Se eu esqueci,
isso ‰ a prova de que ser uma BV nƒo traumatiza. Nunca gastei uma se‡ƒo
de anßlise falando sobre isso. Mas naquela ‰poca eu nƒo fazia anßlise.
Se eu fizesseàpobre analista! Ela teria que aturar uma menina reclamando
que nunca beijou 50 minutos por semana.
Ser
uma BV ‰ horrvel. Nƒo ‰ o fim do mundo, mas a gente sofre. E, mais
uma vez, como sempre, a gente sofre por causa dos outros (mesmo hoje,
que nƒo sou BV hß 15 anos, ainda sofro por causa dessa coisa chamada
os outros).
Na verdade, nunca ter beijado nƒo tem nada demais. Se vocŠ nunca beijou,
‰ porque, na verdade, nunca teve muita vontade, nƒo chegou a hora etc
etc. O terrvel, o que me dava noites de insŸnia, era ter que aturar
as perguntas. Era s algu‰m falar em beijo para eu sumir e tremer como
se a terra fosse ser destruda pela bomba atŸmica (naquela ‰poca a gente
tinha muito medo de uma bomba destruir a terra). O assunto beijo provocava
tantas nßuseas quanto a aula de educa‡ƒo fsica e a prova de qumica.
Tentando desvendar esse mist‰rio (como eu me sentia) resolvi entrevistar
a Nina de 15 anos atrßs:
02 NeurŸnio- Ð verdade que vocŠ nunca beijou?
Nina- O que? Nƒo entendi o que vocŠ disse (com a voz trŠmula).
Eu sou super fƒ do Renato Russo.
02NeurŸnio- Mas vocŠ estß fugindo do assunto. Estou perguntando
se vocŠ jß beijou...
Nina- A minha prima deu o primeiro beijo outro dia. Ficou todo
mundo rindo dela.
02
NeurŸnio- Mas eu estou perguntando se VOC× jß beijouà
Nina- A a minha prima terminou com o namorado no mesmo dia.
VocŠ gosta de Legiƒo Urbana?
02 NeurŸnio- VocŠ se sente mal por nunca ter beijado?
Nina- Tenho que ir, vai passar um especial com o Legiƒo no rßdio.
Esse meu encontro comigo mesma me mostrou que, sim, eu sofria bastante
por ser BV. Mas, por alguma razƒo, eu conseguia nƒo ser alvo de piadas.
Era simples. Eu era aquela garota que gostava de punk rock e tinha o
cabelo mßquina 2. Por isso, as pessoas me procuravam para falar sobre
outros assuntos. Eu conversava com os meninos sobre rock e poltica.
De certa forma, quando o assunto nƒo surgia, todo mundo me respeitava
e eu nƒo era a BV, mas sim a garota-maluquinha-de-cabelo-em-p‰. Eu era
eu. E as pessoas respeitavam isso.
As
pessoas vƒo parar de falar e rir das BVs? Acho que nƒo.Mas tamb‰m nƒo
vƒo parar de falar mal das galinhas. Entƒo, dou esse conselho para as
minhas amigas BVs: esque‡am o que a humanidade diz! VocŠ serß comentada
e falada pelo resto da vida. Esse ‰ apenas o come‡o!
Logo depois que beijei, come‡aram a falar que eu era drogada, bolacha
e galinhaà E depois disso come‡aram a falar outras coisas e mais outras.
E algumas eram mentiras. E outras nƒo. Mas a verdade ‰ que ningu‰m tinha
nada a ver com isso.
Por isso, queridas, relaxem e aceitem essa dura realidade: as pessoas
sƒo cru‰is. Mas algumas nƒo sƒo. Tanto que com 15 anos e meio eu dei
o meu primeiro beijo!!!! Sim, e nƒo doeu, eu nƒo mordi a lngua de ningu‰m
eà ainda namorei o cara por 9 meses. E a come‡aram a falar que o namorado
era drogadoàE eu nem liguei.