Por vezes simpßtica, por outras safadas, tmida ou devoradora,
simples ou extica, Betty tanto alternava a imagem de "garota do lado",
como a de sadomasoquista, sexy e vamp... Veio como uma novidade nunca
vista no mundo das modelos. Sem figurinos nem produ‡ƒo, ela ‰ responsßvel
por uma das fotos mais incrveis jß publicada em revistas - em in”meras
capas.
Quando
se mudou para Sƒo Francisco, em 43, rec‰m-casada com Billy Neal, conseguiu
um emprego numa loja de casacos de pele, onde desfilava para os clientes.
No ano seguinte, saiu de rolŠ por Miami, chegando ao Haiti, onde morou
at‰ 47, quando voltou aos EUA. Jß separada de Billy, mudou-se para Nova
Iorque , onde tudo come‡ou...
Na cidade, encontrou Jerry Tipps, um policial interessado em fotografia,
que a clicou para um catßlago s de pin-ups. Ele a apresentou a outros
fotgrafos, inclusive a Cascarr, que produziu o primeiro outdoor de
Betty, como uma gostosa ratinha de praia. Em 53, ela jß havia feito
apari‡es na TV, esteve no tradicional "Jerry Gleasond Show" e atuou
em algumas pe‡as off-Broadway.
Dentro
de alguns meses, jß estava modelando com tudo para as revistas Wink,
Eyefull, Titter e Beauty Parade, e suas fotos foram publicadas nas revistas
de Robert Harrison. Em 55, ganhou o "Miss Pin up of the world", sua
escada para as pßginas centrais da Playboy de janeiro, anunciada como
"a garota de formas perfeitas". Como muitas de suas fotos, esta foi
estampada em capas de discos, cartas de baralho, bottons e onde mais
fosse possvel. Haviam vßrios outdoors de suas poses espalhados pela
costa - sempre vestida com rom‚nticos biqunis.
Logo em 57, no auge da popularidade, Bettie partiu para a Flrida em
busca de sossego. Casou-se por lß em 58, tentou outros empregos e viajou
novamente pelos EUA. Depois deste divrcio, tentou mais um casamento
frustrado, na tentativa de suprir a carŠncia por ter vivido a inf‚ncia
em um orfanato.
Ela
era a segunda filha de 6 irmƒos e, quando os pais se divorciaram, foi
difcil para a mƒe mantŠ-la, tendo que trabalhar de dia como cabeleireira
e de noite, como lavadeira. Edna levou Bettie, entƒo com 10 anos, com
uma irmƒ, para uma institui‡ƒo. Na adolescŠncia, elas costumavam ficar
horas imitando maquiagens e penteados das estrelas. Nesta fase, aprendeu
a costurar, o que foi muito ”til para que ela pudesse, mais tarde, fabricar
as prprias roupas. Foi uma boa aluna na high school e membro do clube
de teatro da escola. No anußrio de formatura, foi votada como a mais
promissora dos estudantes.
Durante os anos 50 e 60, sua imagem sempre ressurgia como um cone de
moda, principalmente nos meios sadomasoquistas, que babam pela musa.
O alemƒo Erik Kroll, foi o idealizador da maioria de suas fotos com
temas ligados a uma sexualidade "proibida", inclusive das infindßveis
s‰ries l‰sbicas e de submissƒo. Intrigada com seu afastamento, a mdia
propŸs uma campanha em busca de miss Page. No fim de 60, virou personagem
de HQ e inspirou artistas contempor‚neos - Olivia, Robert Blue ou David
Stevens, que a desenhou como um dos principais personagens de "Rock
Tear".
Dois
escritores conseguiram que ela concordasse em falar sobre seu passado,
publicando sua biografia autorizada "Bettie Page - Life of the Pin up
legend", ilustrada com as mais famosas poses e parte de um acervo particular.
Impediu fotos mais recentes para preservar o anonimato. Tudo o que Bettie
queria ‰ que se contentassem com o que ela jß havia feito, pois sua
vida tinha tomado um outro rumo, com a discri‡ƒo que merecem as mulheres
normais.
Tentava proteger a famlia do ass‰dio que sofrera, al‰m das acusa‡es,
por parte do Senado americano, de ser uma porngrafa. O sucesso que
buscou durante a vida, chegou em uma enorme propor‡ƒo, grande at‰ mesmo
para o desinibido "anjo negro", que povoa desde entƒo a imagina‡ƒo dos
que nƒo resistiram € sua est‰tica perfeita e postura arrojada. Estß,
atualmente, com 60 anos e continua mantendo-se um cone moderno, smbolo
de uma beleza e feminilidade que transcende os padres mortais.