- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 02 de maio de 1998

CARDIOLOGIA
Médicos vêem no fumo um dos maiores inimigos do coração

por VERONICA ALMEIDA
Enviada especial

RIO DE JANEIRO - O mau hábito alimentar e o estresse do brasileiro, condenados pelo médico da Casa Branca, Dean Ornish, têm um forte aliado: o consumo de cigarros. O tema foi um dos destaques do 13º Congresso Mundial de Cardiologia, encerrado na última quarta-feira. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o fumo é a mais devastadora causa evitável de doenças e mortes prematuras da história.

Por isso, a SBC acaba de criar uma Coordenação Temática sobre Tabagismo, um grupo que tem a missão de sensibilizar cardiologistas sobre o importante problema de saúde pública e alertar sobre os males que o cigarro provoca, favorecendo as doenças cardiovasculares.

Segundo a entidade, o cigarro mata precocemente, a cada ano, cerca de 80 mil brasileiros, dez em cada hora. Cerca de 251 das mortes por doença coronárias e cérebro-vascular estão associadas ao fumo. O tabagismo causa mais mortes prematuras no mundo do que a soma de mortes provocadas por aids, cocaína, álcool, acidentes de trânsito, incêndio e suicídios. Além das doenças cardiovasculares, contribui para 30% das mortes por câncer 90% das causadas por câncer de pulmão.

Um dos participantes do Congresso, o pesquisador da Universidade de Londres e candidato ao Prêmio Nobel de Medicina, Salvador Moncada, revelou que o fumo aumenta a produção de radicais de oxigênio que destroem o óxido nítrico, uma das substância que protege o endotélio.

O endotélio e uma espécie de tapete dos vasos sanguíneos responsável pala liberação de substância que equilibra a dilatação e constrição da artéria; funcionando, também, como a principal barreira entre os elementos que circulam no sangue e as paredes do vaso.

"O fumo, a obesidade e fatores genéticos contribuem para danos ao endotélio", explica Moncada. Ele é candidato ao Prêmio Nobel por ter dedicado 20 anos de pesquisa ao endotélio, descobrindo as substância que são, ao mesmo tempo, vasodilatadoras e antiinflamatórias. O óxido nítrico é uma delas. Essa informação pode favorecer, no futuro, a produção de remédios que possam repor a substância perdida, evitando enfartes e acidentes vasculares.


     

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