ASSEMBLÉIA
Oposição
pressiona e Governo modifica o
projeto do Bandepepor ROSÁLIA LIMA
A pressão dos
deputados de oposição - e até
de governistas - por mais
detalhes no projeto 733 (tratando
de medidas relativas à
privatização do Bandepe) surtiu
efeito. Depois de três horas de
conversa, anteontem, entre o
vice-líder do Governo, Ranilson
Ramos (PSB), o secretário da
Fazenda, Carlos Lapenda, o
procurador-geral do Estado, Izael
Nóbrega e a direção do banco,
saiu um novo texto que fixa em R$
342 milhões o teto para o
endividamento do Estado,
calculado com base no ativo da
Carteira de Crédito Imobiliário
(CCI) do Bandepe. Essa proposta
será apresentada por Ranilson em
forma de emenda, quando da
tramitação da matéria na
Comissão de Justiça da
Assembléia. O sorteio do relator
está marcado para a próxima
terça-feira.
No texto
original, o Governo pede
autorização para endividar o
Estado (sem dizer em quanto)
através da compra - e posterior
revenda - de títulos federais. O
objetivo seria sanear a CCI para
facilitar a alienação do banco.
Além disso, o Estado pede
permissão para avalizar R$ 12,3
milhões de uma dívida do
Bandepe junto ao INSS, para
permitir que o banco parcele seu
débito e obtenha a certidão
negativa imprescindível à
privatização. Julgando as
informações incompletas, o
líder do PT, Paulo Rubem
Santiago, ingressou anteontem com
um pedido de inquérito no
Ministério Público estadual, e
uma solicitação de auditoria
especial junto ao Tribunal de
Contas do Estado (TCE), para que
seja investigada a origem da
dívida com o INSS.
Segundo
Ranilson, a ausência do teto do
endividamento no projeto deveu-se
ao fato de a operação basear-se
no ativo da CCI, cujo valor dos
títulos varia diariamente.
"Como ainda não se sabe a
data certa da operação, o valor
total não foi
especificado", explicou.
Quanto aos R$ 12,3 milhões da
dívida junto ao INSS, ele
rechaça qualquer suspeita de que
o Bandepe tenha sido "infiel
depositário", como
questionou o deputado Paulo
Rubem.
Segundo
esclarece, há cerca de cinco
anos, o Bandepe manteve uma
querela judicial com o INSS a
respeito de um encontro de contas
entre valores pagos a mais sobre
o imposto de renda e a
contribuição patronal do INSS.
"O Supremo Tribunal Federal
deu uma liminar favorável ao
INSS e o Bandepe vai parcelar o
débito. Na verdade, o valor da
dívida é de pouco mais de R$ 10
mil, mas por exigência do INSS o
Governo está sendo avalista de
120% do total", explica. Por
fim, Ranilson concorda com a
sugestão da vice-líder da
oposição, Teresa Duere (PFL) em
relação à convocação de
diretores do Banco Central e do
Bandepe para explicar o processo.
"Esse projeto atende a uma
sugestão do próprio Banco
Central que é o condutor de
todos os processos de
privatização de bancos
estatais", completou.