ESTIAGEM
FHC
cria comissão para acabar com
secaRIO - O
presidente Fernando Henrique
Cardoso autorizou a criação de
uma comissão interministerial
para resolver o problema da seca
na região Nordeste. A comissão
será formada pelos ministérios
do Planejamento e do Meio
Ambiente, Sudene
(Superintendência de
Desenvolvimento do Nordeste) e
pela Defesa Civil do Nordeste. O
presidente designou o ministro da
Reforma Agrária, Raul Jungmann,
para ser o articulador desta
comissão.
O objetivo é
analisar as propostas da
Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Agricultura
(Contag) para o combate à seca.
Algumas propostas são
consideradas de caráter
imediato, como aquelas que visam
atender às necessidades básicas
de água e alimento das
comunidades atingidas.
SAQUES -
Juízes e advogados afirmam que
os saques realizados no Nordeste
podem ser enquadrados na
situação de furto famélico, em
estado de necessidade, prevista
no Código Penal. "A
situação no Nordeste está feia
e isso (o saque) pode se
justificar em casos extremos,
quando um grupo de pessoas pega
os alimentos para comer. E isso
não é crime", diz o juiz
criminalista de São Paulo Dirceu
Aguiar Dias Cintra Júnior,
presidente da Associação de
Juízes para a Democracia.
De acordo com
Cintra Júnior, o caso dos saques
expõe o conflito entre o direito
à vida e o direito à
propriedade dos alimentos.
"E é lógico pensar que o
direito à vida se sobrepõe ao
de propriedade", diz o juiz.
Os juízes e advogados ouvidos
ressaltaram, porém, que deve
haver critérios na definição
do estado de necessidade e nos
limites do saque.
Para o advogado
Jairo Fonseca, se os saqueadores
entram em um supermercado, pegam
arroz e aproveitam para levar
mais alguma coisa supérflua, já
não se enquadram nessa
circunstância. "Um
professor meu na faculdade
costumava dizer que o furto
famélico ocorre quando o sujeito
furta um pão sem manteiga. Com
manteiga ele já dizia que não
é", diz o criminalista
Arnaldo Malheiros Filho.
O juiz da
Seção de Direito Privado do
Tribunal de Justiça de São
Paulo Antonio Celso Aguilar
Cortez, diz não admitir que o
governo mantenha estoques para
regular o preço dos alimentos
enquanto a população passa
fome, e defende a distribuição
destes produtos.