CRÉDITO
BB
já reduz prazos de
financiamentospor JOSUÉ NOGUEIRA E
ALEX GOMES
Apesar da
possibilidade de ocorrer hoje
queda na Taxa Básica do Banco
Central (TBC) na reunião do
Comitê de Política Monetária
(Copom) - segundo o mercado, de
19,75% para 19% - as
conseqüências da crise
econômica da Rússia, vêm
provocando, no Brasil,
elevações de taxas de
operações bancárias e
diminuição no prazo de
financiamentos. O Banco do
Brasil, por exemplo, reduziu,
desde a semana passada o prazo de
leasing de 36 para 24 meses. Já
o financiamento de 13º salário
para empresas, que deve começar
a ser disponibilizado até o
final do mês, só será
viabilizado com juros
pós-fixados - a opção de
pré-fixamento não existe este
ano.
Segundo o
assessor da área de operações
da superintendência do BB no
Recife, José Renato Vieira, as
alterações ocorreram pelo fato
de a economia mundial não
permitir outra saída senão o
estabelecimento de taxas mais
altas. "É uma tendência
geral", observa. Para ele, a
mudança de prazo do leasing não
deve comprometer a operação no
banco. "Na primeira semana
após a alteração, sentimos um
retração de 10%. Mas a
tendência é que a demanda se
normalize em pouco tempo".
Vieira destaca
que a mudança no financiamento
para 13º deve evitar que a
instituição amargue perdas
comuns a períodos
"gangorra" financeira
como a atual. Ele explica que ao
invés de trabalhar com uma taxa
pré-estabelecida (no caso de
leasing pré-fixado é de
3,15%/mês), a operação
passará a ser cobrada a partir
da taxa básica somada aos
encargos adicionais de
correção. "Tanto a taxa
como os encargos a serem
atrelados ainda não estão
estipulados", ressalta, ao
dizer que o banco também não
deve perder clientes com a
mudança. "Na segunda
quinzena deste mês estaremos
enviando para os clientes que
usaram a operação em 97 uma
mala direta informando as
alterações".
DESÂNIMO -
Desanimados com as vendas fracas
em agosto, os empresários de
lojas de veículos da rua José
Osório, na Torre, reclamam das
novas taxas de juros cobradas
pelos bancos. O ABN Amro Bank
começou a distribuir, ontem, as
novas tabelas para Crédito
direto ao Consumidor (CDC) e
leasing, para automóveis
fabricados entre 87 e 98. Para o
financiamento de veículos usados
em 24 meses, o ABN Amro, cobra no
leasing de 70% do valor do
veículo taxa de 4,75% ao mês.
Um total de 78% ao ano para
veículos fabricados em 97 ou 98.
Quem financiar um valor de R$ 10
mil, neste caso, pagará por ano,
R$ 7,8 mil, só de juros.
Os bancos das
fábricas, como o Fiat o Ford
anunciaram que as tabelas de
setembro permanecem iguais à
agosto, com juros médios de 2,6%
ao mês para compra de carros
novos. "As financeiras das
montadoras vão segurar os juros
para não prejudicar as vendas. A
previsão da Fenabrave é de 20%
de aumento nas vendas em agosto,
com a redução do IPI",
anunciou José Bartolomeu,
diretor regional do Banco
Volkswagen.
As taxas para
CDC de carros usados são
maiores. Se o carro estiver entre
os anos de 87 e 90, a taxa mensal
para uma entrada de 30% chega a
6,5% ao mês, ou 114 % ao ano. Se
aumentar a entrada, diminuem os
juros. Um carro, por leasing, ano
90, em 36 meses, terá juros
pré-fixados em 4,9% ao mês, ou
77,4 % ao ano.