- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 27 de agosto de 1998

APRENDIZADO III
Austrália é a nova mania entre os jovens brasileiros

Nem Inglaterra nem Estados Unidos. A nova mania entre os jovens que pretendem fazer um curso de idiomas no exterior está a 25 horas de avião e é mais conhecida como "a terra dos cangurus". É isso mesmo: a Austrália é o destino que mais está chamando a atenção de quem quer aprender inglês e - por que não? - sentir a adrenalina correndo nas veias em esportes radicais, um passatempo nacional.

Hoje, o destino recebe 4,5% dos estudantes que viajam ao exterior. Só este ano, a Embaixada da Austrália em Brasília já liberou visto de estudantes para 499 brasileiros. "Antes, era possível perceber um certo aumento na procura. Mas, agora, os jovens vêm em grupos querendo obter informações sobre os cursos na Austrália", confirma a dirigente do Student Travel Bureau (STB) no Recife, Fátima Motta, embora explique que muitos estudantes ainda acabem optando pelos tradicionais cursos no país da rainha Elisabeth ou do Mickey.

Uma das razões que impedem que mais brasileiros enfrentem os mais de 15 mil quilômetros que separam os dois países é justamente essa. A distância deixa alguns viajantes (principalmente os pais deles) apreensivos. Bobagem. Sidney, a capital do estado de Nova Gales do Sul e a cidade mais procurada, é uma das mais seguras do mundo. Segura e também limpa, organizada, acolhedora. Quem viu todas essas qualidades por lá e se desmancha em elogios pelo país e pelos aussies (pronuncia-se "ózis" e equivale ao nosso brazuca), como os habitantes se denominam, é a consultora Lígia Rocha, do STB.

Com a experiência de quem já esteve nos quatro cantos do mundo, ela diz que a Austrália tem um pouquinho de todos juntos. "Encontrei o clima e a alegria dos brasileiros; a educação e civilidade dos britânicos; e o cosmopolitanismo dos americanos", afirma.

A opinião da recifense é compartilhada por milhares de pessoas no mundo inteiro e muitos estão elegendo a Austrália como nova morada. O crescimento é tanto que as autoridades estão tornando mais duros os critérios de imigração. "Em todos os lugares, a gente vê estrangeiros", observa a consultora. Mas, longe de se ver um clima xenófobo nos aussies. O povo australiano tem orgulho em receber estrangeiros e não se cansa em ensinar a pronúncia sempre aberta, como em "good day" (gúd dói) aos interessados. "Eles têm o sotaque parecido com o dos californianos, com o hábito de aglutinar as palavras", diz Lígia.

OLIMPÍADAS - É certo que um dos motivos dessa febre repentina dos nordestinos pela Austrália - nos estados do Sudeste, a Terra dos Coalas já não é mais novidade - são as Olimpíadas do ano 2000, que acabam chamando a atenção do mundo para o país.

Outra vantagem é que esse é um dos poucos países em que o visto de estudante dá direito a 20 horas de trabalho semanais. Sem falar que a natureza privilegiada e a tendência natural dos australianos para praticar esportes radicais, como andar de balão, descer rios num bote inflável, saltar de pára-quedas e outras peraltices, também contribui para que milhares de jovens com espírito de aventura elejam o país como um playground emcionante. (S.R.L.)


     

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