Mas
nem esse argumento da praticidade cola no caso do celular pendurado.
Eu sei porque eu provei! SIM,EU COMPREI UMA CAPINHA DAQUELAS E
ME PROPUS PASSAR O DIA INTEIRO COM O CELULAR PENDURADO NA CALA!!!!
Adianto que to prtico, mas to prtico, que no tempo em que
fiquei com o tal objeto pendurado tive que tir-lo de dentro da
capa duas vezes para conseguir ouvir o que as pessoas falavam
e que fiquei to irritada com o aparato que o teste, programado
para um dia inteiro, s durou uma hora.
Mas vamos por partes! Comecei comprando a capinha. Entrei em uma
loja especializada em celular e encontrei uma por R$12. Muito
caro! Eu sou maluca mas ainda no estou rasgando dinheiro! Mas
foi s atravessar a rua_A Brigadeiro Lus Antnio, no centro de
So Paulo, para encontrar o paraso (ou inferno).Uma banquinha
de camel vendia modelos dos mais variados, de oncinha (eca!),
de zebra, de plstico trasnparente, todos por R$5. Escolhi uma
bem bsica (aquela preta horrvel).
O dono da banquinha me tratou como se a minha compra fosse a coisa
mais normal do mundo e nem estranhou o fato de eu pendurar correndo
o celular na cintura. Claro,milhares de pessoas penduram seus
celulares na cala ao redor do mundo em casa segundo. Essa foi
a minha primeira concluso. Mas foi s eu sair andando com aquela
coisa pendurada na barriga para ter a certeza de que o mundo todo
estava olhando para mim e que eu estava cometendo um crime. At
o meu jeito de andar mudou, tenho certeza, eu me sentia uma PM
com um revlver pendurado na cintura.
Entrei em um banco para encarar uma terrvel fila. Logo encontrei
alguns pares. Um homem de terno bege usava um celular com uma
capinha plstica igual a minha. Olhei para ele reconfortada. Eu
no estava sozinha, pertencamos mesma tribo.
Um homem segurando uma capanga olhou fixamente para o meu horroroso
celular pendurado. Claro, pensei! Ele acha que encontrou uma alma
irm. Porque, bvio, o celular pendurado irmo da capanga.
Eu estava l, devaneando e me sentindo uma policial quando o telefone
tocou! Muito estranho o telefone tocou na minha barriga! Nessa
hora, preciso admitir usando a palavra preferida pelos homensachei
prtico. Sim! No tive que jogar todo o contedo da minha bolsa
no cho no meio do banco! Pela primeira vez encontrei o celular
depois do primeiro toque. Mas a os meus problemas comearam.
A pessoa do outro lado falava e eu no ouvi nada. Claro, o couro
praticamente tampa o fone! Virei uma louca que, aps sacar com
segurana o seu celular da cintura, passa a berrar no meio da
fila! Pedi que esperassem, tentei arrancar a porra da capa, mas
ela justa. Acabei gritando no telefone que eu ligava depois.
No desisti. Coloquei o meu celular no lugar. Depois de reparar
no homem de terno bege, aprendi que o celular tem que ficar do
lado, o meu tava meio na frente...
Sa do banco com meu andar de policial e pequei um txi. Descobri
que sentar com celular pendurado tambm um saco e que toda hora
parece que o celular vai cair.
Fui para outro banco (viram como tenho dias tristes?). Eu estava
no meio de um depsito no caixa eletronico com pessoas atrs de
mim na fila quando o celular tocou. Ouo, muito baixo, a voz da
minha amiga agitada: "e a bomba?" Eu no ouvi mais nada por causa
daquele couro maldito! E eu precisava saber da bomba, meu deus
Larguei meu lugar na fila, pedi para a minha amiga esperar e arranquei
a fora a bolsinnha do celular. Mas tive que fazer muita fora!
Acho que s consegui porque estava muito desesperada para ouvir
a histria da bomba. E nos momentos extremos somos capazes de
tudo!
Joguei a maldita capa na bolsa com muito dio e finalmente ouvi
a minha amiga explicar que o organizador da parada gay tinha recebido
uma carta bomba! Depois ainda dizem que essa coisa prtica!
Poxa! Eu no conseguia ouvir uma notcia sobre uma bomba?????
E se a minha amiga estivesse me ligado para dizer que EU TINHA
RECEBIDO UMA CARTA BOMBA!!!!!!! Eu certamente j teria explodido!
Por isso, esquea as capas de celular: feio, no prtico,
no sexy e pode ser muito perigoso! E eu acho que d azar.