- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 29 de abril de 1998

MERCADO DE TRABALHO IV

Cursos preparam de olho no mercado

por FABÍOLA VIRGINIA
fabiolav@yahoo.com

Pois bem, você já escolheu a informática como meio de vida, mas não sabe ainda se deve ou não ter formação superior na área. Hoje, o Grande Recife tem três cursos de 3º grau para quem quiser aprender de fato os detalhes da computação. Na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o curso de Ciência da Computação foi implantado em 74. O corpo docente do Departamento de Informática (DI) é formado por 42 professores, todos com mestrado. Apenas quatro deles não têm doutorado e somente três não se dedicam integralmente.

A estrutura física do Departamento dispõe de três laboratórios exclusivos para a graduação, com mais de 120 micros. Outras quatro salas estão equipadas com computadores utilizados pelos estudantes-pesquisadores, comuns no DI. Engenharia de Softwares e Banco de Dados são as linhas de pesquisa mais procuradas.

"Um terço de nossos alunos está trabalhando em alguma linha de pesquisa. Mais de 50% deles recebem ajuda de custo, sem falar nos que trabalham voluntariamente", informa o coordenador Fernando Fonseca. "Temos professores excelentes e uma estrutura muito boa, mas o melhor é que o DI investe nos estudantes", declara Marcelo Faro, um aluno do 7º período.

A última reforma curricular, ocorrida em 97, trouxe novas disciplinas para os alunos. "Como a área é muito dinâmica, submetemos nossa grade curricular a mudanças constantes", explica o professor. Uma das cadeiras mais importantes é a de Empreendimentos em Informática, que visa preparar o estudante para o mercado. "Meus alunos não são simplesmente treinados para usar ferramentas. O que oferecemos é uma formação completa", ressalta Fonseca.«AXXR»

estágio curricular é obrigatório, funcionando como ponte entre o mercado de trabalho e os estudantes, que têm a chance de trabalhar em empresas como o Grupo Elógica e Cimento Poty. "Conta a lenda que o estudante da UFPE não vai para o mercado. Na verdade, ele tem outros interesses aqui dentro, como a Empresa Júnior, de onde pode ser sócio", avalia Fernando Fonseca.

Na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), a Ciência da Computação foi oficializada como curso em 81. Hoje, mais de mil alunos estão distribuídos em dez períodos. A disciplina eletiva Empreendedor de Informática, onde o estudante aprende a desenvolver softwares e a

gerenciar sua própria firma, é oferecida semestralmente e uma das mais procuradas pelos

alunos.

"Lotamos todas as turmas, com 60 alunos, às vezes até deixando alguns de fora", informa Jessé de Oliveira, chefe do Departamento de Estatística e Informática da Unicap. A Universidade oferece a seus alunos 10 laboratórios de computação, equipados com mais de 100 micros.

A nova grade curricular, implantada este ano, reduziu a carga horária das disciplinas de cálculo para que outras matérias pudessem ser incluídas. "Começamos no ano passado uma outra etapa, visando a implantação de uma política de pesquisa. Estamos agora contratando professores", afirma Oliveira.

A primeira linha de trabalho é a computação gráfica, com um grupo pesquisando a compressão de imagens. As oportunidades de emprego, porém, não saem da mira da faculdade. "Não podemos deixar o mercado de lado. Só que agora, vamos mostrar para eles os trabalhos que estamos desenvolvendo aqui dentro", afirma o chefe do Departamento de Estatística e Informática da Unicap.

Uma das maneiras de manter contato com o mercado de trabalho é a obrigatoriedade do estágio, a partir do 4º período. "Independente disso, mais de 80% dos alunos já têm emprego garantido antes da formatura", revela Oliveira.

Tecnologia em Processamento de Dados é o nome do curso oferecido pela Aeso, Associação de Ensino Superior de Olinda, criado no segundo semestre de 96. A primeira turma vai se formar em julho de 99. "É um curso novo, que ainda vai ser mudado e adaptado", acredita Eduardo Campelo, chefe do Departamento de Informática. O corpo docente é composto por 18 professores - apenas três não têm mestrado, mas estão em fase de conclusão. Os alunos têm uma biblioteca com um bom acervo sobre informática e dois laboratórios com 40 PCs.

O mercado de trabalho é um dos alvos do curso. "Queremos dar ao nosso aluno uma formação acadêmica e prática, para que ele possa enfrentar a rotina profissional, hoje cada vez mais competitiva", afirma Campelo. A maioria dos 120 estudantes matriculados já tem uma vida estabelecida. "Ninguém vem aqui com a dúvida adolescente do que vai ser quando crescer. Assim, a cobrança pela boa qualidade das aulas é muito maior", analisa Eduardo Campelo. Segundo ele, 30% dos estudantes já lidam com alguma atividade relacionada à computação. Essa estatística deverá aumentar com a obrigatoriedade do estágio, que será implantada assim que os convênios com as empresas estiverem fechados.

A pesquisa científica também é meta da Aeso. Em 98, um grupo começou a desenvolver uma aplicação para ensino à distância - o projeto inclui ainda a parte pedagógica de utilização do software. "A Aeso está custeando o protótipo, dando uma bolsa de pesquisa para cada aluno. É um investimento a longo prazo", diz Eduardo.


 

 

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