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Manuscritos
revelam astronomia do século 17por VERÔNICA FALCÃO
Uma equipe do
Museu de Astronomia e Ciências
Afins (MAST/CNPq), no Rio de
Janeiro, está estudando 119
manuscritos do alemão Georg
Marcgrave, que integrou o grupo
de artistas e cientistas trazidos
para Pernambuco pelo Conde
Maurício de Nassau, no século
17. Os manuscritos foram copiados
da biblioteca do Observatório de
Paris e relatam eventos
astronômicos observados no
Nordeste por Marcgrave, entre
1638 e 1643.
Os
pesquisadores do MAST/CNPq querem
fazer a mais completa
compilação da obra astronômica
de Marcgrave, com informações
ainda inéditas. Analisando os
manuscritos, eles querem saber os
locais de observação usados
pelo naturalista e qual a
precisão astronômica com que
ele determinava a posição dos
astros no céu. "Há
dúvidas ainda em relação à
denominação das constelações,
que era diferente da atual, e ao
sistema de horas utilizado",
diz um dos cientistas envolvidos
no projeto, Oscar Toshiaki
Matsuura.
O astrônomo
acredita que Marcgrave tenha
usado o Sistema Solar verdadeiro
para medir as horas.
"Naquela época era
completamente diferente. Não
havia uma hora universal e nem um
meridiano de referência, como é
Greenwich", afirma. A hora
solar verdadeira, explica o
Matsuura, é dada pela sombra do
Sol em uma haste ao longo do dia.
A diferença entre o sistema e um
relógio convencional pode chegar
a 45 minutos para mais ou para
menos.
Outro desafio
da equipe é saber qual o
calendário usado por Marcgrave.
"Por serem de religião
protestante, os holandeses
adotaram com atraso o calendário
gregoriano, instituído pela
Igreja Católica, que está em
vigência até hoje",
afirma.
O trabalho dos
pesquisadores do MAST/CNPq
deverá resultar em um livro.
"Por enquanto, pretendemos
apenas digitalizar as
informações obtidas e
transformá-las em um banco de
dados", adianta Matsuura.
ORIGINAIS -
Os manuscritos originais de
Marcgrave estão nos arquivos da
Prefeitura de Leiden, na Holanda.
Eles foram copiados em meados do
século 17 pelo padre e
astrônomo Ismael Boulliau, que
na época era secretário do
embaixador da França na Holanda,
e levou o documento para seu
país.