CARDIOLOGIA
Médicos
vêem no fumo um dos maiores
inimigos do coraçãopor VERONICA ALMEIDA
Enviada especial
RIO DE
JANEIRO - O mau hábito
alimentar e o estresse do
brasileiro, condenados pelo
médico da Casa Branca, Dean
Ornish, têm um forte aliado: o
consumo de cigarros. O tema foi
um dos destaques do 13º
Congresso Mundial de Cardiologia,
encerrado na última
quarta-feira. Segundo a Sociedade
Brasileira de Cardiologia (SBC),
o fumo é a mais devastadora
causa evitável de doenças e
mortes prematuras da história.
Por isso, a SBC
acaba de criar uma Coordenação
Temática sobre Tabagismo, um
grupo que tem a missão de
sensibilizar cardiologistas sobre
o importante problema de saúde
pública e alertar sobre os males
que o cigarro provoca,
favorecendo as doenças
cardiovasculares.
Segundo a
entidade, o cigarro mata
precocemente, a cada ano, cerca
de 80 mil brasileiros, dez em
cada hora. Cerca de 251 das
mortes por doença coronárias e
cérebro-vascular estão
associadas ao fumo. O tabagismo
causa mais mortes prematuras no
mundo do que a soma de mortes
provocadas por aids, cocaína,
álcool, acidentes de trânsito,
incêndio e suicídios. Além das
doenças cardiovasculares,
contribui para 30% das mortes por
câncer 90% das causadas por
câncer de pulmão.
Um dos
participantes do Congresso, o
pesquisador da Universidade de
Londres e candidato ao Prêmio
Nobel de Medicina, Salvador
Moncada, revelou que o fumo
aumenta a produção de radicais
de oxigênio que destroem o
óxido nítrico, uma das
substância que protege o
endotélio.
O endotélio e
uma espécie de tapete dos vasos
sanguíneos responsável pala
liberação de substância que
equilibra a dilatação e
constrição da artéria;
funcionando, também, como a
principal barreira entre os
elementos que circulam no sangue
e as paredes do vaso.
"O fumo, a
obesidade e fatores genéticos
contribuem para danos ao
endotélio", explica
Moncada. Ele é candidato ao
Prêmio Nobel por ter dedicado 20
anos de pesquisa ao endotélio,
descobrindo as substância que
são, ao mesmo tempo,
vasodilatadoras e
antiinflamatórias. O óxido
nítrico é uma delas. Essa
informação pode favorecer, no
futuro, a produção de remédios
que possam repor a substância
perdida, evitando enfartes e
acidentes vasculares.