REFORMA
Rainha
propõe troca de Selligman por
JungmannSÃO PAULO - O
líder do MST, José Rainha
Júnior, acha que o resultado do
segundo turno das eleições
criou um cenário favorável ao
avanço da reforma agrária, mas
aponta dois obstáculos contra os
quais os sem-terra vão lutar: a
permanência do ministro da
Reforma Agrária, Raul Jungmann,
na pasta e a burocracia imposta
pelo Banco do Brasil no repasse
do dinheiro destinado ao
financiamento da agricultura
familiar. Rainha disse que,
pessoalmente, é favorável que
Jungmann seja substituído pelo
atual presidente do Incra, Milton
Selligman.
"O
Selligman é mais habilidoso e
procura compreender melhor os
movimentos sociais que lutam pela
terra. Essa deve ser uma postura
de quem dirige um organismo
voltado para a reforma
agrária", afirma o
dirigente do MST, que já não
conversa mais com Raul Jungmann.
Rainha não gostou das
declarações do ministro que, em
entrevista a um jornal paulista,
deu a entender que os dois
mantinham encontros reservados.
Ele sustenta que todas as
conversas foram em torno da
reforma agrária e afirma que a
incompatibilidade com o ministro
está restrita ao terreno
prático, de condução da
reforma agrária.
Rainha afirma
que o MST vai intensificar as
mobilizações para pressionar o
Governo a retirar do Banco do
Brasil o papel de agente
repassador dos recursos
destinados aos financiamentos dos
sem-terra. O banco, segundo ele,
está preso a uma velha
burocracia e retém os recursos
do Incra em nome de garantias que
os trabalhadores rurais não têm
como oferecer.