EX-ZAIRE
Rebeldes
continuam querendo lutaKINSHASA - Após
o fracasso de sua tentativa de
tomar Kinshasa, os rebeldes
tutsis da República Democrática
do Congo (RDC, ex-Zaire)
ignoraram ontem os chamados de
trégua e garantiram estar
preparados para uma longa guerra.
"Já
Angola e Zimbábue (que
intervieram em favor do governo
de Laurent Kabila) não poderão
ficar muito tempo", disse o
líder rebelde Ernest Wamba. A
ONU pediu a saída de todas as
tropas estrangeiras, mas Uganda
já informou que não se
retirará.
A rebelião no
Congo, que foi derrotada no
sudoeste, afirmou que está
avançando no sudeste, enquanto
que cresce a incerteza sobre a
disposição dos aliados
congoleses do presidente Kabila
de levar a guerra ao leste, local
de resistência dos rebeldes.
Manono, a
cidade natal do presidente
Kabila, está desde ontem sob o
controle dos rebeldes, informou
em Goma o comandante Bob Ngoy,
adjunto do chefe militar dos
rebeldes.
As cidades de
Manono, Kalemia e Moba, às
margens do lago Tanganika, estão
sob o controle das forças
rebeldes. "Nosso próximo
objetivo é Lubumbashi. Quando
tomarmos Lubumbashi (segunda
cidade da RDC), estaremos
tranquilos", declarou o
comandante Ngoy. "Assumimos
o controle de Manono quase sem
combater", acrescentou o
comandante Ngoy, adjunto do
comandante Jean Pierre Ondekane,
chefe militar da rebelião contra
Kabila.
A rebelião
banyamulengue (congoleses tutsis
de origem ruandesa) que começou
o dia 2 de agosto contra o
governo de Kabila, é apoiada por
Uganda e Ruanda e afirma
controlar mais de um terço do
país. Os rebeldes estão
presentes em cinco das 11
províncias da RDC. Caso a
rebelião conquiste a cidade de
Lubumbashi, passará a controlar
a metade da RDC.
Em Kinshasa,
controlada agora por forças
pró-Kabila, as casas destruídas
pelos combates ofereciam um
espetáculo desolador ontem.
Apesar dos destroços, o
transporte público mantêm seus
serviços e os mercados populares
estão abertos.
Apesar dos
esforços de Kabila para
convencer seus aliados (Angola,
Zimbábue e Namíbia) para
estender a guerra para o leste do
país, nada foi feito. Uma fonte
do governo de Angola explicou que
um maior envolvimento das forças
aliadas no leste poderia levar a
"duros confrontos".
"Não estamos em guerra com
Ruanda e isso nunca foi a nossa
intenção", afirmou.
Um funcionário
do Ministério das Relações
Exteriores de Luanda declarou que
tem confiança no fim do impasse
durante o encontro dos países
Não-Alinhados que está sendo
realizado em Durban, África do
Sul, que conta com a
participação do presidente de
Angola, José Eduardo dos Santos.