CULTURA
Candidatos
revelam projetos para culturapor JOÃO LUIZ VIEIRA
Você tem
32 dias para decidir quem será o
próximo morador do imponente
Palácio do Campo das Princesas
e, particularmente, a quem dará
poderes para gerir o estado de
Pernambuco enquanto projeto
cultural. Um pedaço de terra
que, sabe-se, é um dos mais
prolíficos, plurais,
consistentes, vaidosos e
economicamente carentes no campo
artístico, dentro e até fora do
Brasil. Os seis candidatos a
governador, que estarão à
espera do seu e de boa parte dos
votos de estimados 5.119.117
eleitores pernambucanos,
apresentaram ao Caderno C suas
propostas de ação cultural para
os próximos quatro anos, o que
quer dizer para os primeiros anos
do próximo milênio. Leia,
discuta com os seus e, claro,
escolha e vote.
O candidato que
vem se mantendo em primeiro lugar
na última (e nas demais)
pesquisa do instituto Datafolha
(publicada dia 19 de agosto),
Jarbas Vasconcelos (PMDB - União
por Pernambuco), do alto de seus
53% de preferência do
eleitorado, aposta na pluralidade
como plataforma cultural de
governo. Em seu programa, a
equipe usa o verbo instigar para
defender a produção, a
divulgação e o consumo de
cultura no estado.
Deixa claro que
pretende preservar a memória,
mas, paralelamente, deve abraçar
projetos mais identificados com o
que se costuma chamar de
vanguarda, além de fortalecer a
produção e a capacitação
profissional. Como diretriz,
está a "reafirmação de
Pernambuco como centro de
expressão cultural e pólo
irradiador, formador da cultura
regional". Para isso, elege
11 ações como prioritárias.
Primeiramente,
o governo Jarbas Vasconcelos
objetiva "viabilizar um
projeto de mídia para uma
divulgação permanente e apoiar
a comercialização dos produtos
culturais", ou vender melhor
o estado como pólo cultural.
Para fortalecer essa ação, a
equipe intenciona criar o que ela
chama de "agência de
desenvolvimento cultural",
que seria responsável pela
difusão, intercâmbio e venda
dos produtos culturais.
Esse trabalho
já começaria a partir de uma
pesquisa das potencialidades dos
estado, seguindo para os usos e
consumos dos produtos culturais,
e, na sequência, a
"comercialização desses
produtos em outros mercados do
Brasil e do exterior, criando
rede de museus, banco de
projetos, cadastro digital, ou
ainda, sensibilizando capitais
privados e organizando estrutura
paralela e captação de recursos
na área federal". Mais ou
menos o que o Ceará e a Bahia
já vêm fazendo muito bem.
Aproveitando o
boom do cinema nacional (que
está com olhos e algumas gruas
voltados para o nordeste
brasileiro), a equipe também
pretende criar e implantar um
núcleo de cinema e vídeo,
visando à formação e
qualificação profissional e ao
apoio à produção. A equipe vê
esse filão como uma atividade
econômica relevante para o
crescimento do estado.
Regionalização:
uma das idéias é implantar
núcleos culturais em algumas
cidades do interior, numa
tentativa de expansão dos meios
de produção. E ainda para
fortalecer essa área, a equipe
vê como prioridade a
capacitação e o treinamento de
pessoal (cursos, oficinas) que
trabalha (ou que pretende
trabalhar) nos diversos estágios
de uma produção artística,
desde a pesquisa à divulgação.
Amparada na
eficiência das leis de
incentivo, a equipe pensa em
criar mais alternativas de apoio
nesse aspecto. "Medidas de
caráter tributário, linhas de
crédito especiais e
mobilização de recursos de
fontes diversas, com base em uma
visão mais ampla do produto
cultural". Paralelamente,
pretende "rever a estrutura
administrativa dos órgãos que
compõem o sistema estadual de
cultura e dos processos de
gerenciamento da política
cultural, visando à melhoria das
ações governamentais na
área".
Ainda elenca a
retomada dos salões de arte, de
grande repercussão fora do
estado em décadas passadas, e a
criação do Espaço Cultural
Torre Malakoff, no Bairro do
Recife, que seria usado,
prioritariamente, para
desenvolver o que viria a ser uma
cultura tipicamente nordestina.
Ao mesmo tempo, Jarbas
Vasconcelos, em seu programa,
declara-se interessado em
patrocinar, institucionalmente, o
que chama de "nova cena
cultural de Pernambuco",
que, segundo ele, tem
"difundido e revitalizado as
tradições culturais do estado,
reafirmando sua história e
identidade".
Por fim, a
sedimentação de um calendário
anual de atividades, que
incluiria festivais de teatro,
dança, música, cinema, feira de
livros, eventos folclóricos e os
já citados salões de artes
plásticas.