CAPRI III
A
preferida dos artistas e piratasConversando com os
capriotas você descobre que eles
são tão agradáveis quanto o
clima ameno da ilha. Se for
verão, a brisa constante que vem
do sul, e que, inclusive,
inspirou o escritor Norman
Douglas a escrever o seu romance
Ventos do sul, dificilmente deixa
os termômetros registrarem mais
do que 30 graus centígrados. No
inverno, o frio não é tão
cortante assim, já que as geadas
são raras naquela região.
Então, sente-se na Piazza
Humberto I, a piazzetta -
chamada, com justiça, de
"sala de visitas dos
italianos" e onde os colonos
gregos estabeleceram a acrópole
nos séculos 4 e 5 a.C. -, e puxe
papo com um capriota para ele
desandar a falar sobre aquele
belo pedaço de terra com um
orgulho característico dos
italianos.
Sem dúvida,
ele vai lhe contar uma lenda
sobre uma das inúmeras grutas da
ilha, que são, juntamente com os
faraglioni (três colossos
pontudos de rocha que saem do mar
e alcançam até 115 metros de
altura), cartões postais de
Capri. Ele também não vai
deixar de mencionar os inúmeros
famosos que passaram por ali,
como o autor de Os três
mosqueteiros, Alexandre Dumas, e
o jogador Careca.
Você deve
ouvir falar de outro personagem
famoso, embora menos nobre, que
passou pela ilha, o pirata turco
Khayr ad-Din. Entre todos os
corsários que passaram por
Capri, o mundialmente conhecido
Barba-Roxa foi responsável pelo
saque mais tenebroso, ocorrido no
ano de 1535. Hoje, ele empresta o
seu apelido a um castelo que tem
sua construção atribuída aos
bizantinos. Na verdade, não se
trata exatamente de um castelo,
mas de uma fortificação, como o
"Castelo" de
Castiglione (erguido pelos
próprios habitantes da ilha, na
Idade Média, justamente para se
proteger das invasões dos
piratas).
ORGULHO -
Mas Capri teve, assim como Axel
Munthe, outros visitantes que
deixaram heranças mais dignas,
consideradas motivo de orgulho
para a população. O industrial
alemão Friedrich Alfred Krupp,
por exemplo, de tão
impressionado com a beleza de
Capri, construiu, no final do
século passado, os Jardins de
Augusto - uma encantadora
seqüência de canteiros com
diversas espécies de flores
mediterrâneas alternados por
chafarizes e esculturas. O
simpático local é um dos
preferidos dos capriotas para
passar as tardes de primavera e
verão.
Partindo dali,
o industrial mandou construir uma
estrada que consegue a proeza de
ser mais sinuosa do que todas as
vias da ilha juntas. A Via Krupp,
quando vista de cima, desde os
Jardins de Augusto, passa a
impressão de que se está
observando um movimentado
formigueiro, onde os turistas
descem e sobem despreocupadamente
(já que ali não trafegam
veículos... também seria
inútil tentar) indo ou vindo da
Marina Piccola (que quer dizer
Marina Pequena, em português).
Localizada do
lado oposto da Marina Grande,
onde ancoram os barcos maiores e
os ferryboats, a Marina Piccola
é considerada a zona sul da
ilha, onde aportam as lanchas e
iates luxuosos durante o verão.
Uma boa pedida para os visitantes
é tomar um drinque no Canzone
del Mare, o restaurante da moda
das estrelas de cinema, 30 anos
atrás.
Depois, é hora
da volta à Marina Grande, onde o
ferryboat o levará de volta ao
continente. Talvez, só ao ver o
Vesúvio mais de perto é que
você tenha certeza de que está
realmente na Itália, e não na
Grécia. (S.R.L.)