Recife, 06/07/97

Família (Índice)

CIRURGIA PLÁSTICA
Nova técnica para plástica no pescoço

por LUCIANA FRÓES
Da Agência Globo

As antigas plásticas feitas no rosto costumavam apresentar uma certa desarmonia entre a face propriamente dita - sempre bem esticada - e o pescoço que, na maioria das vezes, permanecia enrugado e com acúmulo de gordurinhas, as temidas "papadinhas". Essa diferença era geralmente agravada pela própria tração da pele do rosto na cirurgia.

O que as novas técnicas de cirurgia plástica procuram fazer hoje é reposicionar as peles flácidas e as rugas de forma natural. Ou seja, a pessoa sai da cirurgia com um aspecto jovial, com a face em perfeita harmonia com o pescoço.

Antes apenas se repuxava a pele, o que acabava dando um aspecto artificial ao rosto. Deslocava-se o tecido e esticava-se até onde era possível chegar. "Hoje, essa técnica é condenável. Além do ar artificial ao rosto, a pele não é capaz de sustentar o esticamento e acaba cedendo", diz o cirurgião plástico Marcelo Daher, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e Chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro.

ESTRUTURA DO PESCOÇO - No caso das cirurgias reparadoras do pescoço, a plástica é feita na estrutura profunda do pescoço. Só depois de o pescoço ser trabalhado por baixo da pele, é feito o reposicionamento desta. "Esticar puramente a pele do pescoço é como arrumar uma cama esticando apenas a colcha de cima, sem arrumar os lençóis por debaixo", exemplifica Daher.

Para começar, fazem-se duas pequenas incisões próximas da orelha, rodeando-as em direção ao cabelo, por onde o corte corre cerca de dois centímetros. Desloca-se a camada da pele e aí chega-se a uma área do pescoço chamada platisma ou cuticular, que é usada para mastigar e fazer expressões. Com o passar dos anos, o platisma perde a elasticidade e acaba formando aquelas feias bandas chamadas pejorativamente de "pescoço de peru".

É justamente nas bandas platimais que é feita a plástica, com incisão e sutura bem ao centro. Depois, é a hora do desengorduramento da área, especialmente para as pessoas que têm queixo duplo, papadas ou pescoço gordo. O desengorduramento é feito através da lipoaspiração, com uma pequena incisão abaixo do queixo.

"Nem sempre é preciso fazer esse corte no queixo. Há casos em que fazemos a lipo sem o corte. Mas é importante tranqüilizar as pessoas quanto à lipoaspiração, que não apresenta qualquer risco de vida. É tão simples quanto retirar uma unha encravada. A questão é a anestesia e não a lipoaspiração", alerta o cirurgião plástico.

Depois de mexer no platisma e desengordurar o pescoço, a pele é novamente reposicionada, com um estiramento suave, compatível com a idade do paciente. "Na verdade, é a linha da mandíbula que dá a idéia de rejuvenescimento e não o estiramento da pele", explica Daher.

É a partir dos 40 anos que a pele do pescoço começa a ficar flácida, e a idade-limite é válida para mulheres e homens. Quanto mais cedo a cirurgia plástica for feita, melhores serão os resultados.


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