APRENDIZADO IV
Operadora
oferece orientação
psico-acadêmica para os alunosQuem já estudou no
exterior sabe. A euforia de
quando o curso ainda está sendo
planejado é substituída, já
nas primeiras semanas no outro
país, por um certo
arrependimento. A falta dos
amigos e dos parentes é agravada
pelo temperamento geralmente mais
frio dos estrangeiros. "É
nessas horas que os mais
desesperados desistem do
curso", observa Ricardo
Notare, gerente regional da Pool,
operadora de cursos no exterior.
Para ajudar os jovens a driblarem
essas dificuldades, ele criou,
junto à psicóloga Ana Thereza
de Almeida, uma orientação
psico-acadêmica para os
estudantes.
Segundo
Ricardo, a maioria dos problemas
acontece porque os brasileiros
não compreendem as diferenças
culturais. "Alguns jovens
não entendem, por exemplo, que
os europeus tomam banho com menos
freqüência por causa do clima
frio e da umidade do ar, muito
mais baixa do que no
Brasil", diz. Além disso,
em alguns países a água é um
elemento caro. Quando alguém
chama a atenção para os banhos
demorados, a pessoa se sente
rejeitada na família. "E
esse é só um entre os vários
problemas que o jovem vai
enfrentar, e que podem destruir
um planejamento de vários meses
e de alto investimento",
explica.
Através de uma
série de reuniões mensais, que
começam seis meses antes da
viagem, Ricardo e Ana Thereza
tentam fazer com que os jovens e
os pais tirem suas dúvidas sobre
a nova experiência. Nos
encontros, Ricardo diz que tenta
deixar o clima o mais informal
possível, para que os estudantes
perguntem tudo o que quiserem.
E é no que
eles chamam de pizza night, um
dos encontros regado a pizza e
refrigerante que ocorre na casa
de um dos participantes do
programa, que são tiradas as
dúvidas mais secretas. Todos se
sentam no chão e, como já há
um clima de amizade entre todos,
são feitos os mais diversos
questionamentos. "Eles se
abrem com a gente e perguntam
até sobre sexo", conta
Ricardo.
ANSIEDADE -
A psicóloga diz que os pais
causam mais problemas do que os
alunos. "É próprio dos
jovens procurar o desconhecido.
Os pais é que passam a ansiedade
para os filhos", diz Ana
Thereza. Esse um dos sentimentos
que devem ser trabalhados antes
do embarque, para evitar que os
alunos cheguem ao ponto de
interromper o programa no meio e
voltar para brincar o Recifolia,
como aconteceu com uma recifense.
Uma das dicas
é evitar os telefonemas para o
Brasil e conversas via Internet.
Os pais devem passar segurança e
incentivar os filhos a viajar.
Visitá-los é proibido, a não
ser que seja no final do
programa, quando eles já estão
para voltar.
Apesar da
preparação psicológica e da
seleção rigorosa, Ricardo diz
que é impossível dizer se vai
haver um bom relacionamento entre
a família anfitriã e o
estudante. Para resolver
problemas de emergência, a Pool
tem um sistema de comunicação
que funciona 24 horas por dia.
"Certa vez, recebi uma
mensagem pelo bip num sábado,
Às 2h da madrugada. Um dos
nossos estudantes foi pego, nos
Estados Unidos, saindo de uma
loja com um boné na sacola sem
pagar", lembra Ricardo. Ele
diz que depois de algumas
ligações para o xerife da
cidade e para a gerência da
loja, o problema foi resolvido. (S.R.L)