REINTRODUÇÃO
Casal
de peixe-boi será solto este
mêspor MARIANA LACERDA
A segunda
reintrodução de exemplares de
peixe-boi marinho na natureza
será na praia de Porto de
Pedras, litoral norte de Alagoas,
localizada na área de Proteção
Ambiental (APA) Federal dos
Corais. Os mamíferos Aldo e Pipa
foram resgatados de encalhes
ainda filhotes há cerca de dois
anos, pelo Centro
Peixe-boi/Ibama, em Itamaracá.
Os dois voltarão ao mar na
segunda quinzena deste mês.
Ao contrário
da primeira reintrodução de
exemplares da espécie Trichechus
manatus na natureza no Brasil -
em outubro de 1994 com o casal
Astro e Lua - Aldo e Pipa serão
soltos diretamente no mar. Antes
de Astro e Lua, animais também
reabilitados em cativeiro,
ganharem às águas de
Paripueira, em Alagoas, os dois
permaneceram 70 dias presos num
cercado no mar, para
acostumarem-se com o movimento do
ambiente marinho e a procura por
alimentos.
Astro e Lua, no
entanto, só aprenderam a se
locomover em seu ambiente natural
depois de soltos, de acordo com o
oceanógrafo Régis Pinto de
Lima, chefe nacional do Centro
Peixe-boi. "Eles encalharam
várias vezes antes de aprenderem
a se locomover no mar",
lembra.
Aldo e Pipa
permanecem no oceanário do
Centro com o mínimo de contato
possível com humanos. Eles já
aprenderam, inclusive, a coletar
o alimento oferecido no fundo do
recinto. Aldo foi resgatado no
dia 21 de fevereiro de 1996 na
Praia de Quixaba, no Ceará. Pipa
chegou ao Centro Peixe-boi no dia
5 de novembro do mesmo ano,
depois de encontrada encalhada na
Praia de Pipa, no Rio Grande do
Norte.
Porto de Pedras
foi escolhida para receber os
dois animais por representar um
trecho no litoral do Nordeste
(que inclui Pernambuco) onde a
espécie Trichechus manatus está
extinta. "Pretendemos
recompor esse corredor
biológico", diz Régis.
Também foi nessa localidade onde
Lua permaneceu por mais de dois
anos, antes de partir ao
reencontro de Astro, há três
meses, na Lagoa de Mundaú -
Maceió.
Sua longa
estadia no local indicou aos
pesquisadores que a área oferece
condições propícias para a
espécie. "Os animais estão
nos mostrando onde podem
viver", salienta. A soltura
na natureza de Aldo e Pipa
integra, ainda, o Projeto de
Manejo Integrado de Ambientes
Recifais, desenvolvido na APA dos
Corais, entre Pernambuco e
Alagoas, com recursos do Banco
Interamericano de Desenvolvimento
(BID).
Assim como
Astro e Lua, o deslocamento de
Aldo e Pipa será monitorado por
meio rádios transmissores,
amarrados na cauda dos animais.
Os equipamentos foram adquiridos
com o apoio da Fundação O
Boticário de Proteção à
Natureza. Astro e Lua estão
separados novamente, depois de
terem permanecido dois meses e
meio juntos.
Astro se
deslocou cerca de 180
quilômetros até chegar à Ponta
de Mangue, praia ao norte de
Sergipe, Estado em que não se
tinha mais registros da espécie
Trichecus manatus. O casal já
tinha passado dois anos e meio
separado, quando Lua resolveu ir
ao encontro de Astro, na Lagoa de
Mundaú. Assim que se
reencontraram, Astro e Lua
passaram duas horas e meia
copulando. As pesquisas do Centro
Peixe-boi também são apoiadas
pela Petrobrás.