MERCADO DE TRABALHO IV
Cursos preparam de olho no
mercadopor FABÍOLA VIRGINIA
fabiolav@yahoo.com
Pois bem, você
já escolheu a informática como
meio de vida, mas não sabe ainda
se deve ou não ter formação
superior na área. Hoje, o Grande
Recife tem três cursos de 3º
grau para quem quiser aprender de
fato os detalhes da computação.
Na Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE), o curso de
Ciência da Computação foi
implantado em 74. O corpo docente
do Departamento de Informática
(DI) é formado por 42
professores, todos com mestrado.
Apenas quatro deles não têm
doutorado e somente três não se
dedicam integralmente.
A estrutura
física do Departamento dispõe
de três laboratórios exclusivos
para a graduação, com mais de
120 micros. Outras quatro salas
estão equipadas com computadores
utilizados pelos
estudantes-pesquisadores, comuns
no DI. Engenharia de Softwares e
Banco de Dados são as linhas de
pesquisa mais procuradas.
"Um terço
de nossos alunos está
trabalhando em alguma linha de
pesquisa. Mais de 50% deles
recebem ajuda de custo, sem falar
nos que trabalham
voluntariamente", informa o
coordenador Fernando Fonseca.
"Temos professores
excelentes e uma estrutura muito
boa, mas o melhor é que o DI
investe nos estudantes",
declara Marcelo Faro, um aluno do
7º período.
A última
reforma curricular, ocorrida em
97, trouxe novas disciplinas para
os alunos. "Como a área é
muito dinâmica, submetemos nossa
grade curricular a mudanças
constantes", explica o
professor. Uma das cadeiras mais
importantes é a de
Empreendimentos em Informática,
que visa preparar o estudante
para o mercado. "Meus alunos
não são simplesmente treinados
para usar ferramentas. O que
oferecemos é uma formação
completa", ressalta
Fonseca.«AXXR»
estágio
curricular é obrigatório,
funcionando como ponte entre o
mercado de trabalho e os
estudantes, que têm a chance de
trabalhar em empresas como o
Grupo Elógica e Cimento Poty.
"Conta a lenda que o
estudante da UFPE não vai para o
mercado. Na verdade, ele tem
outros interesses aqui dentro,
como a Empresa Júnior, de onde
pode ser sócio", avalia
Fernando Fonseca.
Na Universidade
Católica de Pernambuco (Unicap),
a Ciência da Computação foi
oficializada como curso em 81.
Hoje, mais de mil alunos estão
distribuídos em dez períodos. A
disciplina eletiva Empreendedor
de Informática, onde o estudante
aprende a desenvolver softwares e
a
gerenciar sua
própria firma, é oferecida
semestralmente e uma das mais
procuradas pelos
alunos.
"Lotamos
todas as turmas, com 60 alunos,
às vezes até deixando alguns de
fora", informa Jessé de
Oliveira, chefe do Departamento
de Estatística e Informática da
Unicap. A Universidade oferece a
seus alunos 10 laboratórios de
computação, equipados com mais
de 100 micros.
A nova grade
curricular, implantada este ano,
reduziu a carga horária das
disciplinas de cálculo para que
outras matérias pudessem ser
incluídas. "Começamos no
ano passado uma outra etapa,
visando a implantação de uma
política de pesquisa. Estamos
agora contratando
professores", afirma
Oliveira.
A primeira
linha de trabalho é a
computação gráfica, com um
grupo pesquisando a compressão
de imagens. As oportunidades de
emprego, porém, não saem da
mira da faculdade. "Não
podemos deixar o mercado de lado.
Só que agora, vamos mostrar para
eles os trabalhos que estamos
desenvolvendo aqui dentro",
afirma o chefe do Departamento de
Estatística e Informática da
Unicap.
Uma das
maneiras de manter contato com o
mercado de trabalho é a
obrigatoriedade do estágio, a
partir do 4º período.
"Independente disso, mais de
80% dos alunos já têm emprego
garantido antes da
formatura", revela Oliveira.
Tecnologia em
Processamento de Dados é o nome
do curso oferecido pela Aeso,
Associação de Ensino Superior
de Olinda, criado no segundo
semestre de 96. A primeira turma
vai se formar em julho de 99.
"É um curso novo, que ainda
vai ser mudado e adaptado",
acredita Eduardo Campelo, chefe
do Departamento de Informática.
O corpo docente é composto por
18 professores - apenas três
não têm mestrado, mas estão em
fase de conclusão. Os alunos
têm uma biblioteca com um bom
acervo sobre informática e dois
laboratórios com 40 PCs.
O mercado de
trabalho é um dos alvos do
curso. "Queremos dar ao
nosso aluno uma formação
acadêmica e prática, para que
ele possa enfrentar a rotina
profissional, hoje cada vez mais
competitiva", afirma
Campelo. A maioria dos 120
estudantes matriculados já tem
uma vida estabelecida.
"Ninguém vem aqui com a
dúvida adolescente do que vai
ser quando crescer. Assim, a
cobrança pela boa qualidade das
aulas é muito maior",
analisa Eduardo Campelo. Segundo
ele, 30% dos estudantes já lidam
com alguma atividade relacionada
à computação. Essa
estatística deverá aumentar com
a obrigatoriedade do estágio,
que será implantada assim que os
convênios com as empresas
estiverem fechados.
A pesquisa
científica também é meta da
Aeso. Em 98, um grupo começou a
desenvolver uma aplicação para
ensino à distância - o projeto
inclui ainda a parte pedagógica
de utilização do software.
"A Aeso está custeando o
protótipo, dando uma bolsa de
pesquisa para cada aluno. É um
investimento a longo prazo",
diz Eduardo.