TELECOMUNICAÇÃO
Telpe
monta super central para
gerenciar todas as suas redespor BENIRA MAIA
benira@jc.com.br
Cena 1. Uma luz
acende: os moradores de Olinda
não conseguem completar uma
ligação porque a central
telefônica está congestionada.
Cena 2. Outro
sinal vermelho: rompe a fibra
óptica que conecta as centrais
dos bairros de Boa Viagem e da
Boa Vista, impossibilitando o
tráfego convencional dos
telefonemas.
Cena 3. Mais
uma tarja vermelha: uma pessoa de
acesso não-permitido entra em
uma estação da Telpe.
Errou. As cenas
descritas acima não fazem parte
de um roteiro de
filme-catástrofe. Os sinais
luminosos de alarme integram a
ação da Central de Gerência
Integrada de Redes da Telpe
(CGIR), que começou a ser
implantada há um mês, no
escritório da Várzea. O projeto
consumiu quase R$ 10 milhões e
reúne, numa única central, a
gerência de todos os sistemas
que compõem a rede de
telecomunicações da empresa. Da
moderna e extensa sala, tem-se
uma visão geral sobre o
andamento de toda a rede
estadual, detectando com alarmes
coloridos qualquer ação incomum
na área.
"Agora
podemos antecipar medidas para
evitar problemas na rede. E, em
caso de problema, agiremos com
mais rapidez", afirma José
Ivan Soares, da Divisão das
Gerências de Redes da Telpe. Os
cálculos da empresa,
recém-privatizada, são de uma
queda substancional no tempo de
conserto de problemas na rede,
devido à supervisão conjunta de
todos os sistemas. O reparo de
uma falha numa Central
Telefônica, que agora consome
quase 1 hora, vai levar 20
minutos. Já o prazo para
conserto na rede externa -
ligação da residência à
Central Telefônica - deve cair
de 24 para 6 horas.
A alta
tecnologia e a sofisticação do
sistema da GCIR já renderam
prêmio. O projeto ganhou o
primeiro lugar no seminário de
gerência de rede da União
Internacional de
Telecomunicações (ITU),
realizado em julho, na Grécia,
concorrendo com planos de outros
países 47 países. O sistema
não é o primeiro do Brasil -
já existe em cinco estados -,
mas é o que engloba mais
serviços. Em tempo real, o CGIR
supervisiona, analisa e controla
toda a rede de
telecomunicações, reunindo num
só espaço seis sub-sistemas -
da adminstração do tráfego à
munutenção/detecção de
falhas, passando pela segurança
da rede.
O sistema enche
os olhos. A Gerência ocupa uma
extensa sala dotada de um
videowall de 28 metros quadrados
e mais 24 terminais que analisam
e monitoram os sub-sistemas.
Além da supervisão na tela, os
dados são repassados para o
videowall, colocado na parede em
frente aos micros. Assim, todos
têm uma visão global do que
acontece nas telecomunicações
do estado - tráfego de voz e de
dados por acesso discado.
"O
analista do trá6fego pode
observar o controle de alguma
falha e alterar a rota das
chamadas, por exemplo, e impedir
que uma área fique sem
comunicação", observa
Soares. O extenso painel também
guarda espaço para dois canais
de notícia. "Se houver uma
tragédia em São Paulo e ocorrer
muitas ligações para lá,
destinamos mais recursos para
essa área", explica Marcos
Graciano, supervisor da CGIR.
COBERTURA -
O sistema é comandado por
servidores colocados na GCIR e
específicos para cada área -
há uma máquina para a
administração do tráfego,
outra para detecção de
falhas... Os servidores recebem
as informações repassadas pelas
várias estações espalhadas
pelo estado - por enquanto, quase
40% das 278 estão enviando os
dados e a previsão é o que
sistema cubra todo o estado até
o final deste ano.
Em cada
estação, foi colocado um
gabinete NewBridge 3600, que
envia os dados, por cabos
coaxiais e numa velocidade 2Mbps
no padrão europeu E1, para o
gabinete SDH (Hierarquia Digital
Sincrôna). De lá, as
informações vão para a Central
e depois até o backbone da
Telpe, no bairro da Boa Vista,
onde há outro gabinete com
interface dos sistemas. Por fim,
os dados chegam ao bastidor da
Várzea, que os repassa para os
servidores da CGIR.