BRASIL
Turismo
ganha feira de grande portepor CEÇA BRITTO
Editora de Turismo & lazer
Segundo
estatísticas da Organização
Mundial de Turismo (OMT), a
indústria turística nos
próximos 10 anos passará a ser
o setor número um da economia
mundial. Apostando nesses dados,
a Alcântara Machado Feiras e
Negócios deu o pontapé inicial
para a realização da 1ª Feira
Mundial de Turismo/Brasil que
acontecerá de 28 de abril a 1º
de maio de 1999, em Salvador, e
deve colocar o país no exigente
calendário de feiras
internacionais.
Anunciada na
última terça-feira, no Hotel
Brasilton, em São Paulo, a
FMT/Brasil inaugura uma nova
etapa no turismo nacional, a de
seu fortalecimento no cenário
mundial. "A feira
acontecerá nos moldes das
grandes feiras européias
adaptada ao mercado brasileiro e
ao latino-americano, pretendendo
chegar a ser um dos mais
importantes eventos da América
Latina", explica Raúl
Olivares, diretor da FMT/Brasil.
Olivares tem
motivos para apostar alto neste
evento. Ao longo de 23 anos de
uma bem-sucedida participação
na realização da maior feira de
turismo do planeta, a ITB (Bolsa
Internacional de Turismo de
Berlim/Alemanha), da qual foi um
dos organizadores, ele viu de
perto o interesse de empresários
de todo o mundo no Brasil. Além
do mais foi um dos principais
responsáveis por resultados
inquestionáveis: "Quando
iniciamos a ITB, a Alemanha
estava no 28º do ranking das
cidades de interesse para o
turista. Depois da oitava ITB
passou para 14º e na décima
quinta, já estava no oitavo
lugar do ranking".
O especialista
em feiras lança mão de outro
estudo para comprovar a total
viabilidade do evento. Ele se
baseia na projeção feita pela
Associação Brasileira das
Empresas Organizadoras de
Congressos (Abeoc), que registrou
no ano passado uma movimentação
de US$ 4 bilhões em feiras e
congressos em todo o país. Tem
mais. Estimativas de organismos
internacionais prevêem que esse
valor vai-se multiplicar e o
Brasil deverá capitalizar, até
o final de 98, US$ 17 bilhões
com a realização de mais de 500
feiras em território nacional.
"O mercado para o turismo de
congressos e eventos é um dos
mais produtivos", justifica
Olivares. "E o Brasil tem
tudo o que a tendência do
segmento no mundo exige: belezas
naturais e infra-estrutura
satisfatória", completa.
SORTE -
Não foi só a proteção de
todos os santos que levou para a
Bahia a realização de um evento
deste porte. Colocada como a
terceira cidade para a
realização do evento - primeira
Rio de Janeiro; segunda, São
Paulo, ambas sem data em seus
centros de convenções -,
Salvador, que no próximo ano
completa 450 anos, teve mesmo foi
o respaldo de uma administração
pública definitivamente voltada
para o turismo. Pioneiro na arte
de transformar paisagem em
divisas rentáveis, o Governo da
Bahia não só deu apoio,
através de largos descontos aos
realizadores da Feira, mas
também apresentou uma excelente
infra-estrutura para receber
visitantes.
Além da
belezas naturais, arquitetura,
história e grandes festas
populares e religiosas, a cidade
possui uma ampla rede hoteleira,
com estabelecimentos de
reconhecidas cadeias
internacionais, oferecendo cerca
de 20 mil leitos e mão-de-obra
das mais qualificadas do país. O
aeroporto movimenta 72 vôos
diários e o moderno Centro de
Convenções possui uma área
para exposições e feiras de 22
mil metros quadrados, 12
auditórios e 22 salas de apoio.
Só para
ilustrar, o Governo da Bahia
desenvolve desde 1991 um programa
de melhoria da infra-estrutura
básica do estado orçado em US$
2 bilhões, dos quais US$ 1,1
bilhão já foi empregado. Quando
o projeto for concluído, em
2005, estradas, saneamento,
patrimônio histórico, reservas
ecológicas e sete aeroportos
estarão à disposição de
moradores e visitantes. Paulo
Gaudenzi, secretário de Cultura
e Turismo da Bahia, está à
frente do setor desde 79 e vê
neste aspecto um dos mais
importantes para o sucesso da
Bahia no segmento turístico.
"A
continuidade é a palavra mágica
de tudo isso. Um grupo está há
anos trabalhando para desenvolver
essa atividade. Além do mais,
temos decisão política",
justifica. Longe de ser teoria,
tanta estratégia aponta para
números animadores. Segundo
Gaudenzi, a Bahia se prepara para
receber em 2005 nada menos que 6
milhões de turistas.
* Viajou a
convite da Alcântara Machado
Feiras e Negócios