EM
FORMA
A
divertida dança da longevidade
idadepor ANTÔNIO MARINHO
Da Agência Globo
Há dois anos,
Abigail Caraciki, de 64 anos, era
uma pessoa triste. Tinha perdido
o filho, o marido e o único
irmão. Deprimida, encontrou na
dança de salão um novo ânimo
para viver. Hoje, rodopia
diariamente numa academia e conta
que sua qualidade de vida
melhorou muito. "Num
primeiro momento, a dança me
ajudou a superar a depressão.
Hoje é muito mais que uma
terapia. Até as dores no joelho
melhoraram", conta.
Ela não é a
única a recorrer à dança de
salão como uma forma de melhorar
o condicionamento físico e
aumentar a auto-estima. As
academias e casas noturnas com
música ao vivo estão cada vez
mais cheias de pessoas acima dos
60. A maior novidade é a dança
sênior, criada na Alemanha,
realizada em grupo e que pode ser
praticada até por quem mal
consegue se locomover.
Os dançarinos
da terceira idade não escolhem
ritmo, nem par. Vicente
Quintanilha, de 62 anos,
costumava freqüentar bailes e
festas. Incentivado pelo filho
Luisinho, jogador do Vasco da
Gama, ele decidiu se aperfeiçoar
na Casa da Dança Carlinhos de
Jesus. Dança de tudo: samba,
forró, suingue, rock e tango. E
não faltam parceiras para
acompanhar seus passos, nos
bailes da academia ou em casas
noturnas. "Valdeci, minha
mulher, gosta de dançar, mas
prefere se dedicar a outras
atividades, como a
hidroginástica. Então, danço
com outras parceiras na academia.
É ótimo para a auto-estima e
não me sinto velho. Faço
check-up periodicamente e meu
cardiologista disse que estou
ótimo", conta.
O dançarino
Carlinhos de Jesus diz que quanto
mais cedo a pessoa começa a
dançar, maiores os benefícios.
Mas nunca é tarde para entrar no
salão. A dança estimula a
criatividade e fortalece a
autoconfiança. "Sob o
aspecto psicológico, é uma
excelente atividade. Quando a
pessoa aprende a dançar, ela
passa a se cuidar mais e melhora
sua qualidade de vida. É uma
forma de evitar o isolamento. De
maneira geral, não há
contra-indicações, mas na
terceira idade é melhor optar
pelos ritmos mais compassados,
como suingue, valsa e samba
canção", afirma Carlinhos.
Já a
professora Stela Cardoso
acrescenta que a dança é uma
forma de afastar a solidão e de
dar novo interesse à vida das
pessoas. "É uma maneira de
trabalhar o corpo de forma
saúdável e prazerosa e uma
oportunidade de fazer novas
amizades", comenta.
BENEFÍCIOS -
A médica Rachel Vieira concorda
e lembra que há outros
benefícios na dança para a
terceira idade, principalmente
para as mulheres. Este tipo de
atividade, realizada
regularmente, melhora a
capacidade cardiorrespiratória,
ativa a circulação sangüínea
e previne a osteoporose depois da
menopausa.
"Numa
academia de ginástica, o idoso
não tem motivação para fazer
os exercícios aeróbicos e
acompanhar as turmas. Na dança
de salão, faz os movimentos com
prazer. Esta atividade só é
contra-indicada em casos
específicos, como em alguns
casos de angina de peito e
osteoporose em estado avançado.
Nestes casos, a pessoa deve
consultar seu médico e evitar
movimentos bruscos, como rodopios
e ritmos como lambada e
axé", explica Rachel.
Segundo o
ortopedista Theo Cohen, que tem
um trabalho voltado para a
prevenção de doenças
articulares na velhice, estudos
recentes realizados na
Escandinávia revelam que as
pessoas na terceira idade que
praticam dança correm menor
risco de fraturas de colo do
fêmur. Este tipo de fratura é
comum na terceira idade, devido
à osteoporose. Mas as pessoas
que dançam regularmente têm uma
boa vascularização e seus ossos
são mais fortes.
"Nesta
faixa etária, é importante
evitar ritmos como a lambada, que
sobrecarrega a musculatura e os
ossos, aumentando o risco de
fraturas de vértebras e de
costela. Os excessos também
pioram a artrose", alerta o
médico, que contra-indica todos
os ritmos baianos para pessoas da
terceira idade por exigirem
saltos freqüentes,
sobrecarregando a coluna
vertebral e as articulações dos
joelhos e dos tornozelos.
O médico e
dietista João Curvo também
elogia a prática da dança na
terceira idade. Segundo atesta,
"esta atividade queima
calorias suficientes para a
manutenção do peso. Fortalece o
tônus muscular, principalmente
as pernas, os glúteos e o
abdômen. Além disso, a
sensação de fome diminui,
porque o organismo produz mais
serotonina", explica.