- - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 02 de setembro de 1998

REINTRODUÇÃO
Casal de peixe-boi será solto este mês

por MARIANA LACERDA

A segunda reintrodução de exemplares de peixe-boi marinho na natureza será na praia de Porto de Pedras, litoral norte de Alagoas, localizada na área de Proteção Ambiental (APA) Federal dos Corais. Os mamíferos Aldo e Pipa foram resgatados de encalhes ainda filhotes há cerca de dois anos, pelo Centro Peixe-boi/Ibama, em Itamaracá. Os dois voltarão ao mar na segunda quinzena deste mês.

Ao contrário da primeira reintrodução de exemplares da espécie Trichechus manatus na natureza no Brasil - em outubro de 1994 com o casal Astro e Lua - Aldo e Pipa serão soltos diretamente no mar. Antes de Astro e Lua, animais também reabilitados em cativeiro, ganharem às águas de Paripueira, em Alagoas, os dois permaneceram 70 dias presos num cercado no mar, para acostumarem-se com o movimento do ambiente marinho e a procura por alimentos.

Astro e Lua, no entanto, só aprenderam a se locomover em seu ambiente natural depois de soltos, de acordo com o oceanógrafo Régis Pinto de Lima, chefe nacional do Centro Peixe-boi. "Eles encalharam várias vezes antes de aprenderem a se locomover no mar", lembra.

Aldo e Pipa permanecem no oceanário do Centro com o mínimo de contato possível com humanos. Eles já aprenderam, inclusive, a coletar o alimento oferecido no fundo do recinto. Aldo foi resgatado no dia 21 de fevereiro de 1996 na Praia de Quixaba, no Ceará. Pipa chegou ao Centro Peixe-boi no dia 5 de novembro do mesmo ano, depois de encontrada encalhada na Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte.

Porto de Pedras foi escolhida para receber os dois animais por representar um trecho no litoral do Nordeste (que inclui Pernambuco) onde a espécie Trichechus manatus está extinta. "Pretendemos recompor esse corredor biológico", diz Régis. Também foi nessa localidade onde Lua permaneceu por mais de dois anos, antes de partir ao reencontro de Astro, há três meses, na Lagoa de Mundaú - Maceió.

Sua longa estadia no local indicou aos pesquisadores que a área oferece condições propícias para a espécie. "Os animais estão nos mostrando onde podem viver", salienta. A soltura na natureza de Aldo e Pipa integra, ainda, o Projeto de Manejo Integrado de Ambientes Recifais, desenvolvido na APA dos Corais, entre Pernambuco e Alagoas, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Assim como Astro e Lua, o deslocamento de Aldo e Pipa será monitorado por meio rádios transmissores, amarrados na cauda dos animais. Os equipamentos foram adquiridos com o apoio da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. Astro e Lua estão separados novamente, depois de terem permanecido dois meses e meio juntos.

Astro se deslocou cerca de 180 quilômetros até chegar à Ponta de Mangue, praia ao norte de Sergipe, Estado em que não se tinha mais registros da espécie Trichecus manatus. O casal já tinha passado dois anos e meio separado, quando Lua resolveu ir ao encontro de Astro, na Lagoa de Mundaú. Assim que se reencontraram, Astro e Lua passaram duas horas e meia copulando. As pesquisas do Centro Peixe-boi também são apoiadas pela Petrobrás.


     

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