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NeurŸnio- O senhor pode explicar a sua
teoria do beijo?
S se a senhora nƒo me chamar de senhor. Ah, tß bom, vamos encurtar.
Eu acho que ‰ o seguinte: quando vocŠ quer o beijo de algu‰m e o algu‰m
nega, vocŠ fica triste e sofre. Entƒo, apostando na bondade da humanidade,
a gente passa a beijar todo mundo que pedir um beijo (se ‰ que algu‰m
vai pedir), esperando que no futuro ningu‰m mais recuse o beijo da gente.
Simples!
02 NeurŸnio- Mas o senhor acredita que qualquer pessoa mesmo merece
um beijo, at‰ um passante?
Merece, merece. Mesmo um(a) mendigo(a), como jß ensinou o sßbio
Nelson Rodrigues em "Beijo no Asfalto". Porque, pense assim, se esse
algu‰m gosta tanto de vocŠ a ponto de querer lhe dar um beijo, muito
do mal esse algu‰m nƒo deve ser, n‰?
02 NeurŸnio- O senhor jß passou por alguma situa‡€o horrvel por
causa dessa teoria?
A senhora continua me chamando de senhor. Jß passei, mas prefiro
nƒo comentar muito. Digamos apenas que os Frankensteins tamb‰m gostam
de beijo...
02 NeurŸnio- O senhor acredita que o mundo poderia melhorar se todos
aplicassem a sua teoria?
Ah, melhorava um pouquinho, n‰? No mnimo as pessoas ficariam um tiquinho
menos carentes. VocŠ beija e o(a) fulano(a) sai de lß todo(a) feliz,
se sentindo o(a) fodƒo(ona). Amanhƒ o(a) fodƒo(ona) pode ser vocŠ.
02 NeurŸnio - O senhor disse recentemente em uma conversa que a
gente jß recebe muito nƒo na vida. Poderia explicar melhor?
Ora, quem nunca teve um beijo recusado que atire a primeira lßgrima,
nƒo ‰ mesmo? Mas ‰ que esse monte de nƒos vem desde antes: "nƒo fa‡a
xixi no chƒo", "nƒo fale palavrƒo", "nƒo jogue pedra na vidra‡a da vizinha",
"nƒo bata punheta", "nƒo coma todo mundo", "nƒo dŠ pra todo mundo",
"nƒo namore", "nƒo case", "case" (‰ uma forma de nƒo, n‰?), "nƒo tenha
filhos", "nƒo se separe", "nƒo volte", "nƒo me interesso por vocŠ",
blablablß... Muitas vezes falam tudo isso s de mentira, mas ‰ tipo
assim.
02 NeurŸnio - A sua vida melhorou depois que a sua teoria come‡ou
a ser aplicada?
Ah, isso melhorou. Aconteceu de pessoas improvßveis aceitarem propostas
que at‰ foram feitas sem tanta esperan‡a assim... Elas nem conheciam
a minha teoria do beijo, mas deve rolar uma energia no ar, n‰?
02 NeurŸnio - Estamos em d”vida. Se algu‰m nos der um beijo, como
vamos saber se foi um beijo de "solidariedade" ou um beijo com algum
amor?
Ora, ora, ora, nƒo seja assim tƒo cr‰dula. Um primeiro beijo nunca,
jamais, em tempo algum pode ser um beijo de amor. Dizem que o primeiro
beijo pode at‰ causar esse amor, mas o amor vir antes do beijo s na
adolescŠncia, n‰? E, fique isso bem claro, a teoria do beijo s vale
para o primeiro beijo. Pois ningu‰m vai querer que eu beije duas vezes
um tribufu de bigode, ora pois!
02 NeurŸnio- A teoria do beijo se estende a fazer sexo?
Todo mundo tem que dar para todo mundo?
Assim como nƒo se estende ao segundo beijo (s se a gente quiser),
acho que nƒo deve se estender ao sexo tamb‰m. Ou melhor, s se a gente
quiser. Mas... Ğ claro que quando a gente quer fazer sexo com algu‰m
esse algu‰m deveria obrigatoriamente nos querer tamb‰m... Ah, mas a
jß ‰ acreditar demais na bondade (ou na maldade) do ser humano... Ai
ai ai, se eu pudesse trabalhar no Poder Legislativo do C‰u...
02 NeurŸnio- Se o ACM pedisse um beijo para o senhor... o senhor
daria?
Daria, ‰ claro, senƒo eu estaria jogando por terra toda a minha
teoria. Mas, veja, a teoria nƒo diz nada sobre o momento seguinte ao
segundo beijo. Eu poderia beijar aquela boca nojenta e logo em seguida
a) vomitar no barrigƒo dele; b) puxar o bigodƒo xexelento; e c) dar
uma moqueca (nƒo € baiana, ‰ claro) naquela cara de ditador que perdeu
o rumo. Mas beijava, porque a o mundo ia ser bem mais bonito.