JC
NEGÓCIOS
Fernando
Castilho
Tecnologia
e informalidade
O secretário
João Bosco de Almeida está
agendando um debate no setor de
transportes coletivos que vai dar
muito o que falar, especialmente
as empresas implantarem o sistema
de bilhetagem eletrônica no
serviço de ônibus urbanos.
O que pouca
gente observou é que, se o
sistema for implementado, o
florescente segmento de
transporte alternativo tem seus
dias contados. Explica-se: o
kombeiro tem hoje metade de sua
renda gerada sob forma de passes
- estudantil ou vale transporte.
Ele aceita porque consegue trocar
num posto, que consegue repassar
a alguma operadora formal do
sistema, que o repassa para a
EMTU que paga a conta final. Com
um deságio,mas ainda assim é
viavel. O passageiro comum paga a
conta na tarifa.
Hoje,
praticamente não existe perda de
vale por não uso do vale. É
como se, todo mês, todo mundo
gastasse todos os seus passes. A
tolerância da EMTU, permitindo
um florecente comércio de passes
nas portas dos pontos de vendas,
ajuda.
O sistema
eletrônico fecharia o circuito.
Como o cartão só poderá ser
usado pelo dono, não haverá
mercado porque não pode virar
dinheiro. Talvez se o dono o
vender. Mas ainda assim o
dinheiro só entrará pela porta
da empresa credenciada. Sem
renda, o negócio Kombi vai
depender apenas do dinheiro do
passageiro e dificilmente será
tão interessante como hoje.
E para quem
não sabe, aqui vai um dado
curioso. Nas empresas, o uso do
cartão magnético nos setores de
ponto e alimentação, reduziu em
pelo menos um quinto as despesas
e pagamento de horas extras e
alimentação. Apenas pelo
controle mais eficiente. Alguém
ja pensou o que isso não vai
fazer no arcaico sistema hoje
administrado pela EMTU?
Leão
virtual
Com
aproximadamente três milhões de
declarações entregues via
Internet, o Brasil ocupa agora a
liderança neste tipo de serviço
público na rede mundial de
computadores. Ano passado foram
apenas 473 mil. Com isso o
governo passa a contar, a partir
de segunda-feira, com uma massa
de informações sobre seu
universo de cidadão que nenhum
governo tem com a atualidade de
apenas 120 dias após o final do
exercício. Dá para fazer o que
quiser na hora de vasculhar a
vida do contribuinte.
Salários
Uma das
primeiras dificuldades a ser
enfrentada pelo novo
superintendente da Sudene Sérgio
Moreira, é a de formar equipe.
Por conta do brutal achatamento
salarial dos servidores (sem
aumento há quatro anos),
ninguém está a fim de ser
deslocado de órgãos como a
Chesf ou BNB, para vir para a
Sudene. A solução terá de vir
com o pessoal da casa e um
pequeno grupo de tucanos que
possa arregimentar.
Terminal
O
superintendente do Porto do
Recife, Carlos Vilar, está
comemorando um crescimento de
quase 50% na movimentação de
cargas no primeiro trimestre de
98, comparado com 97. Porém o
dado mais importante é que
cresceram todos os produtos
oferecidos pelo terminal a seus
clientes. Milho, açúcar
demerara, veículos e
conteineres, que o porto
conseguiu reduzir para menos R$
200,00 a unidade.
Acarajé
Dirigentes do
conglomerado espanhol Biobao
Viscaia, já avisaram que a
matriz do banco em formação,
vai continuar sendo a Bahia. A
ordem depois da venda é
capitalizar o Excel Econômico e
tentar torná-lo o quinto banco
do país. Se entrarem mesmo os R$
500 milhões e forem criadas mais
400 agências, o banco teria mil
pontos de atendimento quando
atingisse esta posição.
Lagosteiros
Começou,
ontem, a temporada de captura da
lagosta. O Ceará que é o maior
produtor e exportador brasileiro
- especialmente para EUA e
Japão, com 80% do valor das
exportações brasileiras do
produto - espera cravar, este
ano, US$ 36 milhões contra os
US$ 34 milhões de 1997. Além
dele, capturam lagostas no Brasil
os estados da Bahia, Maranhão,
Pará, Pernambuco e Rio Grande do
Norte.
Seca
histórica
Para o pessoal
de Brasília que ainda não
aprendeu nada sobre seca: neste
século já tivemos o fenômeno
nos anos de 1903 e 1904, 1908,
1915, 1919, 1930 a 1932, 1942,
1953, 1958, 1970, 1976, 1979 (
que durou até 1983 ), 1987 e
1991 a 1993. Não aprenderam nada
porque não quiseram.
No Ceará,
cinco trabalhadores da
construção civil morreram em
acidente de trabalho este ano, na
Bahia sete. Aqui, já tivemos dez
mortes. Taí uma liderança que
não agrada a ninguém.
Pois é: Edson
Mororó acha que pode ganhar as
eleições da Fiepe.
Nesta
terça-feira, o vice presidente
da Fortilit Fábio Hansen assina
o protocolo de intenções de
contrução da fábrica de tubos
e conexões no estado, localizada
em Suape. Projeto de R$ 30
milhões, que deve funcionar em
um ano.
Vai custar
entre R$ 145,00 e R$ 155,00,
sacolejar no bloco do Leque
Moleque, no Recifolia.
E-mail:
castilho@jc.com.br
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