- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 27 de agosto de 1998

APRENDIZADO IV
Operadora oferece orientação psico-acadêmica para os alunos

Quem já estudou no exterior sabe. A euforia de quando o curso ainda está sendo planejado é substituída, já nas primeiras semanas no outro país, por um certo arrependimento. A falta dos amigos e dos parentes é agravada pelo temperamento geralmente mais frio dos estrangeiros. "É nessas horas que os mais desesperados desistem do curso", observa Ricardo Notare, gerente regional da Pool, operadora de cursos no exterior. Para ajudar os jovens a driblarem essas dificuldades, ele criou, junto à psicóloga Ana Thereza de Almeida, uma orientação psico-acadêmica para os estudantes.

Segundo Ricardo, a maioria dos problemas acontece porque os brasileiros não compreendem as diferenças culturais. "Alguns jovens não entendem, por exemplo, que os europeus tomam banho com menos freqüência por causa do clima frio e da umidade do ar, muito mais baixa do que no Brasil", diz. Além disso, em alguns países a água é um elemento caro. Quando alguém chama a atenção para os banhos demorados, a pessoa se sente rejeitada na família. "E esse é só um entre os vários problemas que o jovem vai enfrentar, e que podem destruir um planejamento de vários meses e de alto investimento", explica.

Através de uma série de reuniões mensais, que começam seis meses antes da viagem, Ricardo e Ana Thereza tentam fazer com que os jovens e os pais tirem suas dúvidas sobre a nova experiência. Nos encontros, Ricardo diz que tenta deixar o clima o mais informal possível, para que os estudantes perguntem tudo o que quiserem.

E é no que eles chamam de pizza night, um dos encontros regado a pizza e refrigerante que ocorre na casa de um dos participantes do programa, que são tiradas as dúvidas mais secretas. Todos se sentam no chão e, como já há um clima de amizade entre todos, são feitos os mais diversos questionamentos. "Eles se abrem com a gente e perguntam até sobre sexo", conta Ricardo.

ANSIEDADE - A psicóloga diz que os pais causam mais problemas do que os alunos. "É próprio dos jovens procurar o desconhecido. Os pais é que passam a ansiedade para os filhos", diz Ana Thereza. Esse um dos sentimentos que devem ser trabalhados antes do embarque, para evitar que os alunos cheguem ao ponto de interromper o programa no meio e voltar para brincar o Recifolia, como aconteceu com uma recifense.

Uma das dicas é evitar os telefonemas para o Brasil e conversas via Internet. Os pais devem passar segurança e incentivar os filhos a viajar. Visitá-los é proibido, a não ser que seja no final do programa, quando eles já estão para voltar.

Apesar da preparação psicológica e da seleção rigorosa, Ricardo diz que é impossível dizer se vai haver um bom relacionamento entre a família anfitriã e o estudante. Para resolver problemas de emergência, a Pool tem um sistema de comunicação que funciona 24 horas por dia. "Certa vez, recebi uma mensagem pelo bip num sábado, Às 2h da madrugada. Um dos nossos estudantes foi pego, nos Estados Unidos, saindo de uma loja com um boné na sacola sem pagar", lembra Ricardo. Ele diz que depois de algumas ligações para o xerife da cidade e para a gerência da loja, o problema foi resolvido. (S.R.L)


     

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