- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 02 de maio de 1998

EMPREGO II
Exigência do mercado é cada vez maior

As exigências para entrar no mercado de trabalho aumentam a cada dia, enquanto crescem lentamente as oportunidades de qualificação e formação profissional à disposição do trabalhador ou do desempregado. E o ensino brasileiro não atende às necessidades da educação básica para a vida em comum, quanto mais da produção, tanto de bens como de serviços.

"É preciso mobilizar todas as organizações sociais, políticas ou não, para os compromissos com a educação em geral. E alimentar a consciência de cada um para a necessidade de superar-se. A lógica do capitalismo é perversa, e há um custo humano caro no processo de globalização, que é a exclusão de pessoas", diz a consultora pós-graduada na área de desenvolvimento humano, Tereza Nunes.

Os países que há muito têm um ensino básico universal de boa qualidade, gozam de enormes vantagens do ponto de vista da competitividade. Estão aí incluídos alguns países europeus e o Japão. Outros conseguiram num curto período de tempo chegar ao mesmo patamar com resultados considerados exemplares por todo o mundo, como na Coréia do Sul.

Os Estados Unidos constituem um bom exemplo para o Brasil. Há alguns anos, esse país teve sua liderança econômica mundial ameaçada e reconhecendo a baixa qualidade de seu ensino básico, como umas das causas para essa situação, iniciou imediatamente um processo de revisão radical da escola de 1º e 2º graus.

CRIATIVIDADE - Em outra análise, a consultora de RH, da RS Consultoria em Informática, Estratégia e Humanismo, Suzana Maria Cannizzaro, avalia que não adianta apenas ter conhecimento na sua área de atuação. O candidato a uma vaga, ou mesmo, aquele que esteja trabalhando precisa "periodicamente" dar margem à criatividade. "Ele tem que ousar na busca, ser perseverante, buscar a consciência individual. Não adianta ficar reclamando dos governos. Tem que buscar o que lhe falta para uma melhor condução profissional".

Nesse sentido, o economista Tarcísio Patrício, da UFPE, sugere que a sociedade civil precisa se organizar e criar fontes alternativas de geração de ocupações que não dependam do governo federal. Ele cita as cooperativas de trabalho, as Organizações Não Governamentais (ONGs), entre outras formas. "Se órgãos ou instituições podem fomentar essa organização, que os faça. A capacidade criativa da sociedade é uma alternativa para se fazer política de emprego".


     

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