MERCADO DE TRABALHO II
Muitas vagas à disposição dos
profissionais recém-formadospor ANDREA GIARDINO
giardino@elogica.com.br
Empregos não
faltam para os profissionais da
computação. São oportunidades
nas áreas de programação,
banco de dados, análise de
sistema, direção de
informática e empreendimentos.
Mas para aqueles que ainda não
ingressaram no mercado ou que
acabaram de sair da universidade,
as dúvidas são sempre as
mesmas: o que fazer? onde atuar?
qual a média de salário?
Normalmente,
quem acaba de se formar, começa
como programador. O profissional
é responsável pelo
desenvolvimento de programas e
sistemas. Muitos optam por se
especializar em uma ou duas
linguagens de programação.
"É preciso estar atento
para todos os tipos de linguagem,
porque as que hoje existem,
certamente, deixarão de existir
daqui a quatro anos",
ressalta Edvirson Ferreira,
programador da Companhia
Hidroelétrica do Vale do São
Francisco (Chesf). Segundo
Ferreira, no mundo da tecnologia
da informação, a obsolência do
conhecimento é muito mais
rápida do que em outros
segmentos. "Quem não se
atualizar, será um sério
candidato ao desemprego".
Que deseja
ingressar nessa área também
deve estar preparado para uma
outra disputa, com os
profissionais de formação
técnica ou simplesmente, com
aqueles que aprenderam na
prática. Este é o caso de
Felipe Holder. Ele trabalha na
Empresa Municipal de
Processamento Eletrônico
(Emprel) há 12 anos, como
programador e analista autônomo
há 8, sem ser ainda formado.
Assim como ele,
centenas de programadores
encontram-se nessa mesma
situação. Muitos sequer têm
curso superior e quando possuem
são de outras áreas.
"Conheço até uma
fisioterapeuta que trabalha na
área", lembra Holder. Na
sua opinião, isto deve-se ao
fato da profissão não ser
regulamentada. Mas acredita, que
atualmente as empresas exijam
mais profissionais formados em
Ciência da Computação ou
Engenharia Eletrônica.
Para Edvirson
Ferreira, que é formado em
Administração de Empresas, a
questão vai mais além. "O
problema é que os estudantes
têm muita teoria, mas falta
prática", diz. Ele defende
que para ser programador, um bom
curso técnico basta. "O
mercado exige experiência, e
infelizmente, o curso
universitário oferece apenas
bagagem teórica".
Esta é uma
questão que levanta muita
polêmica (Veja matérias nas
páginas 6 e 7), mas uma coisa é
unânime, o estudante precisa o
quanto antes, fazer estágios
para colocar em prática seus
conhecimentos. Seguindo os passos
do programador, o analista de
sistema é outro profissional,
que encontra várias
oportunidades no mercado. A
princípio, ele é quem faz o
projeto dos sistemas, descobre os
problemas da empresa, entrevista
os clientes, redesenha os
processos e cuida das
informações para que estas
tornem-se mais acessíveis para
os gerentes e diretores da
empresa.
"Além
disso, é imprescindível que
haja uma integração entre o
analista e o programador",
afirma Petrônio de Souza e Sá,
coordenador de informática da
Votorantim. Formado em Ciência
da Computação e atuando há
sete anos na área como analista,
ele afirma que para o bom
funcionamento de qualquer
programa é preciso um trabalho
de manutenção permanente.
"Os sistemas são
suscetíveis a falhas e a
atualizações", argumenta.
Outra função desenvolvida pelos
analistas é a de suporte
técnico. Muitas empresas hoje,
estão recrutando profissionais
com esse perfil, que trabalham
com a infra-estrutura do sistema,
como redes, verificando a sua
performance.
CHEFE - Quem
sonha mais alto e quer chegar a
níveis de comando, pode tentar o
cargo de diretor ou
superintendente de informática.
Apesar de restrita - apenas
grandes empresas oferecem cargos
deste nível - esta área pode
proporcionar maiores salários. O
superintendente de informática
da Chesf, Antônio Carlos Reis,
é responsável por todos os
sistemas da Chesf. Acredita que
sua posição tem a principal
função de levar a informática
como ferramenta para alavancar os
negócios da empresa. Apesar de
confirmar a boa faixa salarial,
ele não revela quanto ganha.
Como a
profissão de informática ainda
não foi regulamentada, não
existe um piso salarial para a
categoria. É claro que com isso,
os que tiverem formação
universitária poderão ganhar
bem melhor. O único risco que os
recém-formados correm é o das
empresas buscarem mão-de-obra
mais barata. "Esta talvez
seja a maior causa das empresas
empregarem tantos profissionais
de nível médio", explica
André Felipe Freire, programador
e sócio da empresa Midiavox.
De acordo com o
Sindicato dos Trabalhadores em
Processamento de Dados, Sindpd,
um levantamento feito há sete
anos informava que programadores
recebiam oito salários mínimos
e analistas dez. Mas esses
valores devem estar bastante
defasados. Segundo pesquisa da
revista Exame -Informática,
realizada em outubro do ano
passado, um programador recebe,
em média, 1.350 reais, um
analista de sistema, 2.463 reais
e um especialista de suporte,
2.195.