-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 02 de maio de 1998


JC NAS RUAS
Luce Pereira

Tranqüilidade foi embora

Até agora, em Pernambuco, as farmácias continuam livres de fiscalização rigorosa para detectar a venda de remédios falsificados - aqueles que custam os olhos da cara e servem para aliviar a dor dos portadores de doenças graves. Mas o fato de não ter sido registrada nenhuma denúncia sobre a máfia que atua em Minas, Rio e São Paulo não significa nada. As pessoas estão intranqüilas como deveria estar a Vigilância Sanitária, porque nada garante que os bandidos não resolveram montar o circo dos horrores também aqui. Essa desconfiança não deixa, por exemplo, gente como M.A.S dormir direito. Desde o anúncio das falsificações nos estados do Sudeste, começou a temer pela saúde do filho, mantido à base de alguns dos remédios sob suspeita. A partir daí, a vida da família do rapaz, que tem câncer, passou a ser um inferno. Maior transtorno: ninguém da casa se sente em condições de distinguir o remédio adulterado do verdadeiro. Mas com sorte, quem sabe, essa comparação não precisará ser feita pelos consumidores daqui. Otimismo ajuda.

Outros nomes

Mais personalidades confirmam presença no Congresso Mundial dos Jornalistas: a ministra da Cultura e do Patrimônio do Canadá, Sheila Copps, e o representante da Unesco, George Whertein. Com tanta gente falando idiomas diferentes, os tradutores sorriem à toa. É dinheiro garantido pelo menos durante os próximos cinco dias.

Artesanato

Os participantes do congresso, a propósito, não correm o risco de sair do Recife sem ver o melhor do artesanato regional. Os corredores do Shopping Guararapes já estão repletos de produtos criados por artesãos de 15 municípios, que esperam, quando os quiosques forem desarmados, no dia 10, contabilizar um lucro de R$ 100 mil.

Tudo errado

Não é porque o transporte coletivo vai mal, obrigada, que as kombis viraram a oitava maravilha. O motorista da foto de Arnaldo Carvalho, por exemplo, transporta passageiros em veículo com placa amarela, de outro Estado e deixa o "freguês" viajar com a perna do lado de fora. Tudo como não deve ser.

Alerta

Os congressistas foram alertados quanto a perigos iminentes, como tubarão nas praias. Sobre deixar objetos de valor no hotel, não careceu. Já devem saber da fama da cidade.

Disque

Não existe nada mais inútil do que os disque-qualquer-coisa do serviço público. No caso da EMTU, a ligação não dá sinal de ocupado, mas difícil é alguém atender. Mexe com os nervos.

Ratos I

Os ratos ainda têm mais algum tempo para fazer festa no Bairro do Recife. O programa de desratização foi adiado do dia 8 de maio para 26, porque na primeira data o secretário de Saúde, Guilherme Robalinho, estaria viajando. E ele não quer perder o espetáculo.

Ratos II

Mas parece que só os roedores do bairro que continua a ser a menina dos olhos da prefeitura estão condenados à morte. Na beira das marés, onde eles são tantos que chegam a disputar a pele dos recém-nascidos, a situação permanece caótica.

Seca

A Rede de Entidades de Direitos Humanos também acha que a ajuda para as vítimas da seca está demorando muito. Defende a criação de uma campanha para pressionar FH, porque o estômago não espera acontecer.

Simpósio

Além dos jornalistas, 200 médicos de todo o país ajudam a superlotar os hotéis da cidade. Participam do Simpósio Internacional de Córnea e Lentes de Contato, até hoje, no Recife Lucsim Palace.

E-mail

luce@jc.com.br

 
 

 

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