DENÚNCIA
Fumacê
mata abelhas e preocupa os
apicultoresO fumacê, inseticida
usado no combate ao mosquito
transmissor da dengue, o Aedes
aegypti, também está matando as
abelhas do Grande Recife. O
meliponicultor Renato Barbosa,
que mantém colméias artificiais
no quintal de sua residência, no
bairro do Hipódromo, chegou a
perder toda a sua criação numa
única aplicação do veneno.
Ele alerta,
ainda, para o equilíbrio do
ecossistema urbano, já que o
fumacê mata todos os insetos da
área de atuação. Barbosa
chegou a ter mais de 50 colméias
em sua casa. Com medo do
inseticida, ele está
transferindo as caixas de madeira
com as abelhas para casas de
amigos, em Igarassu e Paulista.
Por conta da
diminuição dos espaços verdes,
explica Renato Barbosa, as
abelhas nativas, chamadas de
meliponídeas, correm o risco de
entrar em processo de extinção.
Poucos criadores se interessam
pela criação de meliponídeas,
pois as colméias têm baixa
produção de mel, se comparadas
às abelhas introduzidas no
país, conhecidas como ápices.
Para Barbosa, a
criação de meliponídeas tem o
objetivo de preservar algumas
espécies no espaço urbano,
garantindo também a
polinização de plantas nativas.
Abelha-uruçu (Melipona
acutellaris) e jandaíra
(Melipona subnitida) são algumas
das abelhas brasileiras que ainda
estão sendo mantidas pelo
meliponicultor.
A aplicação
do fumacê é tida como última
medida para conter a epidemia de
dengue, segundo o diretor de
Operações da Fundação
Nacional de Saúde, José
Lacerda, depois do controle dos
focos de reprodução. A escolha
dos bairros para sua aplicação
ocorre de acordo com os registros
de ocorrência da dengue na
localidade.
A alternativa
para proteger as criações de
abelhas é remover as colméias
antes da pulverização. De
acordo com José Lacerda,
informações sobre os dias em
que o fumacê será aplicado nos
bairros podem ser obtidas em um
dos seis distritos sanitários do
Recife.
A Associação
Pernambucana de Apicultores e
Meliponicultores (Apime) coloca
à disposição seus dois
meliponários, no Parque Dois
Irmãos e no Jardim Botânico,
para quem desejar transferir,
temporariamente, sua a criação
de abelhas. Os telefones são
268.5707 e 251.2607,
respectivamente.