- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 29 de abril de 1998

MERCADO DE TRABALHO II

Muitas vagas à disposição dos profissionais recém-formados

por ANDREA GIARDINO
giardino@elogica.com.br

Empregos não faltam para os profissionais da computação. São oportunidades nas áreas de programação, banco de dados, análise de sistema, direção de informática e empreendimentos. Mas para aqueles que ainda não ingressaram no mercado ou que acabaram de sair da universidade, as dúvidas são sempre as mesmas: o que fazer? onde atuar? qual a média de salário?

Normalmente, quem acaba de se formar, começa como programador. O profissional é responsável pelo desenvolvimento de programas e sistemas. Muitos optam por se especializar em uma ou duas linguagens de programação. "É preciso estar atento para todos os tipos de linguagem, porque as que hoje existem, certamente, deixarão de existir daqui a quatro anos", ressalta Edvirson Ferreira, programador da Companhia Hidroelétrica do Vale do São Francisco (Chesf). Segundo Ferreira, no mundo da tecnologia da informação, a obsolência do conhecimento é muito mais rápida do que em outros segmentos. "Quem não se atualizar, será um sério candidato ao desemprego".

Que deseja ingressar nessa área também deve estar preparado para uma outra disputa, com os profissionais de formação técnica ou simplesmente, com aqueles que aprenderam na prática. Este é o caso de Felipe Holder. Ele trabalha na Empresa Municipal de Processamento Eletrônico (Emprel) há 12 anos, como programador e analista autônomo há 8, sem ser ainda formado.

Assim como ele, centenas de programadores encontram-se nessa mesma situação. Muitos sequer têm curso superior e quando possuem são de outras áreas. "Conheço até uma fisioterapeuta que trabalha na área", lembra Holder. Na sua opinião, isto deve-se ao fato da profissão não ser regulamentada. Mas acredita, que atualmente as empresas exijam mais profissionais formados em Ciência da Computação ou Engenharia Eletrônica.

Para Edvirson Ferreira, que é formado em Administração de Empresas, a questão vai mais além. "O problema é que os estudantes têm muita teoria, mas falta prática", diz. Ele defende que para ser programador, um bom curso técnico basta. "O mercado exige experiência, e infelizmente, o curso universitário oferece apenas bagagem teórica".

Esta é uma questão que levanta muita polêmica (Veja matérias nas páginas 6 e 7), mas uma coisa é unânime, o estudante precisa o quanto antes, fazer estágios para colocar em prática seus conhecimentos. Seguindo os passos do programador, o analista de sistema é outro profissional, que encontra várias oportunidades no mercado. A princípio, ele é quem faz o projeto dos sistemas, descobre os problemas da empresa, entrevista os clientes, redesenha os processos e cuida das informações para que estas tornem-se mais acessíveis para os gerentes e diretores da empresa.

"Além disso, é imprescindível que haja uma integração entre o analista e o programador", afirma Petrônio de Souza e Sá, coordenador de informática da Votorantim. Formado em Ciência da Computação e atuando há sete anos na área como analista, ele afirma que para o bom funcionamento de qualquer programa é preciso um trabalho de manutenção permanente. "Os sistemas são suscetíveis a falhas e a atualizações", argumenta. Outra função desenvolvida pelos analistas é a de suporte técnico. Muitas empresas hoje, estão recrutando profissionais com esse perfil, que trabalham com a infra-estrutura do sistema, como redes, verificando a sua performance.

CHEFE - Quem sonha mais alto e quer chegar a níveis de comando, pode tentar o cargo de diretor ou superintendente de informática. Apesar de restrita - apenas grandes empresas oferecem cargos deste nível - esta área pode proporcionar maiores salários. O superintendente de informática da Chesf, Antônio Carlos Reis, é responsável por todos os sistemas da Chesf. Acredita que sua posição tem a principal função de levar a informática como ferramenta para alavancar os negócios da empresa. Apesar de confirmar a boa faixa salarial, ele não revela quanto ganha.

Como a profissão de informática ainda não foi regulamentada, não existe um piso salarial para a categoria. É claro que com isso, os que tiverem formação universitária poderão ganhar bem melhor. O único risco que os recém-formados correm é o das empresas buscarem mão-de-obra mais barata. "Esta talvez seja a maior causa das empresas empregarem tantos profissionais de nível médio", explica André Felipe Freire, programador e sócio da empresa Midiavox.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados, Sindpd, um levantamento feito há sete anos informava que programadores recebiam oito salários mínimos e analistas dez. Mas esses valores devem estar bastante defasados. Segundo pesquisa da revista Exame -Informática, realizada em outubro do ano passado, um programador recebe, em média, 1.350 reais, um analista de sistema, 2.463 reais e um especialista de suporte, 2.195.


 

 

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