EMPREGO
Dieese
traça perfil do trabalhador
brasileiropor LUCIANA LEÃO e
ALEX GOMES
O Dieese
(Departamento Intersindical de
Estudos Sociais e Econômicos) no
Rio de Janeiro elabora um estudo,
"Formação Profissional no
Brasil", que pretende
responder quem são os
trabalhadores brasileiros hoje e
o que fazem para conseguir ou
manter seus empregos.
O estudo aborda
ainda quais as alternativas para
sindicatos, governos e empresas
combaterem o desemprego aberto -
pessoas em busca de qualquer
ocupação. No mês de março na
Região Metropolitana do Recife,
segundo o IBGE, este segmento
atingiu a casa dos 8,76%. No
Brasil, o índice ficou em 8,18%.
As primeiras
considerações e, talvez, a
principal delas, segundo a
coordenadora do estudo, Sônia
Gonzaga, é a convivência do
"novo" e do
"velho" trabalhador nos
diversos setores da economia no
País. Situação, esta, que pode
parecer estranha, já que a
internacionalização da economia
requer profissionais mais
qualificados e especializados.
"Temos de
tudo no Brasil, diferentemente de
outros países", disse
Sônia. Segundo ela, existem
programas na área de recursos
humanos desenvolvidos pelas
empresas com características
modernas, tanto quanto
ultrapassadas. Assim como
profissionais qualificados - o
que representa em torno de 20% da
População Economicamente Ativa
(PEA) - , porém , outros , os
denominados pelo estudo de
"velhos trabalhadores"
, que correspondem a cerca de 80%
da PEA. "Isso demonstra o
quanto temos que avançar no
campo da educação
básica".
Os chamados
"velhos" são
geralmente profissionais semi-
alfabetizados, migrantes (aqueles
que se deslocam de suas cidades
origens em busca de emprego). A
maioria trabalha em setores
considerados tradicionais da
economia, como o da construção
civil. Já os considerados
"novos" se caracterizam
por apresentar uma escolaridade
em média até o 2º grau
(educação básica). Eles devem
possuir domínio de informática,
incluindo computador e programas,
além de conhecimento de uma
língua estrangeira.
Para quem está
dentro ou fora do mercado de
trabalho, essas são
"condicões sine qua
non" para o ingresso, ou
mesmo, a manutenção de seu
emprego, diz o estudo do Dieese.
"Hoje, a formação
profissional é um condicionante
para empregabilidade e a entrada
no mercado de trabalho",
disse Sônia.
Segundo o
estudo, na última década, as
empresas brasileiras passaram a
ter gestões diversificadas quase
que personalizadas na suas linhas
de produção. Um torneiro
mecânico, hoje, tem que estar
preparado para trabalhar com um
torno alfa-númerico (sistema
informatizado). Ou seja, isso
quer dizer que a produção
passou de perfil de massa -
relativo ao esforço físico -
para ser uma produção
diversificada - utilizando a
tecnologia da informação.
"Mas, se
qualificação e formação
profissional bastasse para um
desempregado ingressar no mercado
de trabalho, a questão estaria,
em parte, resolvida. No entanto,
aponta o estudo, a política de
geração de emprego no Brasil
ainda está aquém da realidade.
Calculam-se que no país existem
mais de 6,5 milhões de
brasileiros desempregados. E o
que fazer com os trabalhadores
sem ocupação?
A professora
Tereza Nunes, vice-presidente do
conseho consultivo da
Associação Brasileira de
Recursos Humanos concorda com a
necessidade de se criar
alternativas para incorporar esta
massa de trabalhadores
"velhos" à riqueza
geral que a sociedade produz.
"O grande valor de
produção está no ser humano,
seja de que nível for. Há que
se encontrar caminhos além do
avanço tecnológico e do lucro.
É preciso investir em atividades
básicas, como agricultura, e
construção civil", diz.