CULTURA II
Eventos,
patrimônio, raízes e tradição
nas metas de ArraesO atual governador do
estado, e candidato a
reeleição, Miguel Arraes (PSB -
Frente Popular) é o segundo nas
intenções de voto, com 26%
pontos percentuais. Seu projeto
de gestão cultural é uma
extensão do que vem
desenvolvendo ao longo desses
quatro anos, na figura do
controvertido Ariano Suassuna, o
secretário de Cultura.
Também defende
uma ação que contribua para
"a consolidação da
liderança que o nosso estado
sempre exerceu no campo das
artes". A equipe usa, no
programa, o substantivo
pluralidade para dimensionar a
produção artística de seus
atuais domínios. "Por essa
particularidade, não pode ser
interpretado como proposta
subjetiva o fato de afirmarmos
que todas as áreas de cultura
terão a preocupação do
governo. A propósito, na atual
gestão Arraes, isso foi
substancialmente
evidenciado", frisa o
documento.
A equipe aponta
para quatro caminhos de
atuação: valorização da
produção artística local,
recuperação do patrimônio
histórico, intercâmbio
cultural, e consolidação das
nossas manifestações
folclóricas. Está no programa
que o repasse das verbas iria,
prioritariamente, àquelas áreas
de caráter preservacionista e de
produção artística ligada às
raízes folclóricas. Ganharia
"atenção redobrada"
do poder público.
Reforça a tese
listando algumas das obras da
gestão, como a recuperação do
casario da Rua da Aurora, da Casa
da Cultura, do Espaço
Pasárgada, além do investimento
na criação de outros espaços
de exposição artística, como o
Teatro Arraial e o Iluminara
Zumbi. O prolongamento da gestão
continuaria a beneficiar
agremiações e artistas ligados
aos folguedos tradicionais, e
aqueles que se dispusessem a
formar novos grupos folclóricos,
incorporando-os ao calendário de
eventos do estado.
Aliás, eventos
estão na lista de objetivos.
"O atual governo provou ser
possível investir em eventos
que, além de promover sem
distorções os nossos valores
artísticos e culturais,
proporcionam o desenvolvimento
turístico do estado, através do
conhecimento das nossas raízes
culturais", está lá,
argumentado.
Dos eventos
citados, anote como promoções
certas, o Encontro de Maracatus
de Baque Solto, em Aliança;
Carnaval, nos pólos
tradicionais; Festival Nacional
de Cinema do Recife; Abril Pro
Rock; Festa da Lavadeira, no
Cabo; São João; Festival de
Inverno de Garanhuns; Agosto Pra
Tudo; Salão de Artes Plásticas;
Feira Internacional do Livro;
Verão 40 Graus, em Tamandaré;
Féria com Arte, em Petrolina.
A equipe
também promete fomentar a
produção no interior do estado,
passando o cheque aos que se
propuserem a trabalhar com as
"manifestações e festas
tradicionais". No programa,
o recado é que "o
princípio dessa política será
o mesmo que norteou e promoveu o
atual estágio da cultura
pernambucana no cenário
nacional, hoje reconhecida pela
sua constante efervescência e
originalidade: o investimento
majoritariamente no artista
local".
Outra ênfase
é na vitoriosa campanha Todos
com a Nota, que levou mais de 400
mil pessoas às programações
artísticas agendadas. "Não
só pelo sucesso de público, mas
também pelo caráter educativo e
de cidadania, e da abertura de
novos espaços para os artistas
pernambucanos". A proposta
é que a campanha seja expandida
para o interior do estado.
E no plano do
intercâmbio cultural, a idéia
é levar (e trazer, os de lá)
artistas a países como Estados
Unidos, México, França,
Alemanha, Suíça, Portugal,
Espanha, Argentina e Holanda. Sem
esquecer, claro, de patrocinar
viagens aos demais estados
brasileiros. A estimativa de
investimento na área cultural
para uma próxima gestão é de
R$ 80 milhões, o que seria
duplicar os recursos já
direcionados no atual
gerenciamento.