DIA DO TRABALHO IV
Missa
campal vira protesto contra fome
e desempregoBELO HORIZONTE -
A missa campal realizada
tradicionalmente no dia 1"
de maio na Praça da Cemig, zona
oeste de Belo Horizonte,
transformou-se hoje de manhã em
um grande protesto contra o
desemprego e a fome no País.
Cerca de mil pessoas, muitas
delas com faixas e cartazes,
participaram da missa, organizada
pela CNBB, centrais sindicais e
MST, entre outras entidades. O
padre Carlos Pinto, celebrante do
culto com outros 20 colegas da
paróquia de Nossa Senhora
Aparecida, defendeu os saques a
supermercados "por pessoas
que não têm o que comer".
"Se há
comida, temos de ir buscá-la; se
existe comida armazenada, ela tem
de ser dividida, porque a maior
violência que alguém pode
sofrer é a fome", disse o
religioso. O dirigente do MST
(MST) em Minas, ®nio
Bonenberger, reafirmou a
disposição da entidade de
apoiar os saques como única
forma de combater a miséria,
sobretudo no sertão nordestino.
``Nenhum brasileiro poderá
passar fome e se é preciso fazer
saques, vamos fazer'',
ressaltou.«MDFL»L
O prefeito de
Belo Horizonte, Célio de Castro
(PSB), enfatizou os altos
índices de desemprego. Em
março, na região metropolitana
da capital, 285 mil pessoas, ou
15,5% da População
Economicamente Ativa, estavam sem
trabalho, segundo pesquisa
divulgada esta semana pela
Fundação João Pinheiro e pelo
Dieese. ``Os trabalhadores não
têm o que comemorar neste dia'',
afirmou Castro.
À tarde,
integrantes da Central Ànica dos
Trabalhadores em Minas (CUT-MG)
distribuiram, na Praça 7,
região central de Belo
Horizonte, centenas de exemplares
de uma cartilha sobre desemprego.
Também iniciaram o
``cadastramento dos
desempregados''. Segundo o
diretor da entidade, Gilson Reis,
o levantamento será feito em
todo o País. No início da
noite, a CUT encerraria as
comemorações pelo Dia do
Trabalho com um grande ato
público na frente da Pefeitura
de Belo Horizonte, com a
participação prevista de cinco
mil pessoas.