CAPRI
Uma
paisagem deslumbrantepor SÉRGIO ROBERTO
LIMA
Lembra-se
daqueles pacotes de viagem em que
o turista não sabia para onde
ia, só era informado se no
destino fazia frio ou calor?
Imagine-se numa dessas
excursões. A única instrução
foi para que você levasse roupas
leves. O normal nesses passeios
era o passageiro descobrir onde
estava quando se encontrava no
aeroporto do destino final, mas
faça de conta que o mistério
dessa sua empreitada vai mais
longe.
De repente, o
ferryboat aporta numa ilha e o
que você vê é um conjunto de
prédios simples, conjugados, com
não mais do que quatro andares,
exibindo bucólicos vasos de
plantas que derramam flores
multicoloridas pelas janelas e
sacadas. Ao fundo, uma montanha
salpicada por casas
espetacularmente brancas emoldura
a paisagem.
Levado pelo
instinto de descoberta e também
pela fascinação com o que vê,
seu próximo passo é pegar uma
das ladeiras estreitíssimas que
parecem levar ao cume dessa
montanha. O percurso é feito
através de ruelas que, de tão
sinuosas, dão a impressão de
terem sido feitas pela água da
chuva que, ao descer, obedecendo
as leis da física, escavou no
solo vias que não deram a
mínima para as leis de traçado
urbano.
No meio do
caminho, você tenta descobrir
que língua está sendo falada
para finalmente saber onde está.
É inútil, pois, assim como
você, há uma multidão de
turistas de todas as partes do
mundo que o levam a pensar que
esse lugar é a Torre de Babel.
Um mirante,
alguns metros acima do mar, o
permite ver uma paisagem
deslumbrante: um sol
agradavelmente forte refletido
por um mar inacreditavelmente
azul, no qual passeiam, de um
lado a outro, dezenas de lanchas,
barcos e ferryboats que não
param de deixar turistas no mesmo
porto em que você desembarcou.
Lá longe, onde você imagina ser
o continente, uma cidade no pé
de uma montanha.
Pensando ter
matado a charada, você jura que
finalmente está pisando numa
ilha grega. Fique com a cara de
bobo deslumbrado por uns dois
minutos para essa certeza cair
por terra e ir por mar afora.
Provavelmente chegará até você
um ilhéu e lhe perguntará, com
um acento reconhecidamente
italiano, se você está
precisando de alguma
informação.
Esse mar à sua
frente não é o Mediterrâneo ou
Egeu, mas o Tirreno; aquela
montanha que você vê não é um
monte de terra qualquer, trata-se
do Vesúvio; e sua suposta
"ilha grega" é Capri,
a 35 quilômetros de Nápoles,
aquela cidade que parece
sinistramente estar fincada ao
pé do Vesúvio.
Refeito da
surpresa, só lhe resta ouvir as
explicações do solícito
capriota (como são chamados os
moradores da ilha) e se deixar
levar pela mão para ver o que o
local oferece aos turistas (não
estranhe se isto acontecer, pois
é típico de quem tem orgulho em
receber tantos visitantes como os
habitantes de Capri). E vocês
vão andar bastante, a julgar
pela quantidade de cenários e
monumentos para serem apreciados.