- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 02 de setembro de 1998

SUCESSÃO PRESIDENCIAL II
Scalco afirma que propostas de FHC ignoram a crise

BRASÍLIA - O coordenador político da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, Euclides Scalco, disse ontem que as metas do programa de governo para um eventual segundo mandato do presidente não levam em conta a atual crise financeira internacional. Segundo ele, as metas do programa basearam-se nos prováveis efeitos da crise asiática de outubro do ano passado. Por isso, o programa, a ser anunciado na quinta-feira, não faz menção à crise da Rússia. Scalco não admitiu que, se houver agravamento da crise, as metas do programa possam ser revistas. "Isso só o futuro dirá", afirmou.

O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL), declarou que, embora a crise financeira internacional preocupe o País, Fernando Henrique Cardoso não deve falar sobre esse assunto no guia eleitoral. "Quando for necessário falar de crise, ele não deve falar no programa político, tem de falar à Nação", disse. Para ele, a saída de US$ 8 bilhões do País é preocupante, mas o governo tem a situação controlada. "Vamos nos sair muito bem porque nos preparamos para isso. As medidas tomadas no ano passado nos prepararam para a crise asiática e outras crises", sustentou o senador.

ACM aproveitou para classificar como "inoportunas" as declarações do ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, sobre a mudança do modelo econômico. "Tenho a maior admiração pelo ministro, mas quando ele, para atender ao seu desejo pessoal ou de terceiros, faz declarações assim, não serve nem ao País, nem ao Governo."

O senador disse que o ministro tem intimidade bastante com FHC para saber que quem comanda a política econômica é o próprio presidente. "Um governo não pode apresentar divergências públicas, principalmente nos momentos mais difíceis. Essa é a minha opinião. Não sei se é a do presidente", ressaltou. ACM considerou também contraditória a postura do ministro de defender restrição às importações, em relação à sua atuação na privatização da Telebrás. "A mim não cabe examinar a atuação do ministro que, aliás, achava louvável. Entretanto a julgo contraditória com o processo da telefonia que ele fez."


     

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