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LANCE
LIVRE
Fernando
Menezes
Por
baixo da derrota
A derrota para
a Argentina me incomoda muito
pouco. Perder ou ganhar, e
sobretudo o empate, conforme
demonstra o rigoroso equilíbrio
na história das duas seleções
(30 vitórias argentinas contra
29 nossas e 25 empates), são
resultados normais. Portanto, o
espanto da imprensa francesa, é
pura jogada de marketing da Copa
ou completa ignorância. Comparar
a derrota do Brasil,
quarta-feira, com a catástrofe
de 1950, quando perdemos a final
da Copa para o Uruguai, é
demais. O que incomoda, e mais do
que isso, assusta, é a falta de
preparo técnico. Não temos uma
seleção como time, mas um
amontoado de bons, e um alguns
casos, excelentes jogadores. Sem
esquema de jogo, sem o menor
treinamento. Estamos habituados a
ganhar graças ao brilho
individual, e o que é mais
grave, isolado, de um jogador.
Não temos jogadas, exceto o
excesso de Roberto Carlos, pelo
lado esquerdo ou, quando uma
chama o ilumina, já que é
limitadíssimo, Cafu, pelo lado
direito. O time de Passarela não
é nem de longe, a imagem do
talento do futebol argentino, mas
tem esquema de jogo. Para agravar
nossa situação, faz tempo que
não vejo tanta invenção em
futebol, ou quem sabe, tanta
alienação, ou mais ainda, tanta
má vontade e também, medo de
afrontar os fatos. O que vimos
foi Zagalo substituir Raí que,
se não brilhou, ao menos no
segundo tempo, procurou se
aproximar dos dois atacantes, por
um canhoto, fora de forma e sem
inspirações, Leonardo. Depois,
sem coragem de sacar Romário,
que mal andava em campo,
escondido e sem participação,
tirou Denílson, este sim,
prejudicado na Seleção. Ele
não sabe fazer o que Zagalo
quer, ele arrebenta no São
Paulo, quase como um ponteiro,
voltando pouco, só para buscar
espaço, não para marcar, que é
contrário à natureza dele.
Nossos dois atacantes não marcam
e o que é pior, pelo menos
quarta-feira, não se mexeram,
deixaram-se marcar pacificamente.
A lentidão da saída de bola,
isso sim, é nossa maior
desgraça. Quando Rivaldo voltar,
infelizmente, será o equívoco
de sempre, jogando pelo lado
direito. Enfim, temos um só
jogador, que depende de Roberto
Carlos e raramente de Cafu. É
muito pouco. Restam vinte dias de
treinos, que eu usaria
basicamente em coletivos. Para
encerrar, o que me assusta não
é ter perdido da Argentina, mas
como perdemos!
E-mail:
fmenezes@jc.com.br
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