- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 02 de setembro de 1998

EX-ZAIRE
Rebeldes continuam querendo luta

KINSHASA - Após o fracasso de sua tentativa de tomar Kinshasa, os rebeldes tutsis da República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire) ignoraram ontem os chamados de trégua e garantiram estar preparados para uma longa guerra.

"Já Angola e Zimbábue (que intervieram em favor do governo de Laurent Kabila) não poderão ficar muito tempo", disse o líder rebelde Ernest Wamba. A ONU pediu a saída de todas as tropas estrangeiras, mas Uganda já informou que não se retirará.

A rebelião no Congo, que foi derrotada no sudoeste, afirmou que está avançando no sudeste, enquanto que cresce a incerteza sobre a disposição dos aliados congoleses do presidente Kabila de levar a guerra ao leste, local de resistência dos rebeldes.

Manono, a cidade natal do presidente Kabila, está desde ontem sob o controle dos rebeldes, informou em Goma o comandante Bob Ngoy, adjunto do chefe militar dos rebeldes.

As cidades de Manono, Kalemia e Moba, às margens do lago Tanganika, estão sob o controle das forças rebeldes. "Nosso próximo objetivo é Lubumbashi. Quando tomarmos Lubumbashi (segunda cidade da RDC), estaremos tranquilos", declarou o comandante Ngoy. "Assumimos o controle de Manono quase sem combater", acrescentou o comandante Ngoy, adjunto do comandante Jean Pierre Ondekane, chefe militar da rebelião contra Kabila.

A rebelião banyamulengue (congoleses tutsis de origem ruandesa) que começou o dia 2 de agosto contra o governo de Kabila, é apoiada por Uganda e Ruanda e afirma controlar mais de um terço do país. Os rebeldes estão presentes em cinco das 11 províncias da RDC. Caso a rebelião conquiste a cidade de Lubumbashi, passará a controlar a metade da RDC.

Em Kinshasa, controlada agora por forças pró-Kabila, as casas destruídas pelos combates ofereciam um espetáculo desolador ontem. Apesar dos destroços, o transporte público mantêm seus serviços e os mercados populares estão abertos.

Apesar dos esforços de Kabila para convencer seus aliados (Angola, Zimbábue e Namíbia) para estender a guerra para o leste do país, nada foi feito. Uma fonte do governo de Angola explicou que um maior envolvimento das forças aliadas no leste poderia levar a "duros confrontos". "Não estamos em guerra com Ruanda e isso nunca foi a nossa intenção", afirmou.

Um funcionário do Ministério das Relações Exteriores de Luanda declarou que tem confiança no fim do impasse durante o encontro dos países Não-Alinhados que está sendo realizado em Durban, África do Sul, que conta com a participação do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.


 
 

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