DIA DO TRABALHO III
PT
vai recorrer contra o novo
salário-mínimoRIO - O Partido
dos Trabalhadores (PT) anunciou,
ontem, vai recorrer ao Supremo
Tribunal Federal (STF) contra o
valor do salário mínimo, que
considera inconstitucional. A
ação será baseada no fato de
que o novo valor do salário
mínimo foi estabelecido através
de medida provisória. A ação
será impetrada na próxima
segunda-feira.
Já o ministro
do Trabalho, Edward Amadeo, disse
que não há nenhuma
possibilidade de o salário
mínimo, que passou para R$
130,00, sofrer novo reajuste
antes dos próximos 12 meses.
"O salário é este",
declarou, dizendo que, se para o
setor privado o valor é muito
baixo, para o público "é
muito alto". "Há
restrições fiscais, como o
impacto sobre a Previdência e
sobre Estados e municípios que
impedem a elevação do
mínimo", comentou.
Pela manhã,
durante solenidade de
inauguração da primeira
agência da Rede do Trabalho, uma
iniciativa da Prefeitura, Amadeo
disse que "é preciso ser
otimista" com relação ao
problema do desemprego. "Se
formos fatalistas, pensaremos no
desemprego como algo que está
entre nós para sempre",
afirmou. "Se formos ativos
veremos nisso uma transição
para algo melhor". O
ministro considerou sazonal o
crescimento da taxa de desemprego
em março e comentou que a
tendência é de que a taxa caia
nos próximos meses. No
seminário, ao ser homenageado
com um "Parabéns para
você", o ministro, que
completou 42 anos hoje, disse ter
ficado emocionado. "Eu
andava mais preocupado e
cabisbaixo do que antes de ir
para o governo e homenagens como
esta me fazem voltar a ficar
alegre", comentou.
Ele afirmou
hoje que já existem alguns
sinais de que deve haver
reversão no nível de
desemprego. O primeiro foi o
crescimento, apontado pelo
Departamento Intersindical de
Estudos Estatísticos Sociais e
Econômicos (Dieese), do emprego
na indústria em São Paulo pela
primeira vez nos últimos meses.
O segundo, foi o acréscimo, em
março, de 280 mil vagas em todo
o País. Segundo Amadeo, a taxa
de desemprego, divulgada
quarta-feira pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) só atingiu
8,18% em março (o maior índice
desde 1984) porque, apesar da
maior oferta de vagas, o número
de pessoas entrando no mercado de
trabalho foi ainda mais elevado.
"É
preciso acompanhar com cuidado
esses dados e é fundamental
focalizar o desemprego",
disse Amadeo, depois de
participar de um seminário sobre
qualificação profissional hoje.
Segundo ele, há uma
concentração maior de
desemprego entre os jovens e nos
chamados "membros
secundários" da família,
ou seja, das pessoas que
complementam o orçamento do
chefe da família. "São
Paulo, do ponto de vista
regional, é a área mais
crítica", acentuou o
ministro. Ele afirmou, também,
que os esforços do governo e
mesmo da iniciativa privada têm
de se concentrar na
requalificação dos
trabalhadores, na educação
básica e em programas de
agenciamento que coloquem os
trabalhadores em contato com as
empresas.
Segundo Amadeo,
o desemprego que se verifica hoje
no Brasil está muito associado
à entrada de novas teconologias,
a uma transição de mercado, com
as empresas buscando maior
competitividade. Com isso, a
quantidade de pessoas excluídas
do mercado de trabalho pode não
retroceder mesmo depois de
normalizada a situação
macroeconômica, com a redução
da taxa de juros. "Quando se
pensa que o desemprego de longa
duração está aumentando, é
preciso que se tenha ações
específicas na direção de
qualificar o trabalhador",
afirmou.