- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 02 de setembro de 1998

SUCESSÃO PRESIDENCIAL III
Lula compara Governo FHC ao Palace 2

RIO - O candidato das oposições à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comparou a política econômica do Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso à situação da véspera do desmoronamento do edifício Palace 2, na Barra da Tijuca. "O Governo tem de falar: a situação é essa e devemos fazer tal coisa porque, se vier um terremoto, meu caro, aí vai pegar muita gente desprevenida, como ocorreu no caso do prédio", comentou.

Sustentando que o governo não está sendo claro sobre as reais conseqüências para o Brasil da crise financeira internacional, Lula criticou a equipe econômica. "O papel de um governo sério é dizer a verdade", afirmou, classificando de "presunçosa" a proposta orçamentária encaminhada ao Congresso. "O orçamento é uma coisa fictícia, porque Fernando Henrique não cumpre a proposta orçamentária."

A coligação de Lula entrou no TSE com duas representações contra FHC por propaganda eleitoral irregular e enganosa. O PT pede a suspensão da veiculação dos programas, afirmando que, em 18 inserções, Fernando Henrique aparece sem referência a sua candidatura, nome da coligação ou partido pelo qual tenta a reeleição, em desrespeito ao Código Eleitoral. De acordo com a coligação, a ausência das referências pode dar ao telespectador a falsa impressão de que trata-se de um pronunciamento presidencial à Nação.

CONSELHO - O candidato petista vai formar um conselho político suprapartidário para auxiliá-lo na campanha e nas decisões de um eventual governo de esquerda. A idéia, segundo Lula, é democratizar politicamente a campanha, ampliando o número de pessoas que passarão a ter influência nas decisões. Entre os cotados para integrar o conselho estão o economista Celso Furtado, o escritor Fernando Moraes, o presidente do PMDB, Paes de Andrade, o ex-governador do Paraná, Roberto Requião, o governador Miguel Arraes, a economista Maria da Conceição Tavares e o escritor Ariano Suassuna.

Para Lula, "qualquer governo que quiser dar certo, tem de ter representação na sociedade, para discutir os problemas de governo e as saídas que muitas vezes o governo não enxerga. Se FHC tivesse um conselho, se ele tivesse ouvidos e não só boca, certamente não estaria metendo o Brasil na encruzilhada em que está metendo." Segundo o candidato, um ou mais nomes do conselho poderão eventualmente participar de seu ministério.


     

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