SURFE III
Esquema
de guerra protegerá surfistas
dos ataques de tubarões"Não haverá
problemas com tubarões no Hang
Loose deste ano", garante o
organizador do evento, Geraldo
Cavalcanti, presidente da Aspe. A
frase não é da boca para fora.
Para não morder a língua, o
dirigente se garante em dois
fatos. O primeiro é que na
história da praia, nunca houve
relatos de ataques de tubarões a
surfistas, pescadores ou
banhistas. Como seguro morreu de
velho, o campeonato ainda
contará com um esquema de
segurança nunca antes visto num
evento de surfe em Pernambuco.
Com a
assessoria do coronel Neyff,
especialista em tubarões do
Corpo de Bombeiros, será montado
um verdadeiro esquema de guerra
para proteger os atletas. Na
praia, uma torre de observação
terá sempre salva-vidas a postos
e uma ambulância. Para garantir,
dentro da água, um barco com UTI
circulará entre os surfistas.
Como se não bastasse, quatro
redes de aço, próprias para
conter nossos mui amigos
marinhos, serão compradas na
África do Sul à bagatela de R$
2 mil cada. Sem contar com frete
e impostos.
DECRETO -
Assim que se falou em mudar o
palco do Hang Loose para a praia
de Gaibu, o primeiro debate que
veio à tona foi sobre o decreto
18.313, do dia 6 de janeiro de
1995. Este documento deixava a
regulamentação do surfe e
outros esportes náuticos de Del
Chifre até Gaibu a cargo do
Corpo de Bombeiros. Ou seja, ao
contrário do que muitos
pensavam, o decreto não proibia
o surfe, mas dava poderes à
corporação para vetar o
esporte, quando fosse o caso.
Como haverá um
imenso aparato de segurança,
armado pelo próprio Corpo de
Bombeiros, não deverá haver
impecílios legais ao Hang Loose
deste ano. "O evento só vai
acontecer porque serão
respeitadas as normas de
segurança", informa o
coronel Dutra, presidente do
Projeto Orla, comissão que faz
estudos sobre tubarões desde os
primeiros ataques em Pernambuco.
O coronel, porém, avisa:
"Se alguém for visto
surfando em Gaibu fora do
campeonato, será convidado a
sair da água".