- - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 02 de novembro de 1998

REFORMA
Rainha propõe troca de Selligman por Jungmann

SÃO PAULO - O líder do MST, José Rainha Júnior, acha que o resultado do segundo turno das eleições criou um cenário favorável ao avanço da reforma agrária, mas aponta dois obstáculos contra os quais os sem-terra vão lutar: a permanência do ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, na pasta e a burocracia imposta pelo Banco do Brasil no repasse do dinheiro destinado ao financiamento da agricultura familiar. Rainha disse que, pessoalmente, é favorável que Jungmann seja substituído pelo atual presidente do Incra, Milton Selligman.

"O Selligman é mais habilidoso e procura compreender melhor os movimentos sociais que lutam pela terra. Essa deve ser uma postura de quem dirige um organismo voltado para a reforma agrária", afirma o dirigente do MST, que já não conversa mais com Raul Jungmann. Rainha não gostou das declarações do ministro que, em entrevista a um jornal paulista, deu a entender que os dois mantinham encontros reservados. Ele sustenta que todas as conversas foram em torno da reforma agrária e afirma que a incompatibilidade com o ministro está restrita ao terreno prático, de condução da reforma agrária.

Rainha afirma que o MST vai intensificar as mobilizações para pressionar o Governo a retirar do Banco do Brasil o papel de agente repassador dos recursos destinados aos financiamentos dos sem-terra. O banco, segundo ele, está preso a uma velha burocracia e retém os recursos do Incra em nome de garantias que os trabalhadores rurais não têm como oferecer.




   

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