- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 02 de maio de 1998

DIA DO TRABALHO III
PT vai recorrer contra o novo salário-mínimo

RIO - O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou, ontem, vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o valor do salário mínimo, que considera inconstitucional. A ação será baseada no fato de que o novo valor do salário mínimo foi estabelecido através de medida provisória. A ação será impetrada na próxima segunda-feira.

Já o ministro do Trabalho, Edward Amadeo, disse que não há nenhuma possibilidade de o salário mínimo, que passou para R$ 130,00, sofrer novo reajuste antes dos próximos 12 meses. "O salário é este", declarou, dizendo que, se para o setor privado o valor é muito baixo, para o público "é muito alto". "Há restrições fiscais, como o impacto sobre a Previdência e sobre Estados e municípios que impedem a elevação do mínimo", comentou.

Pela manhã, durante solenidade de inauguração da primeira agência da Rede do Trabalho, uma iniciativa da Prefeitura, Amadeo disse que "é preciso ser otimista" com relação ao problema do desemprego. "Se formos fatalistas, pensaremos no desemprego como algo que está entre nós para sempre", afirmou. "Se formos ativos veremos nisso uma transição para algo melhor". O ministro considerou sazonal o crescimento da taxa de desemprego em março e comentou que a tendência é de que a taxa caia nos próximos meses. No seminário, ao ser homenageado com um "Parabéns para você", o ministro, que completou 42 anos hoje, disse ter ficado emocionado. "Eu andava mais preocupado e cabisbaixo do que antes de ir para o governo e homenagens como esta me fazem voltar a ficar alegre", comentou.

Ele afirmou hoje que já existem alguns sinais de que deve haver reversão no nível de desemprego. O primeiro foi o crescimento, apontado pelo Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos Sociais e Econômicos (Dieese), do emprego na indústria em São Paulo pela primeira vez nos últimos meses. O segundo, foi o acréscimo, em março, de 280 mil vagas em todo o País. Segundo Amadeo, a taxa de desemprego, divulgada quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) só atingiu 8,18% em março (o maior índice desde 1984) porque, apesar da maior oferta de vagas, o número de pessoas entrando no mercado de trabalho foi ainda mais elevado.

"É preciso acompanhar com cuidado esses dados e é fundamental focalizar o desemprego", disse Amadeo, depois de participar de um seminário sobre qualificação profissional hoje. Segundo ele, há uma concentração maior de desemprego entre os jovens e nos chamados "membros secundários" da família, ou seja, das pessoas que complementam o orçamento do chefe da família. "São Paulo, do ponto de vista regional, é a área mais crítica", acentuou o ministro. Ele afirmou, também, que os esforços do governo e mesmo da iniciativa privada têm de se concentrar na requalificação dos trabalhadores, na educação básica e em programas de agenciamento que coloquem os trabalhadores em contato com as empresas.

Segundo Amadeo, o desemprego que se verifica hoje no Brasil está muito associado à entrada de novas teconologias, a uma transição de mercado, com as empresas buscando maior competitividade. Com isso, a quantidade de pessoas excluídas do mercado de trabalho pode não retroceder mesmo depois de normalizada a situação macroeconômica, com a redução da taxa de juros. "Quando se pensa que o desemprego de longa duração está aumentando, é preciso que se tenha ações específicas na direção de qualificar o trabalhador", afirmou.




   

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