- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 27 de agosto de 1998

POTENCIAL
Mata Norte terá pólo agro-ecoturístico

por LUIZ CLAUDIO FERREIRA

Nove municípios da Mata Norte de Pernambuco deram o primeiro passo esta semana para formar um pólo de desenvolvimento agro-ecoturístico. A proposta é criar um cinturão agrícola e estruturar potenciais centros históricos, ecológicos e culturais nas cidades envolvidas, para que fiquem prontos para a visitação. Os autores do projeto acreditam que o turismo é a única saída para essa região, próxima ao Recife, que entrou num "calabouço" depois que grande parte dos engenhos de cana-de-açúcar pararam de moer ou estão à beira da falência.

A iniciativa de formação desse pólo foi da Associação Pernambucana de Ecoturismo (Apeco) e pretende reunir as cidades de Vicência, São Vicente Férrer, Macaparana, Goiana, Tracunhaém, Aliança, Nazaré da Mata e Lagoa do Carro. A associação deu início ao programa com um curso sobre o assunto na semana passada. Participaram 50 pessoas, entre técnicos, agricultores e artesãos, que ouviram as explicações do especialista italiano Romano Toppan.

O professor, mestre em Economia em Turismo, trouxe a experiência bem sucedida da região de Veneto, no Nordeste daquele país, onde, segundo ele, os problemas eram similares aos da Mata Norte. "Aqui o potencial é maior. É inacreditável que a região esteja quase condenada ao abandono, e a população, à miséria e ao desemprego", afirma. A teoria que ajudou a Itália e que ele traz não é européia. "O educador pernambucano Paulo Freire mostra que o desenvolvimento deve ser de baixo para cima. Tem que convencer o homem dos objetivos", explica.

Depois do curso, a idéia do pólo foi bem recebida pelos prefeitos e outras autoridades num encontro realizado na última segunda-feira (24), no Recife. O secretário estadual de Planejamento, João Recena, garantiu que o projeto é plenamente viável e que o governo deve apoiá-lo. "A intenção e a obrigação do Estado é fazer de tudo para desenvolver essa e várias outras regiões. Vamos articular todas as iniciativas que promovam a vinda de turistas para Pernambuco. As antigas casas dos engenhos, por exemplo, são um tesouro histórico que poucos conhecem", ressalta.

Representantes da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio-Ambiente ressaltam que um obstáculo que tem dificultado o desenvolvimento turístico na Zona da Mata Norte é a falta de informação sobre a região. Outro ponto a ser levado em consideração é a capacitação dos trabalhadores locais, para que possam receber bem os visitantes. Uma comissão formada por profissionais da Apeco, do Governo do Estado, dos municípios, da Sudene e da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) vai se reunir mensalmente para definir as primeiras metas do projeto.

HOTÉIS - Outra importante questão a ser discutida é a infra-estrutura hoteleira necessária para se implantar o pólo agro-ecoturístico. Alguns dos municípios do programa não têm sequer uma hospedaria, como é o caso de Nazaré da Mata, a 60 quilômetros do Recife. O prefeito da cidade, Jaime Correia, considera que, se a idéia for consolidada, não demorará para que a iniciativa privada explore os recursos da região. "Não haverá diferenças políticas entre os prefeitos. Sabemos que o turismo é a única saída para os nossos problemas", diz.

A prefeita de Vicência (a 96 quilômetros da capital), Eva Maria de Andrade e Lima, já tem até um plano para a região. "Por que não fazer um tour pelos engenhos de todas as cidades?", indaga. Ela afirma que a pequena distância entre os municípios vai permitir que o turista experimente frutas diferentes de cada lugar, além de conhecer valores históricos, culturais e ecológicos que "ainda não foram descobertos". "Em Vicência está o Engenho Poço Comprido que é o mais velho do Brasil. Está tombado, mas ninguém conhece", declara.

Já o presidente da Apeco, Paulo Saldanha, acredita que além de solucionar esse problema da falta de divulgação, é importante informar os trabalhadores e a população local sobre como cativar o turista. "É necessário aprimorar os potenciais naturais e humanos, com tecnologia e cursos. Basta nos articularmos corretamente para que a Mata Norte vire Veneto", aposta.


     

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