SECA
Programa
oficial foi alvo de
irregularidade em 93por MACHADO FREIRE
Da Sucursal
PETROLINA -
Durante a seca de 1993 foram
registrados graves problemas na
distribuição de feiras (hoje
chamadas de cestas básicas) e na
instalação das chamadas Frentes
Produtivasde Trabalho, criadas em
123 municípios durante o Governo
de Joaquim Francisco Cavalcanti,
responsável pela coordenação
do programa mantido com recursos
do Governo Federal. A seca,
agravada no segundo semestre
daquele ano, gerou um grande
número de saques, a maioria
deles registrados no Sertão do
Araripe, onde um trabalhador
alistado recebia Cr$ 200 mil,
valor que corresponde hoje a
pouco mais de R$ 7,00 (sete
reais).
Os problemas
começaram com o número de
alistados por família,
continuaram com a composição
das comissões municipais e se
ampliaram com atraso do pagamento
aos flagelados que, em alguns
municípios, também reclamavam
da falta de ferramentas para
trabalhar. Não bastassem isso, o
roubo das verbas destinadas ao
pagamento dos agricultores, como
aconteceu em Santa Maria da Boa
Vista onde foram levados CR$ 13,5
milhões destinados a 1.801
pessoas, dificultaram o andamento
do programa.
Os atrasos no
pagamento de 40 mil trabalhadores
rurais alistados em Petrolina
acabou parando na Justiça,
naquele ano. O vereador Odacy
Amorim (PSB), entrou com um
processo contra o Governo do
Esato, exigindo que este fizesse
o repasse imediato dos recursos
em atraso, com correção
monetária. Atrasos semelhantes
foram apontados por diversos
municípios do Sertão. Em
Ouricuri, o Sindicato dos
Trabalhadores Rurais denunciou o
uso indevido de carros-pipas por
políticos locais.