ARGENTINA
Armas
brasileiras são apreendidaspor ARIEL PALÁCIOS
Agência Estado
BUENOS AIRES
- Dez toneladas de armas
provenientes do Brasil foram
apreendidas pela Justiça
argentina no aeroporto de Ezeiza,
em Buenos Aires. O destino das
armas, de acordo com os
documentos apreendidos, seria a
Venezuela. Mas a Justiça
argentina - desconfiada pelos
recentes escândalos de envios
ilegais de armas para Equador e
Croácia, que tiveram Buenos
Aires como ponto de passagem -
suspeita que possa tratar-se de
uma manobra de triangulação.
A suspeita
principal baseia-se na falta de
sentido de que uma carga indo de
São Paulo para Caracas, situada
ao norte do Equador, passe por
Buenos Aires, 2 mil quilômetros
ao sul da capital paulista.
Além disso,
segundo o jornal argentino
Clarín, as suspeitas aumentaram
porque a documentação do
carregamento o discrimina como
"peças para
máquinas", e não como
armamento.
Segundo a
imprensa argentina, o
destinatário das 45 caixas que
compõem o carregamento de armas
é o Departamento de
Fabricações Militares da
Venezuela. A carga chegou a
Buenos Aires num vôo regular da
companhia Aerolíneas Argentinas.
O juiz federal
de Lomas de Zamora, Alberto
Santamarina, responsável pela
retenção das armas, negou-se a
fornecer informações sobre o
caso, alegando que suas
declarações poderiam prejudicar
as investigações.
Na mesma cidade
- que possui jurisdição sobre a
área do aeroporto -, há dois
meses, outro juiz, Carlos
Ferreira Pella, apreendeu um
carregamento de armas da África
do Sul destinado ao Peru.
Na ocasião, a
retenção das armas por quase
três semanas provocou irritadas
reclamações do governo peruano.
Para evitar maiores tensões
entre os dois países, a
Argentina decidiu liberar o
carregamento - composto de 365
lançadores de granadas de
fabricação sul-africana.
EXTREMO
RIGOR - A Embaixada do Brasil
em Buenos Aires informou no final
da tarde de ontem à Agência
Estado que o Itamaraty será
constantemente informado sobre a
divulgação das notícias sobre
as armas brasileiras na
Argentina.
"O tema
preocupa", afirmaram fontes
diplomáticas, que explicaram que
todo processo de exportação de
armamentos é dirigido pelo
Departamento de Promoção
Comercial, sob o extremo rigor
por parte do governo federal
brasileiro.
Ontem de
manhã, o Ministério de
Relações Exteriores da
Argentina entrou em contato com a
embaixada brasileira para
informar que estava pedindo mais
informações sobre o
carregamento ao juiz federal
Santamarina.
Fontes
diplomáticas declararam que a
exportação das armas foi
realizada pela Indústria de
Material Bélico (Imbel),
vinculada ao Ministério do
Exército. O comunicado da
chancelaria à embaixada
brasileira esclareceu que
"ainda não está
configurada nenhuma forma de
delito".
Ainda ontem, o
juiz federal Jorge Urso decidiu
intimar a depor o ministro do
Trabalho, Antonio Erman
González, na causa que investiga
a venda ilegal de armas à
Croácia. González era ministro
da Defesa em 1991 quando ocorreu
a venda das armas. Segundo se
informou, assinou decreto da
venda destinada inicialmente ao
Panamá mas que terminou na
Croácia.