- - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 02 de setembro de 1998

CULTURA
Candidatos revelam projetos para cultura

por JOÃO LUIZ VIEIRA

Você tem 32 dias para decidir quem será o próximo morador do imponente Palácio do Campo das Princesas e, particularmente, a quem dará poderes para gerir o estado de Pernambuco enquanto projeto cultural. Um pedaço de terra que, sabe-se, é um dos mais prolíficos, plurais, consistentes, vaidosos e economicamente carentes no campo artístico, dentro e até fora do Brasil. Os seis candidatos a governador, que estarão à espera do seu e de boa parte dos votos de estimados 5.119.117 eleitores pernambucanos, apresentaram ao Caderno C suas propostas de ação cultural para os próximos quatro anos, o que quer dizer para os primeiros anos do próximo milênio. Leia, discuta com os seus e, claro, escolha e vote.

O candidato que vem se mantendo em primeiro lugar na última (e nas demais) pesquisa do instituto Datafolha (publicada dia 19 de agosto), Jarbas Vasconcelos (PMDB - União por Pernambuco), do alto de seus 53% de preferência do eleitorado, aposta na pluralidade como plataforma cultural de governo. Em seu programa, a equipe usa o verbo instigar para defender a produção, a divulgação e o consumo de cultura no estado.

Deixa claro que pretende preservar a memória, mas, paralelamente, deve abraçar projetos mais identificados com o que se costuma chamar de vanguarda, além de fortalecer a produção e a capacitação profissional. Como diretriz, está a "reafirmação de Pernambuco como centro de expressão cultural e pólo irradiador, formador da cultura regional". Para isso, elege 11 ações como prioritárias.

Primeiramente, o governo Jarbas Vasconcelos objetiva "viabilizar um projeto de mídia para uma divulgação permanente e apoiar a comercialização dos produtos culturais", ou vender melhor o estado como pólo cultural. Para fortalecer essa ação, a equipe intenciona criar o que ela chama de "agência de desenvolvimento cultural", que seria responsável pela difusão, intercâmbio e venda dos produtos culturais.

Esse trabalho já começaria a partir de uma pesquisa das potencialidades dos estado, seguindo para os usos e consumos dos produtos culturais, e, na sequência, a "comercialização desses produtos em outros mercados do Brasil e do exterior, criando rede de museus, banco de projetos, cadastro digital, ou ainda, sensibilizando capitais privados e organizando estrutura paralela e captação de recursos na área federal". Mais ou menos o que o Ceará e a Bahia já vêm fazendo muito bem.

Aproveitando o boom do cinema nacional (que está com olhos e algumas gruas voltados para o nordeste brasileiro), a equipe também pretende criar e implantar um núcleo de cinema e vídeo, visando à formação e qualificação profissional e ao apoio à produção. A equipe vê esse filão como uma atividade econômica relevante para o crescimento do estado.

Regionalização: uma das idéias é implantar núcleos culturais em algumas cidades do interior, numa tentativa de expansão dos meios de produção. E ainda para fortalecer essa área, a equipe vê como prioridade a capacitação e o treinamento de pessoal (cursos, oficinas) que trabalha (ou que pretende trabalhar) nos diversos estágios de uma produção artística, desde a pesquisa à divulgação.

Amparada na eficiência das leis de incentivo, a equipe pensa em criar mais alternativas de apoio nesse aspecto. "Medidas de caráter tributário, linhas de crédito especiais e mobilização de recursos de fontes diversas, com base em uma visão mais ampla do produto cultural". Paralelamente, pretende "rever a estrutura administrativa dos órgãos que compõem o sistema estadual de cultura e dos processos de gerenciamento da política cultural, visando à melhoria das ações governamentais na área".

Ainda elenca a retomada dos salões de arte, de grande repercussão fora do estado em décadas passadas, e a criação do Espaço Cultural Torre Malakoff, no Bairro do Recife, que seria usado, prioritariamente, para desenvolver o que viria a ser uma cultura tipicamente nordestina. Ao mesmo tempo, Jarbas Vasconcelos, em seu programa, declara-se interessado em patrocinar, institucionalmente, o que chama de "nova cena cultural de Pernambuco", que, segundo ele, tem "difundido e revitalizado as tradições culturais do estado, reafirmando sua história e identidade".

Por fim, a sedimentação de um calendário anual de atividades, que incluiria festivais de teatro, dança, música, cinema, feira de livros, eventos folclóricos e os já citados salões de artes plásticas.


     

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