dentro û e vocŠ passa para a
segunda fase.
2
û IRRESPONSABILIDADE
Consiste em fazer algo ao inv‰s de arrumar a mala. Que pode ser
desde ficar ouvindo m”sica na sala (e, vez por outra, vocŠ pega
uma roupa e, fazendo coreografias, coloca na mala. Ð uma esp‰cie
de mecanismo que faz com que vocŠ ache que estß realmente arrumando
a mala) at‰ ir num programa horrvel que vocŠ renegaria numa situa‡ƒo
de sanidade mental. Ou entƒo, pode ser sair para uma balada e
falar que vai arrumar a mala na volta, €s trŠs da manhƒ. E tamb‰m
hß o irresponsßvel-responsßvel. VocŠ nƒo faz nada disso, fica
em casa, mas fica olhando para a mala sem nenhuma a‡ƒo.
3 û PÃNICO
Chega um momento em que vocŠ percebe que nƒo existem alternativas
para o seu problema. Isto ‰: vocŠ vai ter que fazer a mala de
qualquer jeito, mesmo que esteja sem inspira‡ƒo. No momento do
p‚nico, vocŠ tamb‰m entra em crise com o seu guarda-roupa. Acha
tudo horrvel, vocŠ nƒo tem dinheiro para comprar roupas, isso
‰ muito chato, etc. As ”nicas pe‡as que realmente vocŠ gostaria
de levar estƒo no cesto de roupas sujas.
Essa
‰ a primeira parte do p‚nico, conhecido como "p‚nico-depressivo",
que ‰ acompanhado por uma sensa‡ƒo de impotŠncia. A segunda parte
‰ o p‚nico-ativo, em que vocŠ abre o armßrio e come‡a a jogar
todas (todas mesmo) suas roupas na mala, descontroladamente. Sapatos
sƒo um drama € parte. Ao inv‰s de levar trŠs pares, vocŠ leva
dez, pois vai precisar deles. Inclusive aquele seu salto alto
vermelho, que serß muito ”til no Pantanal. O p‚nico s termina
quando vocŠ trocou de mala vßrias vezes (at‰ arrumar uma king-size)
e esvaziou o armßrio. Nesta hora, vocŠ ‰ obrigada a se liberar
de algumas pe‡as pois a mala nƒo fecha. Nesse momento, o esgotamento
fsico e emocional ‰ gritante.
4
û DOR DE COLUNA
VocŠ chega no aeroporto (ou rodovißria) com uma mala monstra,
uma mochila monstra, uma sacola de mƒo monstra, etc. Tudo isso,
porque vai passar o fim-de-semana em Sƒo Paulo ou Caravas. A
fase dor de coluna consiste numa dor de coluna mesmo. E vocŠ terß
tempo para se recuperar, pois passarß o fim-de-semana de moleton
na casa do seu amigo (se estiver frio) ou entƒo de biquni! Mesmo
assim, as roupas representarƒo um grande apoio psicolgico € sua
estadia longe de casa!