- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 30 de abril de 1998

CAPRI
Uma paisagem deslumbrante

por SÉRGIO ROBERTO LIMA

Lembra-se daqueles pacotes de viagem em que o turista não sabia para onde ia, só era informado se no destino fazia frio ou calor? Imagine-se numa dessas excursões. A única instrução foi para que você levasse roupas leves. O normal nesses passeios era o passageiro descobrir onde estava quando se encontrava no aeroporto do destino final, mas faça de conta que o mistério dessa sua empreitada vai mais longe.

De repente, o ferryboat aporta numa ilha e o que você vê é um conjunto de prédios simples, conjugados, com não mais do que quatro andares, exibindo bucólicos vasos de plantas que derramam flores multicoloridas pelas janelas e sacadas. Ao fundo, uma montanha salpicada por casas espetacularmente brancas emoldura a paisagem.

Levado pelo instinto de descoberta e também pela fascinação com o que vê, seu próximo passo é pegar uma das ladeiras estreitíssimas que parecem levar ao cume dessa montanha. O percurso é feito através de ruelas que, de tão sinuosas, dão a impressão de terem sido feitas pela água da chuva que, ao descer, obedecendo as leis da física, escavou no solo vias que não deram a mínima para as leis de traçado urbano.

No meio do caminho, você tenta descobrir que língua está sendo falada para finalmente saber onde está. É inútil, pois, assim como você, há uma multidão de turistas de todas as partes do mundo que o levam a pensar que esse lugar é a Torre de Babel.

Um mirante, alguns metros acima do mar, o permite ver uma paisagem deslumbrante: um sol agradavelmente forte refletido por um mar inacreditavelmente azul, no qual passeiam, de um lado a outro, dezenas de lanchas, barcos e ferryboats que não param de deixar turistas no mesmo porto em que você desembarcou. Lá longe, onde você imagina ser o continente, uma cidade no pé de uma montanha.

Pensando ter matado a charada, você jura que finalmente está pisando numa ilha grega. Fique com a cara de bobo deslumbrado por uns dois minutos para essa certeza cair por terra e ir por mar afora. Provavelmente chegará até você um ilhéu e lhe perguntará, com um acento reconhecidamente italiano, se você está precisando de alguma informação.

Esse mar à sua frente não é o Mediterrâneo ou Egeu, mas o Tirreno; aquela montanha que você vê não é um monte de terra qualquer, trata-se do Vesúvio; e sua suposta "ilha grega" é Capri, a 35 quilômetros de Nápoles, aquela cidade que parece sinistramente estar fincada ao pé do Vesúvio.

Refeito da surpresa, só lhe resta ouvir as explicações do solícito capriota (como são chamados os moradores da ilha) e se deixar levar pela mão para ver o que o local oferece aos turistas (não estranhe se isto acontecer, pois é típico de quem tem orgulho em receber tantos visitantes como os habitantes de Capri). E vocês vão andar bastante, a julgar pela quantidade de cenários e monumentos para serem apreciados.


     

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