ANO 2000
O
Bug do Milênio está na mira da
OABpor ANDRÉA FARIAS
ComputerWorld
Depois da
valorizaçÃo dos programadores e
consultores, o Bug do Milênio
promete alçar os advogados à
categoria dos salvadores da
pátria. Explica-se: às
vésperas da virada do milênio,
o ano de 1999 está sendo visto
como o período de preparação
jurídica para aqueles que estão
em fase final de suas
adaptações, em busca de
proteção legal contra eventuais
prejuízos nos negócios.
A expectativa
de grande movimento nas empresas,
hoje já manifestada em forma de
questionamentos ao departamento
jurídico, aponta para um longo
período de estudo e debates
sobre o tema. O maior empecilho
previsto atualmente é a falta de
uma legislação específica que
possa determinar
responsabilidades ou defesas.
Por causa
disso, a Organização dos
Advogados do Brasil (OAB),
órgão de disciplina dos
profissionais do setor, que
compreende cerca de 400 mil
profissionais no país (130 mil
só em São Paulo), começa a
estudar com atenção o impacto
jurídico do Bug do Milênio nas
corporações.
Segundo Marcos
da Costa, presidente da Comissão
Especial de Informática
Jurídica da OAB, a maior
dificuldade é que essas
definições dependem da
legislação de cada país, não
havendo uma orientação geral
sobre o problema. No Brasil, ele
cita o Código do Consumidor, que
apesar de ser um dos mais
avançados do país, é
genérico. Na área securitária,
também seria preciso definir nas
contratações de
responsabilidade civil o que o
seguro vai cobrir.
Cautelosos, os
advogados já começam a bater à
porta da OAB, consultando sobre
os procedimento a serem tomados.
De acordo com Costa, em diversos
países estão sendo avaliadas
propostas para regulamentar
projetos de lei, definindo regras
a serem cumpridas. Discute-se
também a necessidade de se
encaminhar uma proposta formal ao
Poder Judiciário, uma vez que
não existem no país projetos de
lei a respeito.
Os riscos de
indenização já causam os
maiores arrepios nas empresas,
caso o Bug tome a forma de
monstro que se desenha hoje.
"O problema há muito tempo
não se limita à informática.
Envolve os interesses
financeiros, do consumidor, do
cidadão e até a produção
nacional", comenta.
Segundo Marcos
da Costa, a possibilidade de
falha geral nos sistemas merece
tratamento específico, porque
serão situações em que a
legislação comum não se
aplica. "É preciso rever a
questão sob os mais variados
ângulos", reforça.
O presidente da
comissão ressalta que a maior
preocupação, hoje, vem do setor
financeiro e de seguros. Como
estão em processo adiantado na
conversão dos sistemas - muitas
dessas companhias iniciaram seus
trabalhos em 1994 por causa de
títulos de financiamento e
apólices de longo prazo - eles,
ao mesmo tempo, podem possuir
transações mais sensíveis a
prejuízos financeiros.
Lembrando a
função preventiva do advogado,
Costa defende que é preciso
estar preparado para um grande
volume de litígios na virada do
milênio. Uma das orientações
que a OAB começa a passar aos
profissionais e empresas é a
criação de um documento sobre a
finalização das adaptações.
"É
fundamental que se documente
todos os ajustes providenciados,
porque, em muitos casos, apesar
dos sistemas estarem adequados,
se depende de informações
geradas por outras
empresas", explica.
Outro passo
sugerido é a exaustiva
discussão com fornecedores na
aquisição de produtos,
assegurando que a compra de
máquinas e sistemas esteja em
conformidade com o ano 2000.
"São algumas das formas que
já se sabe hoje ser possível de
delimitar
responsabilidades".
Uma das
primeiras providências que
estão sendo tomadas pela OAB é
a realização de eventos,
reunindo profissionais de
informática e juristas, para
esclarecimentos sobre como se
dará o Bug e quais as
conseqüências imaginadas caso
se concretizem perdas técnicas
e, claro, danos para o negócio
das empresas.
"A
apreensão é grande até por
inexistir uma orientação
jurídica clara sobre a matéria
que contemple a reparação de
danos", explica Costa.