- - - -...............................................-Jornal do Commercio - Recife, 26 de abril de 1998

SAÚDE II
Organismo elimina excesso da vitamina

A maior preocupação de quem usa vitamina C é o que acontece com o excesso no organismo. "De modo geral, pode-se dizer que as vitaminas hidrossolúveis, isto é, vitamina C e complexo B, podem ser ingeridas em doses altas sem problemas, pois as quantidades suplementares são eliminadas pela urina. Já as vitaminas lipossolúveis, A e D, apresentam margem de segurança menor. Doses mais altas de vitaminas A e D devem ser tomadas somente sob supervisão médica", alerta Aurélio Saez, médico e organizador de um guia prático sobre vitaminas.

A tolerância intestinal à superdosagem de vitamina C depende de cada pessoa. Segundo o pesquisador Charles Butterworth, da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, altas doses de vitamina C não causam deposição excessiva de ferro. E o bioquímico Alfred Ordman, do Beloit College, em Wisconsin/EUA, também diz que o excesso da vitamina é elimininado pela urina em até 12 horas.

O uso diário de vitamina C parece aumentar a expectativa de vida. O médico James Enstrom, da Universidade da Califórnia (EUA), afirma que um homem de 35 anos que consome alimentos ricos em vitamina C e toma suplementos desta vitamina diminui em dois terços suas chances de doenças cardíacas e vive mais 6,3 anos.

Junto ao pesquisador Morton Klein, Enstrom acredita que a ingestão de cerca de 300 miligramas de vitamina C por dia (pelo menos metade em forma de suplementos) acrescenta seis anos à vida do homem e dois à da mulher.

A mesma dosagem diária fortaleceria os pulmões, prevenindo doenças como asma e bronquite, segundo um estudo do médico Joel Schwartz, da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. A pesquisa foi realizada com 9 mil adultos e as pessoas que comeram alimentos com 300 miligramas de vitamina C por dia tiveram apenas 70% de chances de ter bronquite ou asma crônica do que as que ingeriram cerca de 100 miligramas. "Além disso, a vitamina C ajuda a evitar a aderência de leucócitos, os glóbulos brancos do sangue, nas paredes dos vasos sangüíneos", diz Schwartz.

O médico Saez explica que não há diferença entre as vitaminas naturais e as sintéticas. E lembra que o consumo de bebidas alcóolicas diminui a absorção e a utilização de vitaminas, principalmente a C, o ácido fólico, a B1 e a B6. "As vitaminas sintéticas são puras e idênticas em sua estrutura química àquelas encontradas nos alimentos. Para o organismo, não faz diferença como foram produzidas. Se o objetivo for melhorar a absorção de ferro ou bloquear a formação de nitrosaminas, é melhor tomar a vitamina C durante as refeições".

Ele garante que as vitaminas não engordam porque o teor calórico é desprezível. E acrescenta que, devido a diferenças nas necessidades e tolerâncias individuais às vitaminas, não há regra absoluta com relação à superdosagem. A vitamina C é necessária para a cicatrização adequada dos ferimentos. Além disso, impede a formação de nitrosaminas, compostos que podem causar câncer de estômago e de cólon. As nitrosaminas se formam a partir do nitrito de sódio usado como preservativo nas carnes defumadas.

Para evitar efeitos nocivos da vitamina C, os médicos recomendam a associação do ácido ascórbico com as vitaminas E e A (betacaroteno), além de outros minerais. Apesar desta recomendação, tanto a vitamina E quanto o betacaroteno tem prós e contras.

A vitamina E, por exemplo, protege o sistema imunológico e previne doenças cardiovasculares, mas em doses acima de 600 UI pode elevar a pressão arterial e retardar a cicatrização. A vitamina E neutraliza os radicais livres, eliminando reações em cadeia e evitando lesões nas estruturas das células. Por ser solúvel em gordura, protege os lípidios que formam as paredes das mesmas.

Já o betacaroteno (vitamina A),cuja dose diária varia de 5 mil a 15 mil UI, também aumenta a imunidade, mas a superdosagem pode causar má-formação congênita, se ingerida na gravidez. Também tem a função de eliminar os radicais livres em excesso no organismo.

POLÊMICA - O complemento de ácido fólico na dieta também gera polêmica. Estudos publicados na revista New England Journal of Medicine mostram que o consumo de suplementos de ácido fólico poderia evitar doenças cardiovasculares. O estudo da Universidade do Oregon revela que o ácido fólico reduz a concentração no sangue do aminoácido homocisteína, cuja taxa elevada está associada a doenças cardiovasculares.

O Instituto Americano de Medicina diz que o ideal é consumir 400 a 600 microgramas por dia desta vitamina. O ácido fólico, ou folacina, faz parte das vitaminas do complexo B e é encontrado em vegetais verde-escuros, fígado de boi e frutas cítricas. É essencial para a síntese de ácidos nucleicos e para o metabolismo de aminoácidos. Além disso, previne anemia macrocítica, doença que causa crescimento anormal dos glóbulos vermelhos, e defeitos congênitos, como a espinha bífida.

Segundo o bioquímico americano Sheldon Hendler, o ácido fólico também protege contra o câncer. "A dosagem ideal é de 400 microgramas por dia para todas as pessoas, incluindo gestantes. Por outro lado, quando usado em altas doses, pode causar defeitos neurológicos graves. Os mais sensíveis à deficiência de ácido fólico são os alcoólatras, as gestantes, os idosos e as pessoas que fazem dietas de baixas calorias", informa. O bioquímico lembra que a suplementação em caso de anemia depende de recomendação do médico. Portanto, não recomenda a automedicação.


     

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