SUCESSÃO PRESIDENCIAL II
Scalco
afirma que propostas de FHC
ignoram a criseBRASÍLIA - O
coordenador político da campanha
do presidente Fernando Henrique
Cardoso à reeleição, Euclides
Scalco, disse ontem que as metas
do programa de governo para um
eventual segundo mandato do
presidente não levam em conta a
atual crise financeira
internacional. Segundo ele, as
metas do programa basearam-se nos
prováveis efeitos da crise
asiática de outubro do ano
passado. Por isso, o programa, a
ser anunciado na quinta-feira,
não faz menção à crise da
Rússia. Scalco não admitiu que,
se houver agravamento da crise,
as metas do programa possam ser
revistas. "Isso só o futuro
dirá", afirmou.
O presidente do
Senado, Antônio Carlos
Magalhães (PFL), declarou que,
embora a crise financeira
internacional preocupe o País,
Fernando Henrique Cardoso não
deve falar sobre esse assunto no
guia eleitoral. "Quando for
necessário falar de crise, ele
não deve falar no programa
político, tem de falar à
Nação", disse. Para ele, a
saída de US$ 8 bilhões do País
é preocupante, mas o governo tem
a situação controlada.
"Vamos nos sair muito bem
porque nos preparamos para isso.
As medidas tomadas no ano passado
nos prepararam para a crise
asiática e outras crises",
sustentou o senador.
ACM aproveitou
para classificar como
"inoportunas" as
declarações do ministro das
Comunicações, Luiz Carlos
Mendonça de Barros, sobre a
mudança do modelo econômico.
"Tenho a maior admiração
pelo ministro, mas quando ele,
para atender ao seu desejo
pessoal ou de terceiros, faz
declarações assim, não serve
nem ao País, nem ao
Governo."
O senador disse
que o ministro tem intimidade
bastante com FHC para saber que
quem comanda a política
econômica é o próprio
presidente. "Um governo não
pode apresentar divergências
públicas, principalmente nos
momentos mais difíceis. Essa é
a minha opinião. Não sei se é
a do presidente", ressaltou.
ACM considerou também
contraditória a postura do
ministro de defender restrição
às importações, em relação
à sua atuação na
privatização da Telebrás.
"A mim não cabe examinar a
atuação do ministro que,
aliás, achava louvável.
Entretanto a julgo contraditória
com o processo da telefonia que
ele fez."