- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 02 de maio de 1998

DENÚNCIA
Fumacê mata abelhas e preocupa os apicultores

O fumacê, inseticida usado no combate ao mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, também está matando as abelhas do Grande Recife. O meliponicultor Renato Barbosa, que mantém colméias artificiais no quintal de sua residência, no bairro do Hipódromo, chegou a perder toda a sua criação numa única aplicação do veneno.

Ele alerta, ainda, para o equilíbrio do ecossistema urbano, já que o fumacê mata todos os insetos da área de atuação. Barbosa chegou a ter mais de 50 colméias em sua casa. Com medo do inseticida, ele está transferindo as caixas de madeira com as abelhas para casas de amigos, em Igarassu e Paulista.

Por conta da diminuição dos espaços verdes, explica Renato Barbosa, as abelhas nativas, chamadas de meliponídeas, correm o risco de entrar em processo de extinção. Poucos criadores se interessam pela criação de meliponídeas, pois as colméias têm baixa produção de mel, se comparadas às abelhas introduzidas no país, conhecidas como ápices.

Para Barbosa, a criação de meliponídeas tem o objetivo de preservar algumas espécies no espaço urbano, garantindo também a polinização de plantas nativas. Abelha-uruçu (Melipona acutellaris) e jandaíra (Melipona subnitida) são algumas das abelhas brasileiras que ainda estão sendo mantidas pelo meliponicultor.

A aplicação do fumacê é tida como última medida para conter a epidemia de dengue, segundo o diretor de Operações da Fundação Nacional de Saúde, José Lacerda, depois do controle dos focos de reprodução. A escolha dos bairros para sua aplicação ocorre de acordo com os registros de ocorrência da dengue na localidade.

A alternativa para proteger as criações de abelhas é remover as colméias antes da pulverização. De acordo com José Lacerda, informações sobre os dias em que o fumacê será aplicado nos bairros podem ser obtidas em um dos seis distritos sanitários do Recife.

A Associação Pernambucana de Apicultores e Meliponicultores (Apime) coloca à disposição seus dois meliponários, no Parque Dois Irmãos e no Jardim Botânico, para quem desejar transferir, temporariamente, sua a criação de abelhas. Os telefones são 268.5707 e 251.2607, respectivamente.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes