Tipo:
1- O Drops Latino, que era de sabor anis. No comeo, era vendido "exclusivamente
nas bombonieres de cinema". E o sensacional bombom com conhaque, umas
bolinhas de chocolate incrveis que a gente comia e pensava que estava
bbada!
2- O lanterninha. (J repararam que cinema no tem mais lanterninha?!
Hoje em dia, se adolescentes vo ao cinema para fazer baguna.... eles
fazem! Uma injustia, pois ns, adultos que fomos reprimidos na adolescncia,
temos que aturar!).
3 -A emoo da primeira vez que voc entrou num filme de 14! Hoje em
dia, com um responsvel, t tudo liberado. No tem mais aquela tenso
e nem o sentimento de vitria!
4 -Curtas-metragens sobre artesos obscuros de cidades obscuras. Tipo
Seu Romualdo que fabrica anjos de papier mach em Jorgenpolis. Ou Maria
Anita que faz colar com coquinho no Quinto dos Infernos. Aos 89 anos.
5 -E os tarados de cinema. Bom, os tarados do cinema ficam numa interseo
entre o curta-metragem (memria ruim) e o drops Latino (memria boa).
Claro, porque ao mesmo tempo que era terrvel encontrar um, no deixava
de ser emocionante. Afinal, aos 12 anos, ver um pau - ou mesmo o vulto
de um pau - no era uma coisa to corriqueira. (T, tudo bem. Em pocas
de marasmo isso pode ocorrer em idade adulta!). Enfim, os tarados de
cinema merecem o nosso respeito pois, de uma certa forma, fizeram parte
da nossa educao sexual!
Mas as criaturas do buraco negro cinfilo ressurgem do alm de vez em
quando. No, o bombom "Cognac" no foi relanado. que, outro dia,
fui num cinema decadente de Copacabana com um grupo de amigas. Tinha
cheiro de mofo, mas no tinha fila. E l estava l ele, o tarado! Ele
tinha sobrevivido ao videocassete! E eu que pensava que eles estavam
extintos! O tarado de cinema clssico no espanca o macaco apenas num
filme pornogrfico. Isso muito bvio, at o seu namorado pode fazer!
O tarado de cinema profissional pode se deliciar num musical da Disney.
Pode sentir prazer naquela cena da morte do pai em "O Rei Leo". E
isso que faz dele um sujeito to especial. Sua capacidade de abstrao
de dar inveja! No caso, o filme que assistamos era sobre um cara
que tentava salvar a irm de uma avalanche no meio de uma escalada na
neve no Tibet. Era ruim, sem sexo e todos os atores vestiam roupa, muita
roupa. Golas ruls imensas, tocas, casacos e luvas. O filme ainda tinha
requintes como pessoas congeladas e ps com gangrena. Tudo bem que o
Chris O'Donnel uma gracinha. Mas, Jesus, Maria, Jos! Haja imaginao!
E l estvamos ns, a sete cadeiras do tarado, que animadamente se divertia
com o drama da nevasca. E enquanto ele fazia movimentos suspeitos, ns
tentvamos ignorar. O problema de s freqentar Multiplex e cinemas
"de arte" que voc perde o elo com o mundo bizarro dos pulgueiros.
E no sabe mais como se comportar em situaes como essas. Bom, nossa
ttica de "fingir que nem estvamos reparando, pois o roteiro complexo
estava exigindo nossa ateno" funcionou. Ele at dormiu e pudemos assistir
o filme ruim em paz. Acho que se eu tivesse doze anos, ainda sairia
correndo. Mas os tempos so outros. Ser que o prximo passo ser eu
me transformar numa velhinha que d bolsadas. Oh, no!