SAÚDE
III
Cientista
afirma que pesquisa foi
mal-interpretadaLONDRES -
O cientista inglês Joseph Lunec
perdeu o sono. Não dorme direito
desde que a publicação de seu
estudo sobre a vitamina C, no
início do mês, pela revista
Nature.
Chefe da
Divisão de Patologia Química da
Universidade de Leicester, ele
disse que suas conclusões foram
mal-interpretadas pela mídia, ao
repercutir a pesquisa, sugerindo
que o excesso de vitamina C no
organismo facilitaria o
aparecimento de doenças como
câncer ou artrite.
"Nunca
disse isso nem minhas pesquisas
sugerem este absurdo",
reagiu o cientista. O estudo de
Joseph Lunec sugere, apenas, que
grandes quantidades de vitamina C
podem vir a ser prejudiciais à
saúde.
"A
Organização Mundial de Saúde
recomenda apenas 60 miligramas
por dia de vitamina C. Meu estudo
revela que grandes quantidades de
vitamina C (e há pessoas que
tomam até mais do que 1.000
miligramas por dia) podem causar
reações químicas associadas ao
câncer, à artrite ou doenças
do coração. Mas há uma
distância entre os argumentos
científicos e especulações de
que vitamina C causa
câncer", diz.
Ele estudou um
grupo de 30 voluntários
saudáveis que, por seis semanas,
tomou 500 miligramas de vitamina
C por dia. A alta dosagem levou a
dois tipos de combinação: um
antioxidante, outro oxidante,
causando dupla lesão no DNA.
"As duplas lesões podem
causar mutações químicas no
DNA, interrompendo a ação
antioxidante da vitamina C e
abrindo espaço, a longo prazo,
para o acúmulo de danos
biomoleculares, alguns associados
a doenças como câncer, artrite
reumatóide e arteriosclerose. O
maior benefício da vitamina C é
sua ação antioxidante. Ela
limpa os radicais livres,
altamente reagentes, que
danificam o DNA. Concluímos que
a dosagem alta de 500 miligramas
poderia causar dano ao material
genético. Mas a vitamina C, na
dose certa, continua a oferecer
uma ação antioxidante protetora
do organismo". (C.M.R.)