- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 02 de setembro de 1998


JC NEGÓCIOS
Fernando Castilho

Crescendo sempre graças a Deus

O Recife continua a surpreender aos que se dedicam a tentar entender sua economia, seja ela formal, informal ou tradicional mesmo. Não pelo fato de continuar a ter mais da metade dos negócios gerados na Regão Metropolitana, que por sua vez detém dois terços da economia do estado, mas porque o Recife continua se descobrindo.

O curioso é que o Recife reage sozinho e acaba se revelando o verdadeiro potencial de negócios que sua localização confere não só ao município, mas ao próprio estado.

O caso do setor de serviços prova isso claramente. O comércio prova isso todo dia e a própria força da economia informal comprova a idéia. O setor financeiro não tem a sede de mais nenhuma grande instituição aqui, mas continua, disparado, a gerar um volume de negócios que põe suas empresas no topo dos maiores contribuintes. O pólo médico, por exemplo, surgiu, cresceu e se consolidou sem ajuda especial do governo e precisou se financiar em linhas de crédito destinadas a outro setores.

E o comércio, sozinho, fez da cidade um centro de distribuição sem que até hoje haja uma só linha de crédito que considere suas carcaterísticas. Gerou-se, descobriu seu próprio diferencial e se consolidou como base regional da maioria das corporações que operam no Brasil. Ou seja: enquanto os dirigentes discutem, a cidade simplesmente se inventa.

Jaboatão está no lixo

Produtor de 900 toneladas de lixo por dia, o município de Jaboatão dos Guararapes está sem conseguir recolher nem metade. Como não receberam pelo serviço já prestado ao município, duas empresas do setor contratadas sob o regime de emergência deixaram de fazer a coleta há três meses. Hoje, a empresa municipal (Endesa) tenta recolher o que pode, fazendo contratos por empreitada com donos de caçambas. Nenhuma empresa está disposta a fazer o serviço. Simplesmente não há nenhum tipo de programação financeira porque o prefeito Newton Carneiro decidiu reassumir a coleta. O custo mensal do serviço é de 1 milhão.

Conta de chegada

Independente das querelas eleitorais, acendeu a luz vermelha em diversos segmentos empresariais pernambucanos sobre o futuro da Celpe depois desta tempestade russa. Todo mundo concorda que o melhor é adiar a venda. Mas se acredita que quando ela vier, o preço será menor do que o próprio BNDES estimou (R$ 2 bilhões) e, finalmente, será mais difícil alavancar recursos de terceiros para contra-partidas. Ou seja: a crise russa já deu um choque na Celpe.

Turismo Down

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo, que fica em Londres, estima que o setor vai sofrer ano que vem por conta da crise da Ásia e da Rússia. O CMVT tinha projetado um crescimento médio de 7% no ano 2.008, o que triplicaria o PIB do setor. Mas agora tudo mudou.

MST Urbano

Pois é: o templo da modernidade da empresa, o Empresarial Center I, foi maculado, ontem. Um grupo de 130 trabalhadores sem salários da Usina Pumaty literalmente invadiu o prédio e saiu à caça dos dirigentes da empresa em busca de salários. Pôs abaixo todo o sofisticado sistema de segurança dos executivos que ali trabalham.

Além do próprio presidente licenciado, Fernando Bezerra (PMDB-RN) candidato ao Senado, a CNI acredita que possa eleger pelo menos seis deputados federais.

Ao falar para aos lojistas, ontem, no CDL, o candidato Carlos Wilson lembrou a condição de lojista de seu pai (Wilson Campos) que já foi até presidente da CDL-Recife.

Inaugura, amanhã, na Domingos Ferreira, junto ao Banco Bandeirantes, o primeiro centro automotivo 24 Horas do Nordeste. Da rede, Max Troc tem 1.200 m2 e será todo computadorizado.

Vai começar um grande debate entre os economistas brasileiros e internacionais sobre o quanto nós vamos crescer ano que vem. O Governo pelo Orçamento mandado ao Congresso prevê quase 40%. O Banco J.P. Morgan trabalha com -2%.

O preço do metro quadrado no Pólo Médico continua em alta, apesar das notícias da crise russa. Como na Agamenon Magalhães ele já está proibitivo, as empresas do setor começam a trabalhar com reunião de terrenos de velhas casas do Derby.

A Parmalat trabalha com a idéia de US$ 100 milhões no Brasil este ano. Sendo que US$ 45 milhões da controlada Etti na área de verduras e legumes. No primeiro semestre só a linha Parmalat lançou 52 novos produtos.

Além do Congresso de milho e sorgo que começa domingo e termina sexta-feira no Mar Hotel, o setor rural continuará a debater seus negócios no Recife na semana seguinte, quando acontece a Hortícola 98, no Centro de Convenções.

E-mail:
castilho@jc.com.br

 
 

 

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