- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 27 de agosto de 1998

BRASIL
Turismo ganha feira de grande porte

por CEÇA BRITTO
Editora de Turismo & lazer

Segundo estatísticas da Organização Mundial de Turismo (OMT), a indústria turística nos próximos 10 anos passará a ser o setor número um da economia mundial. Apostando nesses dados, a Alcântara Machado Feiras e Negócios deu o pontapé inicial para a realização da 1ª Feira Mundial de Turismo/Brasil que acontecerá de 28 de abril a 1º de maio de 1999, em Salvador, e deve colocar o país no exigente calendário de feiras internacionais.

Anunciada na última terça-feira, no Hotel Brasilton, em São Paulo, a FMT/Brasil inaugura uma nova etapa no turismo nacional, a de seu fortalecimento no cenário mundial. "A feira acontecerá nos moldes das grandes feiras européias adaptada ao mercado brasileiro e ao latino-americano, pretendendo chegar a ser um dos mais importantes eventos da América Latina", explica Raúl Olivares, diretor da FMT/Brasil.

Olivares tem motivos para apostar alto neste evento. Ao longo de 23 anos de uma bem-sucedida participação na realização da maior feira de turismo do planeta, a ITB (Bolsa Internacional de Turismo de Berlim/Alemanha), da qual foi um dos organizadores, ele viu de perto o interesse de empresários de todo o mundo no Brasil. Além do mais foi um dos principais responsáveis por resultados inquestionáveis: "Quando iniciamos a ITB, a Alemanha estava no 28º do ranking das cidades de interesse para o turista. Depois da oitava ITB passou para 14º e na décima quinta, já estava no oitavo lugar do ranking".

O especialista em feiras lança mão de outro estudo para comprovar a total viabilidade do evento. Ele se baseia na projeção feita pela Associação Brasileira das Empresas Organizadoras de Congressos (Abeoc), que registrou no ano passado uma movimentação de US$ 4 bilhões em feiras e congressos em todo o país. Tem mais. Estimativas de organismos internacionais prevêem que esse valor vai-se multiplicar e o Brasil deverá capitalizar, até o final de 98, US$ 17 bilhões com a realização de mais de 500 feiras em território nacional. "O mercado para o turismo de congressos e eventos é um dos mais produtivos", justifica Olivares. "E o Brasil tem tudo o que a tendência do segmento no mundo exige: belezas naturais e infra-estrutura satisfatória", completa.

SORTE - Não foi só a proteção de todos os santos que levou para a Bahia a realização de um evento deste porte. Colocada como a terceira cidade para a realização do evento - primeira Rio de Janeiro; segunda, São Paulo, ambas sem data em seus centros de convenções -, Salvador, que no próximo ano completa 450 anos, teve mesmo foi o respaldo de uma administração pública definitivamente voltada para o turismo. Pioneiro na arte de transformar paisagem em divisas rentáveis, o Governo da Bahia não só deu apoio, através de largos descontos aos realizadores da Feira, mas também apresentou uma excelente infra-estrutura para receber visitantes.

Além da belezas naturais, arquitetura, história e grandes festas populares e religiosas, a cidade possui uma ampla rede hoteleira, com estabelecimentos de reconhecidas cadeias internacionais, oferecendo cerca de 20 mil leitos e mão-de-obra das mais qualificadas do país. O aeroporto movimenta 72 vôos diários e o moderno Centro de Convenções possui uma área para exposições e feiras de 22 mil metros quadrados, 12 auditórios e 22 salas de apoio.

Só para ilustrar, o Governo da Bahia desenvolve desde 1991 um programa de melhoria da infra-estrutura básica do estado orçado em US$ 2 bilhões, dos quais US$ 1,1 bilhão já foi empregado. Quando o projeto for concluído, em 2005, estradas, saneamento, patrimônio histórico, reservas ecológicas e sete aeroportos estarão à disposição de moradores e visitantes. Paulo Gaudenzi, secretário de Cultura e Turismo da Bahia, está à frente do setor desde 79 e vê neste aspecto um dos mais importantes para o sucesso da Bahia no segmento turístico.

"A continuidade é a palavra mágica de tudo isso. Um grupo está há anos trabalhando para desenvolver essa atividade. Além do mais, temos decisão política", justifica. Longe de ser teoria, tanta estratégia aponta para números animadores. Segundo Gaudenzi, a Bahia se prepara para receber em 2005 nada menos que 6 milhões de turistas.

* Viajou a convite da Alcântara Machado Feiras e Negócios


     

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