PERDIDO
Projeto de lei exige diploma dos
informataspor HERCÍLIA GALINDO
hercilia@jc.com.br
A
regulamentação da profissão
Ciência da
Computação/Informática é um
ponto polêmico. Alguns defendem
a obrigatoriedade do diploma,
outros acreditam que qualquer
pessoa pode exercê-la, bastando
para isso se inteirar sobre as
novidades tecnológicas e dominar
o teclados. O projeto de lei
número 815/1995, de autoria do
deputado Silvio Abreu (PDT-MG)
está dando o que falar no
Congresso Nacional. Ele propõe a
obrigatoriedade do diploma para
os profissionais que lidam com
informática e está há mais de
dois anos passeando pelos
corredores de Brasília.
O
secretário-geral do Sindicato
dos Trabalhadores em
Processamento de Dados de
Pernambuco (Sindpd), Adimirson
Medeiros, está se articulando em
favor da aprovação do projeto e
vem trabalhando para garantir
mais simpatizantes à causa. Para
o sindicalista, filiado à
Central Única dos Trabalhadores
(CUT), não é justo que um
profissional que passa anos
dentro de uma universidade para
se aperfeiçoar tenha que
concorrer com um autodidata. A
necessidade também se dá,
segundo Medeiros, para que se
tenha um melhor controle sobre a
ética na informática. "A
lei das Patentes e a que tenta
extinguir os danos provocados
pela pirataria já foram
aprovadas. Pena que ainda não se
levou muito a sério a exigência
do diploma. Só assim os
verdadeiros profissionais vão
receber o devido valor",
atesta Medeiros.
SINDICATO -
Fundado em 1984, o Sindpd conta
hoje com 1.500 filiados. Ele
representa as empresas de
informática do Estado e não
exige a filiação dos
profissionais. Só se cadastra
quem estiver empregado e com
carteira profissional assinada.
Entre as vantagens oferecidas
pela liderança sindical estão,
segundo seu secretário-geral, a
luta pela melhoria de benefícios
dos trabalhadores da área,
assessoria jurídica, promoção
de palestras e cursos de
aperfeiçoamento. Para se filiar,
basta que se trabalhe na área
(digitadores, programadores,
analistas de sistema, por
exemplo). Depois, preenche-se uma
ficha de cadastro e, pronto, é
só esperar pelos benefícios e
pagar uma taxa mensal de 1% sobre
o salário base.
De acordo com
Medeiros, o projeto de lei, de
autoria do deputado Silvio Abreu,
pretende regulamentar a
situação dos profissionais de
informática e implantar
estatutos para a fiscalização
das atividades exercidas por
eles. Segundo o representante do
Sindpd, para que isso aconteça,
é preciso se driblar o
desinteresse dos deputados e
utilizar o poder dos sindicatos
de todos os Estados para
pressionar os políticos de cada
região.
FEDERAÇÃO-
Para Messias Melo, presidente da
Federação Nacional dos
Empregados em Processamento de
Dados e Informática (Fenadados),
sediada em Brasília, a
regulamentação da profissão
vai aumentar o controle da
sociedade sobre os cursos que
surgem a cada dia e que se dizem
preparados para a formação dos
profissionais. Dessa forma, a
disputa passa a se dar entre os
profissionais qualificados e
preparados para assumirem a
responsabilidade sobre o que
produzem.
"Ao se
definir claramente o quem é o
profissional, se define também
suas condições de trabalho,
assim, ele pode lutar pelos seus
direitos, explica o presidente.
Segundo ele, a maior polêmica no
Congresso sobre o projeto em
tramitação está girando em
torno da exigência do diploma.
"Qualquer pessoa que queira
desenvolver um software poderá
fazê-lo, só que com alguém de
nível superior na área para se
responsabilizar pelo produto. Já
os profissionais que exerçam
funções de nível médio
(operadores e digitadores)
poderão fazê-lo sem maiores
problemas", esclarece.
A Federação
também está elaborando uma
emenda para ser incorporada ao
projeto. A idéia é propor a
criação de um conselho
diferente dos tradicionais,
representado pela sociedade civil
e sem vínculos com os governos
Estaduais e Federal. "Dessa
forma ele não seria mais uma
autarquia entre as muitas já
existentes. A sociedade é quem
zelaria pela responsabilidade e
ética dos profissionais de
informática", conclui
Messias.
Serviço:
O Sindpd- r. Corredor do Bispo,
111, Boa Vista. Tel: 421.3818
Site da Fenadados: http://www.fenadados.org