- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 29 de abril de 1998

MERCADO DE TRABALHO VII

Pernambucanos discordam da obrigatoriedade

A polêmica da regulamentação se estende entre os profissionais da área, que, em sua maioria, revelam-se contra o projeto de lei do deputado Silvio Abreu (PDT-MG). Para o presidente do Grupo Elógica, Belarmino Alcoforado, a exigência do diploma é completamente desnecessária. Segundo ele, não é o documento que vai tornar um profissional competente.

"Se o projeto for aprovado, vamos ter que deixar de lado pessoas autodidatas super-competentes, capazes de executar bons trabalhos, como o desenvolvimento de softwares, por exemplo, simplesmente por não serem portadoras do diploma, isso seria injusto", argumenta.

Ele diz ainda que a informática, muito em breve, vai estar tão incorporada ao dia-a-dia das pessoas como uma simples caneta está hoje. "Sou favorável à exigência do diploma em áreas que mexem com a vida de outras pessoas, como medicina, química ou engenharia. Esses sim, devem ser punidos pela lei se fizerem besteira", teoriza Alcoforado. Para ele, no caso dos informatas, quem executar mal o seu trabalho, certamente vai ser excluído pelo mercado, cada vez mais globalizado e competitivo. "Isso já não é suficiente?", questiona.

DEMOCRÁTICO - Silvio Meira, presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), é outro que se diz contra a regulamentação da profissão. Ele dá graças a Deus pela estagnação dos projetos no Congresso. "Todos os que entraram em votação foram vetados, isso quando não chegaram a ser arquivados", comemora.

Para Silvio Meira, qualquer um pode desenvolver softwares com competência: médicos, advogados, engenheiros, estudantes. "Existe espaço para todos. O mercado é que vai avaliar quem realmente é bom. Só os melhores são absorvidos, por isso, não acredito que o diploma vá fazer diferença. Talento e disciplina é que são essenciais nesse setor. Muita regulamentação só atrapalha", diz.

COMPETÊNCIA - O coordenador do curso de Ciência da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Fernando Fonseca, também acredita que o que vai garantir a sobrevivência dos informatas no mercado é a sua competência, independente do diploma ou de registro no Ministério do Trabalho. "O curso oferecido na UFPE trabalha muito bem o futuro profissional. Isso já é o suficiente. O resto é perda de tempo", explica.

Há ainda os que são ainda mais categóricos. Como José Antônio Monteiro de Queiroz, professor do Departamento de Informática (DI) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para ele, exigir diploma é uma situação de risco, uma vez que muitos profissionais competentes seriam excluídos do mercado junto com os não-diplomados. (H.G.)


 

 

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