CONFERÊNCIA
Bispos
nordestinos vão à Sudene cobrar
providências contra secaINDAIATUBA (SP) -
Uma comissão formada por cinco
bispos nordestinos se reunirá na
próxima quarta-feira, no Recife,
com o novo presidente da
Superintendência de
Desenvolvimento do Nordeste
(Sudene), Sérgio Moreira. Os
religiosos vão expressar a
preocupação da Igreja com a
situação dos flagelados da seca
e cobrar providências.
A decisão foi
anunciada ontem, no encerramento
da 36ª Assembléia Geral da
Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB), em Indaiatuba.
Durante a semana, os religiosos
chegaram a comentar que a
comissão episcopal iria a
Brasília para falar diretamente
com o presidente Fernando
Henrique Cardoso, mas depois
resolveram abordar o assunto
primeiro com o presidente da
Sudene.
"Foi uma
mudança de ordem prática e não
estratégica", explicou o
presidente da CNBB, Dom Lucas
Moreira Neves. Segundo ele, os
bispos de Paulo Afonso (BA), Dom
Mário Zaneta, e de Caruaru, Dom
Antonio Soares Costa, já estão
definidos para integrar a
comissão. O bispo de João
Pessoa (PB), Dom Marcelo
Carvalheira, que na semana
passada deu início a uma
polêmica ao incentivar os saques
a lojas e supermercados, não
fará parte do grupo.
"Queremos
saber se a Sudene tem algum
projeto para resolver a seca no
Nordeste de maneira
definitiva", disse o
presidente da CNBB. Dom Lucas
disse que também pretende
conversar com o presidente
Fernando Henrique Cardoso, no
final deste mês, quando
ocorrerá em Brasília a reunião
mensal da presidência da CNBB
com a Comissão Episcopal
Pastoral.
O presidente da
CNBB disse que, durante a
Assembléia em Indaiatuba,
conversou por telefone com o
vice-presidente Marco Maciel.
"Pedi que ele levasse ao
presidente nossa preocupação
com os flagelados", disse. O
vice-presidente respondeu que o
governo está empenhadíssimo em
enfrentar a seca no Nordeste.
Num documento
intitulado "Um Clamor nos
Vem do Nordeste", divulgado
ontem, os bispos fazem um apelo
para que o governo e a iniciativa
ofereçam, além das medidas
emergenciais, projetos concretos,
de efeitos permanentes, para
superar a seca. No texto, os
religiosos também denunciam a
indústria da seca e a
corrupção eleitoral, como
fatores que impedem a solução
do problema.
Em outro
documento, intitulado "Para
Uma Efetiva Reforma
Agrária", também divulgado
ontem, os bispos afirmam que
"a Reforma Agrária é o
caminho para a paz social no
campo e nas grandes cidades
atormentadas pelo
desemprego". A CNBB também
cobra do governo uma
"eficiente política
agrícola, com legislação
tributária adequada à
propriedade rural, e mecanismos
de apoio à propriedade
familiar".