VIGÍLIA
Sem-terra
querem libertar líderCAMPO GRANDE - O
clima está ficando tenso em
Naviraí, extremo-sul do Mato
Grosso do Sul, onde há dois dias
quase dois mil sem-terra estão
concentrados em frente à
Delegacia de Polícia Civil,
exigindo a libertação do líder
Antônio Alves de Lima, o Toninho
Borborema. Ele foi preso na noite
da última quarta-feira, acusado
de ter liderado um ataque dos
sem-terra contra policiais
militares no mês de março do
ano passado, durante a invasão
da Fazenda Jatobá, em
Itaquiraí, vizinho de Naviraí.
Ontem, os
manifestantes fizeram um ato
público, prometendo ações mais
radicais, caso Borborema não
seja libertado até hoje, mas
não anteciparam quais seriam.
Eles se concentraram em frente ao
prédio da delegacia, gritando
frases de efeito e exibindo
centenas de foices, entre outras
ferramentas agrícolas.
RURALISTAS -
O presidente do Sindicato e da
Associação Nacional dos
Produtores Rurais, o gaúcho
Narciso Clara, anunciou ontem, em
Marabá, que desistiu de montar
uma milícia armada de
fazendeiros para desocupar a
fazenda Goiás Dois, em
Parauapebas, no sul do Pará. A
fazenda foi invadida de novo por
200 sem-terra após a morte, no
dia 26 de março passado, dos
líderes do MST Onalício
Araújo, o Fusquinha, e Valentim
Serra, o Doutor.
Clara disse que
mudou de idéia ao saber que o
MST estava com armamento pesado e
pronto para o confronto.
Afirmando não temer os líderes
do MST, mandou um recado para a
direção do movimento: "O
MST deve pensar dez vezes antes
de invadir uma fazenda, porque se
ele tem a invasão como arma,
nós temos a reação". O
coordenador do MST em Marabá,
Gladson Barbosa, afirmou que as
declarações de Clara não
surpreendem, porque a política
que ele quer adotar os
fazendeiros já a utilizam há
pelo menos dez anos.