SAÚDE
II
Organismo
elimina excesso da vitaminaA maior preocupação de
quem usa vitamina C é o que
acontece com o excesso no
organismo. "De modo geral,
pode-se dizer que as vitaminas
hidrossolúveis, isto é,
vitamina C e complexo B, podem
ser ingeridas em doses altas sem
problemas, pois as quantidades
suplementares são eliminadas
pela urina. Já as vitaminas
lipossolúveis, A e D, apresentam
margem de segurança menor. Doses
mais altas de vitaminas A e D
devem ser tomadas somente sob
supervisão médica", alerta
Aurélio Saez, médico e
organizador de um guia prático
sobre vitaminas.
A tolerância
intestinal à superdosagem de
vitamina C depende de cada
pessoa. Segundo o pesquisador
Charles Butterworth, da
Universidade do Alabama, nos
Estados Unidos, altas doses de
vitamina C não causam
deposição excessiva de ferro. E
o bioquímico Alfred Ordman, do
Beloit College, em Wisconsin/EUA,
também diz que o excesso da
vitamina é elimininado pela
urina em até 12 horas.
O uso diário
de vitamina C parece aumentar a
expectativa de vida. O médico
James Enstrom, da Universidade da
Califórnia (EUA), afirma que um
homem de 35 anos que consome
alimentos ricos em vitamina C e
toma suplementos desta vitamina
diminui em dois terços suas
chances de doenças cardíacas e
vive mais 6,3 anos.
Junto ao
pesquisador Morton Klein, Enstrom
acredita que a ingestão de cerca
de 300 miligramas de vitamina C
por dia (pelo menos metade em
forma de suplementos) acrescenta
seis anos à vida do homem e dois
à da mulher.
A mesma dosagem
diária fortaleceria os pulmões,
prevenindo doenças como asma e
bronquite, segundo um estudo do
médico Joel Schwartz, da
Agência de Proteção Ambiental
dos Estados Unidos. A pesquisa
foi realizada com 9 mil adultos e
as pessoas que comeram alimentos
com 300 miligramas de vitamina C
por dia tiveram apenas 70% de
chances de ter bronquite ou asma
crônica do que as que ingeriram
cerca de 100 miligramas.
"Além disso, a vitamina C
ajuda a evitar a aderência de
leucócitos, os glóbulos brancos
do sangue, nas paredes dos vasos
sangüíneos", diz Schwartz.
O médico Saez
explica que não há diferença
entre as vitaminas naturais e as
sintéticas. E lembra que o
consumo de bebidas alcóolicas
diminui a absorção e a
utilização de vitaminas,
principalmente a C, o ácido
fólico, a B1 e a B6. "As
vitaminas sintéticas são puras
e idênticas em sua estrutura
química àquelas encontradas nos
alimentos. Para o organismo, não
faz diferença como foram
produzidas. Se o objetivo for
melhorar a absorção de ferro ou
bloquear a formação de
nitrosaminas, é melhor tomar a
vitamina C durante as
refeições".
Ele garante que
as vitaminas não engordam porque
o teor calórico é desprezível.
E acrescenta que, devido a
diferenças nas necessidades e
tolerâncias individuais às
vitaminas, não há regra
absoluta com relação à
superdosagem. A vitamina C é
necessária para a cicatrização
adequada dos ferimentos. Além
disso, impede a formação de
nitrosaminas, compostos que podem
causar câncer de estômago e de
cólon. As nitrosaminas se formam
a partir do nitrito de sódio
usado como preservativo nas
carnes defumadas.
Para evitar
efeitos nocivos da vitamina C, os
médicos recomendam a
associação do ácido ascórbico
com as vitaminas E e A
(betacaroteno), além de outros
minerais. Apesar desta
recomendação, tanto a vitamina
E quanto o betacaroteno tem prós
e contras.
A vitamina E,
por exemplo, protege o sistema
imunológico e previne doenças
cardiovasculares, mas em doses
acima de 600 UI pode elevar a
pressão arterial e retardar a
cicatrização. A vitamina E
neutraliza os radicais livres,
eliminando reações em cadeia e
evitando lesões nas estruturas
das células. Por ser solúvel em
gordura, protege os lípidios que
formam as paredes das mesmas.
Já o
betacaroteno (vitamina A),cuja
dose diária varia de 5 mil a 15
mil UI, também aumenta a
imunidade, mas a superdosagem
pode causar má-formação
congênita, se ingerida na
gravidez. Também tem a função
de eliminar os radicais livres em
excesso no organismo.
POLÊMICA
- O complemento de
ácido fólico na dieta também
gera polêmica. Estudos
publicados na revista New England
Journal of Medicine mostram que o
consumo de suplementos de ácido
fólico poderia evitar doenças
cardiovasculares. O estudo da
Universidade do Oregon revela que
o ácido fólico reduz a
concentração no sangue do
aminoácido homocisteína, cuja
taxa elevada está associada a
doenças cardiovasculares.
O Instituto
Americano de Medicina diz que o
ideal é consumir 400 a 600
microgramas por dia desta
vitamina. O ácido fólico, ou
folacina, faz parte das vitaminas
do complexo B e é encontrado em
vegetais verde-escuros, fígado
de boi e frutas cítricas. É
essencial para a síntese de
ácidos nucleicos e para o
metabolismo de aminoácidos.
Além disso, previne anemia
macrocítica, doença que causa
crescimento anormal dos glóbulos
vermelhos, e defeitos
congênitos, como a espinha
bífida.
Segundo o
bioquímico americano Sheldon
Hendler, o ácido fólico também
protege contra o câncer. "A
dosagem ideal é de 400
microgramas por dia para todas as
pessoas, incluindo gestantes. Por
outro lado, quando usado em altas
doses, pode causar defeitos
neurológicos graves. Os mais
sensíveis à deficiência de
ácido fólico são os
alcoólatras, as gestantes, os
idosos e as pessoas que fazem
dietas de baixas calorias",
informa. O bioquímico lembra que
a suplementação em caso de
anemia depende de recomendação
do médico. Portanto, não
recomenda a automedicação.