 |
NA GRANDE
ÁREA
Armando
Nogueira
A
doidice da Fifa
Se eu tivesse
mania de grandeza, já teria
dito, aos quatro ventos, que a
Fifa não tem outro prazer na
vida a não ser encher a minha
paciência. Vejam só o
"ranking" do século
que a tal entidade mundial acaba
de publicar: o Brasil, em
primeiro lugar, no futebol do
século XX. Perfeito. O Brasil
contemplou gerações com quatro
seleções admiráveis: a de 50,
a de 58, a de 70 e a de 82. Em
segundo lugar, vem a Alemanha,
que ganhou três títulos, mas
que, pra mim, só um merece
realce, que foi o de 74. Assim
mesmo, a seleção rival, a
Holanda, de Cruyff, lhe era
superior, em talento, em brilho,
em tudo, enfim.
Da Itália, que
vem em terceiro lugar, tenho a
dizer apenas uma coisa: o título
de 82, na Espanha, foi
conquistado numa das finais mais
tediosas a que já assisti. Três
a um contra a Alemanha. Em 34, eu
era um menino de Xapuri, mal
sabia que a Itália jogava
futebol. Do que leio, porém, dá
pra sentir que, na campanha
italiana, aparecem, nítidas, as
impressões digitais de
Mussolini. O mínimo que dizem os
espanhóis é que, em 34, eles
foram garfados pelo
"Duce", lá do alto da
tribuna de honra. Dizem os
historiadores que, na de 38, não
foi muito diferente. As
autoridades do futebol da
França, anfitriã da Copa,
teriam dado uma mãozinha à
Azzurra...
Na lista,
aparece também a Inglaterra.
Aqui, desponta mais ainda a
desfaçatez dos eleitores da
Fifa. A Copa de 66 devia ter sido
da Alemanha ou de Portugal. A
seleção da Inglaterra jogou um
futebol que, nem inglês merecia
ver...
A lista da Fifa
comete o desplante de ignorar a
Hungria. A Hungria da década de
50, que deslumbrou o mundo com
Puskas, Kocsis, Hidekguti,
Boszic. Um assombro de seleção
que passou quatro anos sem perder
uma única vez. Só foi derrotada
na final de 54, contra a
Alemanha. Eu estava lá, ninguém
me contou. Não conheço
injustiça maior. A de 50, no
Maracanã, é pinto. Afinal, a
Seleção Brasileira era
excepcional, mas a uruguaia
também jogava pra burro. Já
Alemanha de 54 não tinha bola
sequer pra encostar na Hungria.
Quem quiser
saber como foi que a Alemanha
derrotou a Hungria, 3 a 2, em
Berna-54, é só perguntar aos
jornalistas europeus da época.
Todos dirão que o time alemão
jogou dopado. Seis meses depois,
a metade do time baixava à
enfermaria, todos com icterícia.
A Fifa dirá
que tomou como padrão de seu
ranking a Copa do Mundo.
Portanto, azar da Hungria que
não conquistou nenhuma Copa.
Pois bem: que dizer, então, do
Uruguai que venceu os mundiais de
30 e de 50? Antes, tinha vencido
dois torneios olímpicos, nos
Jogos de 24 e de 28. São quatro
medalhas de ouro no peito da
Celeste, solenemente ignoradas
pela Fifa. Não é uma pândega?
Falar de
futebol no século XX sem citar
Uruguai e Hungria, realmente, só
pode ser coisa de gente caduca. A
Fifa é o que se pode chamar uma
patusca e desmiolada coroa.
A NOVA
COMISSÃO - A CBF dá à luz
a nova comissão técnica. Tudo
cara conhecida do futebol
profissional. Gente que está com
a mão na massa, diariamente. A
novidade é a participação de
uma psicóloga no estado-maior da
Seleção. Luxemburgo sempre deu
importância à assistência
psicológica. E tem razão. É
fundamental que haja alguém pra
ajudar o atleta a driblar as
pressões do esporte desumanizado
de nossos dias.
Não adianta
ter o corpo saudável se a
cabeça não estiver fresca. Uma
coisa implica a outra: quando a
cuca entra em parafuso, o corpo
não resiste, estrebucha, o cara
baba, faz careta. O resto, um
dia, Ronaldinho conta pra gente.
É MULHER,
NADA... - Famoso clube
inglês de críquete, depois de
um século, resolveu admitir
mulher como sócia e com direito
a dar suas tacadas.
Comentário de
uma senhora inglesa, conversando
com um amigo brasileiro:
- "Na
Inglaterra, nada é feito pras
mulheres, nem mesmo os
homens..."
RÁPIDAS E
RASTEIRAS - De passagem por
Belo Horizonte, outro dia,
repórteres me perguntaram sobre
a pálida trajetória do Cruzeiro
e do Atlético, no atual
Campeonato Brasileiro. Fiz uma
rápida consideração, dizendo
que os dois hão de superar o
período de vacas magras. Pra
quê? Chove, agora, e-mail de
torcedores me esfinafrando. Acham
que, ao usar a expressão vacas
magras, desdenhei do futebol
mineiro e das glórias
atleticanas e cruzeirenses.
Francamente, torcedor de futebol
tem uma face intolerante que, às
vezes, me assusta. O rapaz que me
escreve não me conhece. Devia
perguntar sobre mim ao Tostão,
ao Toninho Drummond, ao Teodomiro
Braga, ao Piazza, ao Gil César,
ao Roberto Drummond, à deputada
Sandra Starling. Eles sabem
quanto o futebol mineiro me tem
feito feliz, ao longo do tempo.
***** Ricardo Teixeira resolveu
hastear a bandeira da paz.
Invariavelmente trombudo, o
presidente da CBF está
percebendo que, de maus bofes,
não dará pra saída a batalha
pro Brasil ser a sede do mundial
de 2006. ***** A Federação
Internacional de Tênis está
pensando em acabar com o
"let" de rede
(serviço). Ano que vem, pode
começar a funcionar o novo
critério: se a bola do saque
tocar na rede e cair na quadra de
serviço do rival é ponto do
sacador. Hoje, como se sabe,
nesse caso, o sacador serve de
novo. ***** Os clubes brasileiros
estão querendo dar uma ordem na
zorra dos salários do futebol.
Estudam a fixação de um piso e
de um teto pro salário dos
jogadores. O São Paulo Futebol
Clube já se adiantou e fixou um
teto salarial de 47 mil reais por
mês. Mais que isso não paga a
nenhum jogador. ****** O técnico
canta o jogo/ o goleiro canta a
rede/ o artilheiro canta a bola/
bem no canto da rede.
www.armandonogueira.com.br- E-MAIL: xapuri@armandonogueira.com.br
|
|

|