-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 02 de maio de 1998


JC NEGÓCIOS
Fernando Castilho

Tecnologia e informalidade

O secretário João Bosco de Almeida está agendando um debate no setor de transportes coletivos que vai dar muito o que falar, especialmente as empresas implantarem o sistema de bilhetagem eletrônica no serviço de ônibus urbanos.

O que pouca gente observou é que, se o sistema for implementado, o florescente segmento de transporte alternativo tem seus dias contados. Explica-se: o kombeiro tem hoje metade de sua renda gerada sob forma de passes - estudantil ou vale transporte. Ele aceita porque consegue trocar num posto, que consegue repassar a alguma operadora formal do sistema, que o repassa para a EMTU que paga a conta final. Com um deságio,mas ainda assim é viavel. O passageiro comum paga a conta na tarifa.

Hoje, praticamente não existe perda de vale por não uso do vale. É como se, todo mês, todo mundo gastasse todos os seus passes. A tolerância da EMTU, permitindo um florecente comércio de passes nas portas dos pontos de vendas, ajuda.

O sistema eletrônico fecharia o circuito. Como o cartão só poderá ser usado pelo dono, não haverá mercado porque não pode virar dinheiro. Talvez se o dono o vender. Mas ainda assim o dinheiro só entrará pela porta da empresa credenciada. Sem renda, o negócio Kombi vai depender apenas do dinheiro do passageiro e dificilmente será tão interessante como hoje.

E para quem não sabe, aqui vai um dado curioso. Nas empresas, o uso do cartão magnético nos setores de ponto e alimentação, reduziu em pelo menos um quinto as despesas e pagamento de horas extras e alimentação. Apenas pelo controle mais eficiente. Alguém ja pensou o que isso não vai fazer no arcaico sistema hoje administrado pela EMTU?

Leão virtual

Com aproximadamente três milhões de declarações entregues via Internet, o Brasil ocupa agora a liderança neste tipo de serviço público na rede mundial de computadores. Ano passado foram apenas 473 mil. Com isso o governo passa a contar, a partir de segunda-feira, com uma massa de informações sobre seu universo de cidadão que nenhum governo tem com a atualidade de apenas 120 dias após o final do exercício. Dá para fazer o que quiser na hora de vasculhar a vida do contribuinte.

Salários

Uma das primeiras dificuldades a ser enfrentada pelo novo superintendente da Sudene Sérgio Moreira, é a de formar equipe. Por conta do brutal achatamento salarial dos servidores (sem aumento há quatro anos), ninguém está a fim de ser deslocado de órgãos como a Chesf ou BNB, para vir para a Sudene. A solução terá de vir com o pessoal da casa e um pequeno grupo de tucanos que possa arregimentar.

Terminal

O superintendente do Porto do Recife, Carlos Vilar, está comemorando um crescimento de quase 50% na movimentação de cargas no primeiro trimestre de 98, comparado com 97. Porém o dado mais importante é que cresceram todos os produtos oferecidos pelo terminal a seus clientes. Milho, açúcar demerara, veículos e conteineres, que o porto conseguiu reduzir para menos R$ 200,00 a unidade.

Acarajé

Dirigentes do conglomerado espanhol Biobao Viscaia, já avisaram que a matriz do banco em formação, vai continuar sendo a Bahia. A ordem depois da venda é capitalizar o Excel Econômico e tentar torná-lo o quinto banco do país. Se entrarem mesmo os R$ 500 milhões e forem criadas mais 400 agências, o banco teria mil pontos de atendimento quando atingisse esta posição.

Lagosteiros

Começou, ontem, a temporada de captura da lagosta. O Ceará que é o maior produtor e exportador brasileiro - especialmente para EUA e Japão, com 80% do valor das exportações brasileiras do produto - espera cravar, este ano, US$ 36 milhões contra os US$ 34 milhões de 1997. Além dele, capturam lagostas no Brasil os estados da Bahia, Maranhão, Pará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Seca histórica

Para o pessoal de Brasília que ainda não aprendeu nada sobre seca: neste século já tivemos o fenômeno nos anos de 1903 e 1904, 1908, 1915, 1919, 1930 a 1932, 1942, 1953, 1958, 1970, 1976, 1979 ( que durou até 1983 ), 1987 e 1991 a 1993. Não aprenderam nada porque não quiseram.

No Ceará, cinco trabalhadores da construção civil morreram em acidente de trabalho este ano, na Bahia sete. Aqui, já tivemos dez mortes. Taí uma liderança que não agrada a ninguém.

Pois é: Edson Mororó acha que pode ganhar as eleições da Fiepe.

Nesta terça-feira, o vice presidente da Fortilit Fábio Hansen assina o protocolo de intenções de contrução da fábrica de tubos e conexões no estado, localizada em Suape. Projeto de R$ 30 milhões, que deve funcionar em um ano.

Vai custar entre R$ 145,00 e R$ 155,00, sacolejar no bloco do Leque Moleque, no Recifolia.

E-mail:
castilho@jc.com.br

 
 

 

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